Perda de habitat leva a arara-azul de volta à lista de vulneráveis
Especialista aponta retorno à categoria após incêndios, destruição de ninhos e redução no sucesso reprodutivo
Para a bióloga Neiva Guedes, fundadora e presidente do Instituto Arara Azul, os impactos dos grandes incêndios no Pantanal foram determinantes para que a arara-azul-grande voltasse a figurar na "Lista nacional oficial de espécies da fauna ameaçadas de extinção".
RESUMO
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A arara-azul-grande voltou a figurar na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, na categoria Vulnerável, após os impactos dos grandes incêndios no Pantanal. Segundo a bióloga Neiva Guedes, presidente do Instituto Arara Azul, o fogo destrói ninhos, ovos e filhotes, reduz casais reprodutivos e causa problemas de saúde nas aves. A espécie havia saído da lista em 2014 após décadas de trabalho de conservação.
Reconhecida como símbolo de Mato Grosso do Sul por meio da Lei Estadual nº 6.442, de 2025, a ave integra a nova lista que foi divulgada pelo MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima) e publicada no Diário Oficial da União. Nela, a arara-azul-grande passa a integrar a categoria VU (Vulnerável à Extinção). Segundo Neiva Guedes, a espécie é especialmente sensível às mudanças ambientais por depender de poucos recursos naturais para sobreviver. Sua alimentação está concentrada em duas espécies de palmeiras, enquanto a reprodução depende principalmente de árvores específicas para nidificação.
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Como a pesquisadora explica, os incêndios no Pantanal queimam ninhos, ovos e filhotes, ou seja, destroem o habitat da arara-azul. Segundo ela, o fogo altera as relações ecológicas do ambiente, favorecendo a ação de predadores que antes não representavam uma ameaça significativa. A pesquisadora destaca ainda que, por ser uma espécie altamente especializada, a arara-azul sofre os impactos durante o incêndio e também por muitos anos após a ocorrência do fogo.
O Instituto Arara Azul monitora a espécie no Pantanal Sul desde 1990, com ações de identificação, cadastramento e acompanhamento sistemático de ninhos naturais e artificiais, além do monitoramento de ovos e filhotes durante todo o ciclo reprodutivo.
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identificação, cadastramento e acompanhamento sistemático de ninhos naturais e artificiais, além do monitoramento de ovos e filhotes durante todo o ciclo reprodutivo. De acordo com os dados coletados pela instituição, os incêndios dos últimos anos provocaram redução no número de casais reprodutivos e comprometeram o sucesso reprodutivo da população.
“Observamos uma grande diminuição do número de casais se reproduzindo e, consequentemente, do sucesso reprodutivo por conta dos grandes incêndios”, afirma Neiva.
Além das perdas diretas de ninhos e filhotes, a pesquisadora relata que os efeitos do fogo também têm sido percebidos na saúde das aves. Entre os problemas identificados estão lesões de pele, baixo desenvolvimento dos filhotes e aumento na ocorrência de indivíduos com nanismo. Segundo ela, antes dos incêndios recentes, cerca de 7% das araras monitoradas apresentavam essa condição. Após os grandes eventos de fogo, o problema passou a ser registrado com maior frequência.
Histórico - Segundo o Instituto, a arara-azul havia deixado a lista nacional de espécies ameaçadas em 2014, resultado de décadas de trabalho de conservação. Como parte das ações desenvolvidas estão também a instalação de ninhos artificiais, o manejo de ninhos naturais e a ampliação das áreas monitoradas.
Essas medidas contribuíram para o aumento da população da espécie no Pantanal e para sua expansão para áreas de Cerrado próximas ao bioma.
“Nós conseguimos melhorar o sucesso reprodutivo e aumentar o número de araras na natureza. Porém, os grandes incêndios afetam fortemente uma espécie extremamente especializada e dependente do habitat. Por isso ela volta para essa lista”, afirma Neiva Guedes.
Para Neiva Guedes, o retorno da arara-azul à lista de espécies ameaçadas reforça a necessidade de investimentos contínuos em conservação, pesquisa e monitoramento. A classificação também pode contribuir para fortalecer políticas públicas e os planos de manejo coordenados pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).
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