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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

24/03/2012 07:53

Mordomos e caseiros

Por Célio Pezza (*)

O mordomo sempre foi o suspeito de crimes e armações mirabolantes, desde as histórias de Agatha Cristie e Conan Doyle. O famoso detetive Sherlock Holmes sempre concluía que ele era o culpado. Tanto é verdade, que ficou aquela ideia famosa de que o culpado é sempre o mordomo. Os tempos mudaram, mas o mordomo continua com a sua sina. Nas telenovelas ficaram conhecidos como aqueles que sabiam dos segredos de seus patrões e quando não eram os assassinos, eram os que acobertavam os verdadeiros assassinos ou aqueles que pagavam por crimes que não cometeram.

Da mesma forma, os caseiros ganharam sua fama como sendo os que sabiam das verdades que seus patrões não queriam ver reveladas. É só lembrar o caso do caseiro de um ex-ministro famoso. Na época, foi quebrado o sigilo bancário do caseiro e uma soma em sua conta foi mostrada como sendo uma propina para que ele denunciasse injustamente seu patrão. Mais tarde, foi provado que o caseiro não tinha nenhuma culpa, a não ser ter presenciado uma série de irregularidades e ter tido a ousadia de fazer uma denúncia contra seu amo.

Voltando ao tema central, os mordomos e caseiros são sempre culpados, pois é assim que funciona nas histórias de ficção e também em muitos casos na vida real. Na verdade, é interessante para celebridades, poderosos e donos de grandes fortunas, ter sempre a mão um mordomo ou um caseiro para levar a culpa quando necessário. Quando um filho menor de idade faz uma enorme besteira, nada melhor do que colocar o culpa no mordomo ou no caseiro.

Afinal, ele está lá para cuidar de tudo, inclusive para levar a culpa pelos deslizes de seus patrões.

Existem países, nos quais os verdadeiros assassinos vão para a cadeia, mesmo sendo menores de idade. A Inglaterra é um desses países e, aliás, é onde os mordomos e caseiros sempre foram mostrados como uma classe muito respeitada e de alto valor, inclusive cultural, pois até ensinam bons modos aos filhos mimados de seus patrões. Por outro lado, existem países onde a lei não é exatamente a mesma para todos e nestes países, os mordomos e caseiros que se cuidem, pois a chance de que paguem pelos crimes de seus patrões é muito alta. É só olhar os casos antigos sobre mordomos e caseiros que verão que tenho razão. Deixando o passado de lado, vamos prestar atenção nos novos casos, que são vários e estão na mídia. Pobre dos caseiros e mordomos, que vão continuar levando a culpa.

(*)Célio Pezza é escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, e o seu mais recente A Palavra Perdida. Saiba mais em www.celiopezza.com



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