Big Day reúne registros da arara-azul, espécie ameaçada de extinção
Ciência cidadã envolve observadores de 3 países para ampliar dados sobre a distribuição da espécie
Termina neste domingo (2) a segunda edição do Big Day das Araras Azuis, uma mobilização internacional que reúne observadores de aves no Brasil, Bolívia e Paraguai para registrar a presença da arara-azul-grande na natureza. A iniciativa, baseada na ciência cidadã, busca ampliar o conhecimento sobre a distribuição e o número de indivíduos da espécie, atualmente classificada como vulnerável à extinção.
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A segunda edição do Big Day das Araras Azuis termina neste domingo (2), reunindo observadores de aves no Brasil, Bolívia e Paraguai para registrar a arara-azul-grande, espécie classificada como vulnerável à extinção. Organizado pelo Instituto Arara Azul, o evento usa ciência cidadã para mapear a distribuição da ave, ameaçada pelos incêndios no Pantanal. Os resultados serão divulgados na segunda-feira (3).
No Brasil, neste domingo, foram feitos registros em diversos pontos de Mato Grosso do Sul, como em Campo Grande e região, Bonito e Dourados. Além disso, observadores se reuniram em Tocantins e no Pará.
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A ação, que começou no sábado (1), é organizada pelo Instituto Arara Azul e se inspira no Global Big Day, evento mundial de observação de aves. Além de contabilizar exemplares, o evento quer identificar onde a espécie ainda ocorre, em que quantidade e como está distribuída nos diferentes territórios. O resultado final dos registros deve ser divulgado nesta segunda-feira (3), após a consolidação dos dados pelos pesquisadores.
A participação é aberta a qualquer pessoa. A orientação aos interessados é observar e registrar as aves por meio de fotos, vídeos ou áudios, que podem ser enviados por plataformas como eBird, WikiAves e Biofaces, além de formulário oficial e WhatsApp da campanha. Segundo a bióloga Neiva Guedes, fundadora do Instituto Arara Azul, moradores de áreas rurais e regiões mais isoladas têm papel estratégico, por frequentemente serem os primeiros a perceber a presença das araras.
Na primeira edição, realizada em 2025, em Mato Grosso do Sul, foram registrados 409 indivíduos, enquanto no Pará houve 335 registros. Ao mesmo tempo, a ausência de dados em estados como Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia revelou lacunas importantes. Para os pesquisadores, inclusive a falta de registros tem valor científico, pois ajuda a identificar possíveis mudanças na distribuição da espécie e áreas que demandam maior monitoramento.
Confira a galeria de imagens:
Ave ameaçada - Símbolo de Mato Grosso do Sul desde 2025, a arara-azul-grande voltou a integrar a lista nacional de espécies ameaçadas, na categoria “Vulnerável”. A reclassificação está associada, principalmente, aos impactos dos grandes incêndios no Pantanal, que têm provocado a destruição de ninhos, ovos e filhotes, além de alterar o equilíbrio ecológico do habitat.
Altamente especializada, a espécie depende de poucas fontes de alimento, concentradas em duas espécies de palmeiras, e de árvores específicas para reprodução. Essa dependência torna a arara-azul especialmente sensível às mudanças ambientais. De acordo com o Instituto Arara Azul, os incêndios recentes reduziram o número de casais reprodutivos e comprometeram o sucesso reprodutivo da população, além de afetar a saúde das aves, com registros de lesões e problemas no desenvolvimento dos filhotes.
Com mais de três décadas de atuação no monitoramento da espécie, o instituto destaca que iniciativas como o Big Day aproximam a população da ciência e transformam observações cotidianas em informações relevantes para a conservação. A expectativa é que o engajamento crescente contribua para preencher lacunas de dados e fortalecer estratégias de proteção de uma das aves mais emblemáticas da fauna sul-americana.









