O truque para deixar o gato menos estressado e mais sociável
Veterinário explica que segredo não é forçar, mas apresentar cada novidade no tempo dele
Você já tentou encostar na pata do gato e ele puxou na mesma hora? Ou imaginou colocar um peitoral e o felino simplesmente deitou no chão, sem dar um passo? Você sabia que essas cenas, comuns para muitos tutores, podem ser evitadas com um processo chamado dessensibilização?
RESUMO
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A dessensibilização é uma técnica que ajuda gatos a se adaptarem a situações cotidianas, como visitas ao veterinário e uso de peitoral. O processo consiste em apresentar estímulos de forma gradual e positiva, respeitando o tempo do animal. O veterinário Rafael Rodrigues orienta que o trabalho deve começar nos primeiros meses de vida, mas também pode ser feito com adultos, sem forçar interações.
O processo nada mais é do que acostumar o animal, aos poucos, às situações que ele vai enfrentar ao longo da vida. Isso pode ser algo que ajude no estresse em momentos críticos como ir ao veterinário, por exemplo.
Segundo o médico veterinário Rafael Rodrigues, especialista em felinos, o trabalho deve começar ainda nos primeiros meses de vida, mas também pode ser feito com gatos adultos.
"Dessensibilizar é apresentar esses estímulos de forma gradual e positiva, sempre respeitando o tempo do gato. O objetivo é fazer com que ele entenda que aquilo não representa um perigo", explica.
Vale lembrar que a técnica não significa mudar a personalidade do gato nem obrigá-lo a aceitar situações que o deixam desconfortável. O processo consiste em respeitar os limites de cada animal, apresentando novos estímulos aos poucos e criando associações positivas, para que ele se sinta mais seguro sem perder seu jeito.
Na prática, isso pode começar com atitudes simples dentro de casa. Uma delas é tocar as patas do gato com frequência, fazendo pequenas massagens enquanto ele está tranquilo.
"A gente pode pegar a patinha, fazer carinho, massagear a região. Assim, quando ele precisar coletar sangue, tomar uma medicação ou receber atendimento no veterinário, não vai estranhar tanto esse contato e tende a ficar menos estressado", orienta.
Outro exemplo é o peitoral. Em vez de colocá-lo apenas no dia do primeiro passeio, o ideal é apresentá-lo ainda filhote, deixando o gato usá-lo por alguns minutos dentro de casa.
"Como ele só pode sair depois de completar o protocolo vacinal, esse tempo serve justamente para se acostumar com o peitoral. Depois, os primeiros passeios devem ser curtos, em locais calmos e sempre respeitando o comportamento do animal."
A dessensibilização também faz diferença quando um novo gato chega à família. Em vez de colocar os dois juntos logo de cara, Rafael recomenda manter cada um em um cômodo e promover a troca de cheiros antes do primeiro encontro.
"Você pode pegar um paninho do gato que já mora na casa e colocar para o novo sentir. Depois faz o contrário. Essa troca ajuda os dois a reconhecerem o cheiro um do outro e facilita a adaptação." O uso de feromônios também pode contribuir para deixar o ambiente mais tranquilo.
Mesmo assim, não existe fórmula pronta. "Os filhotes costumam aceitar outro animal com mais facilidade. Já os adultos dependem muito da personalidade. Tem gato que aceita rapidamente e tem gato que nunca vai criar esse vínculo."
Para o veterinário, a principal regra é não apressar o processo. "Nunca force a interação. O gato precisa sentir que tem controle da situação e associar cada experiência a algo positivo. É isso que faz diferença para criar um animal mais seguro, equilibrado e com uma convivência muito mais tranquila."


