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SETEMBRO, QUARTA  23    CAMPO GRANDE 18º

Na Íntegra

Entre hostilidades e entregas, Soraya aposta no mandato para ser reeleita

Única candidata, senadora fala sobre desconfiança por mudanças políticas e destaca conquistas no Congresso

Por Maristela Brunetto | 23/09/2026 11:06

RESUMO

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A senadora Soraya Thronicke (PSB) busca a reeleição ao Senado por Mato Grosso do Sul destacando sua atuação legislativa e a destinação de recursos aos municípios. Única mulher na disputa majoritária estadual, ela enfatiza pautas femininas e o combate à misoginia. A parlamentar relembrou sua trajetória desde a eleição em 2018, marcada por mudanças partidárias e postura de diálogo. Soraya também ressaltou sua participação em CPIs e a importância do equilíbrio entre os Poderes.

A senadora Soraya Thronicke (PSB), única mulher entre 10 candidatos ao Senado na disputa majoritária em Mato Grosso do Sul, afirma que tenta renovar o mandato de oito anos com base no que considera as principais marcas de sua atuação: aprovação de projetos, relatorias, recursos destinados aos municípios do Estado e defesa de pautas ligadas às mulheres.

Em entrevista ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News, Soraya relembrou a chegada à política em 2018, após movimentos nas ruas e na onda bolsonarista, classificando a vitória uma surpresa. Segundo ela, a candidatura nasceu da indignação com a política tradicional e da vontade de ocupar um espaço de maior visibilidade para defender ideias.

“A minha eleição foi uma grande surpresa. Quando eu aceitei o desafio, eu já tinha consciência de que não teria fundo partidário, não teria estrutura e que eu também não tenho um nicho no meio político”, afirmou.

A senadora disse que, ao longo do mandato, foi construindo novas visões sobre a política e o País. Isso repercutiu na sua trajetória partidária. A parlamentar deixou o PSL, mesmo partido que elegeu Jair Bolsonaro (PL) presidente, seguiu para o União Brasil, pelo qual concorreu à presidência da República, depois o Podemos e hoje está no PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), candidato à reeleição junto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Soraya aponta que no mandato conseguiu construir uma atuação legislativa que considera expressiva, citando leis de autoria e relatoria, além de projetos que passaram a ser ampliados para outras esferas de governo.


Eu me apaixonei demais pelas pessoas e eu consegui ver a realidade das pessoas ali na ponta. O tamanho do Brasil, eu consegui tomar consciência, consciência das diferenças, das igualdades. E isso hoje, para mim, é algo que eu não posso deixar tudo isso para trás. Há pessoas que dependem de mim, há causas que dependem de mim.”

Entre as atuações que considera marcantes no Senado,  ela menciona a Lei Bárbara Penna, a relatoria da Medida Provisória da Liberdade Econômica, a Caravana da Castração, o Prospera MS e a Universidade da Maturidade. “Eu consegui fazer um trabalho legislativo muito forte, conseguir trazer muitos recursos para Mato Grosso do Sul, desembaraçar recursos antigos que estavam bloqueados”, declarou.

Eleita na onda de renovação política associada ao combate à corrupção, Soraya afirmou que sua essência não mudou, mas que se afastou de parte do grupo político pelo qual foi eleita. Segundo ela, a mudança ocorreu após perceber divergências com integrantes da antiga base. A senadora citou nomes como Gustavo Bebianno, Julian Lemos e Luciano Bivar como pessoas que também teriam se afastado daquele grupo.

Ela afirmou ainda que passou a adotar uma postura de diálogo com diferentes campos políticos e que, após a eleição de 2022, em que concorreu à presidência, “desceu do palanque e foi trabalhar”. Questionada sobre a resistência que enfrentou ao longo do mandato, especialmente após mudanças de posicionamento político, Soraya afirmou que percebe redução da hostilidade e da desconfiança. “Cada dia vem diminuindo mais a hostilidade e a desconfiança comigo, pessoalmente. Porque eu tenho resposta para tudo, eu não fujo de nada”, declarou.

A senadora disse que desenvolveu resistência diante das críticas e que prefere manter uma postura de enfrentamento dos temas que considera importantes. “Não gosto de ser uma pessoa morna. O que eu estou vendo, eu quero falar, eu quero me expressar”, afirmou.

Única mulher na disputa pelo Senado

Na entrevista, Soraya também destacou o fato de ser a única mulher candidata ao Senado na disputa majoritária em Mato Grosso do Sul. Para ela, a presença feminina ainda é pequena nos espaços de decisão política. A senadora afirmou que a defesa das mulheres se tornou uma das principais bandeiras do mandato e citou sua atuação como relatora da lei que criminaliza a misoginia.

A mulherada vem tomando consciência ao longo desses últimos anos, infelizmente, pela dor, não pelo amor. Isso dói na gente. Então, eu passei a tratar isso de uma forma bastante clara, óbvia e escancarada, para que as próprias mulheres acordem. E eu acredito que estejam acordando, porque eu estou encontrando muitas e muitas mulheres que falaram, eu só vou votar em mulher."


CPI das Bets e atuação no Congresso

Ao falar sobre os principais momentos do mandato, Soraya destacou a CPI das Bets, que propôs e relatou no Senado. Segundo ela, apesar de o relatório final não ter sido aprovado por um voto, o trabalho resultou no encaminhamento de documentos para órgãos de investigação. “Eu indiciei 17 pessoas e propus 16 projetos de lei. E mesmo sendo rejeitado, ali foi uma apuração”, afirmou. A senadora também citou sua participação em outras comissões e debates, como as CPIs da Covid, do 8 de janeiro e do INSS, além de atuação em temas tributários.

A candidata aponta o esforço na captação de recursos no orçamento da União por meio de emendas aos municípios como um ativo importante que a sustenta durante o contato com eleitores na campanha pela reeleição. Essa abordagem municipalista também é citada por outros 2 candidatos ao Senado: o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) e o deputado federal Vander Loubet (PT).

Ela aponta ter buscado recursos para todas as cidades, independentemente da posição política das autoridades. Para além do apoio das lideranças políticas, ela considera que o importante é o reconhecimento pelo eleitor. "O eleitor não tem a tendência a te trair, como o meio político às vezes tem. Mas há pessoas no meio político de extremo valor, de extremo valor, de extrema coerência...Há prefeitos e prefeitas e vereadores e vereadoras que reconhecem. Se eu tenho três candidaturas ao Senado que levaram recurso para o município, eles têm falado: eu tenho esses três candidatos, você escolhe um desses três.”

 Próximo Senado e relação com o STF

Ao comentar o cenário nacional, Soraya afirmou que a próxima legislatura terá papel relevante diante da tensão entre os Poderes, em especial entre políticos e o STF. No sistema de freios e contrapesos que um poder tem em relação ao outro, ela manifestou preocupação sobre processos contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). “O Senado tem o poder de “impechar” ministros do STF. Mas isso depende de um julgamento sério, de acordo com apuração de crimes de responsabilidade”, afirmou.

Nas últimas semanas, têm sido divulgadas informações sobre supostas conexões de ministros da Corte com personagens do escândalo do Banco Master, resultando, inclusive, em acusações mútuas entre integrantes do Supremo, em uma exposição sem precedentes.

Eu não tive acesso a processo, mas o que vem vazando parece-me muito grave, muito grave. Mas não é por isso que nós vamos esquecer da instituição. Desmoralizar simplesmente e tirar o poder e a força de uma instituição como o Supremo. O Supremo é o que segura a nossa democracia, então as pessoas erram, mas os princípios e as instituições, elas devem ser perenes.”