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Política

Adriane relata violência política e reforça combate à violência contra mulheres

Na abertura do Agosto Lilás, prefeita anunciou novas ações e observatório municipal da mulher

Por Jhefferson Gamarra e Fernanda Palheta | 07/08/2026 12:21
Adriane relata violência política e reforça combate à violência contra mulheres
Prefeita de Campo Grande Adriane Lopes (PP) durante agenda na manhã desta sexta-feira (Foto: Juliano Almeida)

Campo Grande deu início, nesta sexta-feira (7), à programação oficial do Agosto Lilás, campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. A edição deste ano tem como marco os 20 anos da Lei Maria da Penha e foi aberta com o lançamento do calendário de atividades da Semu (Secretaria Executiva da Mulher), além da apresentação de novas iniciativas voltadas à prevenção da violência e ao fortalecimento da rede de proteção.

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Campo Grande iniciou nesta sexta-feira (7) o Agosto Lilás 2025, campanha que marca os 20 anos da Lei Maria da Penha. A prefeita Adriane Lopes destacou que a cidade foi a primeira do país a receber uma Casa da Mulher Brasileira e que mais de 3 mil mulheres foram atendidas em 2024. Entre as novidades, foi anunciado o Observatório Municipal da Mulher, que reunirá indicadores sobre violência de gênero e autonomia feminina para orientar políticas públicas.

Durante a cerimônia, realizada no auditório do Paço Municipal, a prefeita Adriane Lopes (PP) destacou que Campo Grande foi a primeira cidade do país a receber uma Casa da Mulher Brasileira justamente pelos elevados índices de violência contra as mulheres registrados há mais de uma década.

Segundo ela, a existência da estrutura demonstra a necessidade de políticas públicas permanentes para reduzir os casos de violência de gênero.

"Quando a gente tem a Casa da Mulher Brasileira em uma capital significa que nós precisamos dessa política pública bem desenvolvida para diminuir o índice de violência contra as mulheres", afirmou.

A prefeita ressaltou que, apenas no ano passado, mais de 3 mil mulheres foram atendidas por meio das ações desenvolvidas pela prefeitura em conjunto com diferentes secretarias municipais e com a rede de proteção.

Adriane afirmou que o diferencial da atual gestão foi integrar os serviços voltados às mulheres em um único sistema de atuação.

"A diferença é que cada secretaria trabalhava individualmente com políticas de prevenção ou de combate à violência contra as mulheres. Hoje existe um ecossistema criado para o avanço e a prevenção da violência contra as mulheres."

Adriane relata violência política e reforça combate à violência contra mulheres
Secretária executiva da Mulher, Angélica Fontanari ao lado da prefeita Adriane Lopes durante lançamento do Agosto Lilás (Foto: Fernanda Palheta)

Violência política - Durante o discurso, a prefeita também relacionou o tema da campanha à própria experiência como mulher na política.

Adriane lembrou que é a primeira mulher eleita prefeita de Campo Grande e afirmou sofrer violência política diariamente em razão do gênero.

"Os problemas da cidade acontecem em todas as gestões, mas só pelo fato de eu ser mulher eu sofro violência política diariamente."

Ela disse que pretende manter o fortalecimento das políticas públicas para mulheres e defendeu o trabalho conjunto entre município, Estado, instituições e sociedade.

"Não vou desistir. Nós queremos avançar não apenas diminuindo o índice de violência contra as mulheres na Capital, mas chegar ao objetivo de zerar esse tipo de violência. Isso só se faz construindo uma rede de apoio forte."

Observatório da Mulher - Uma das principais novidades anunciadas durante o lançamento do Agosto Lilás foi a criação do Observatório Municipal da Mulher, ferramenta que reunirá indicadores relacionados à violência de gênero, proteção social, empregabilidade e autonomia feminina.

A secretária executiva da Mulher, Angélica Fontanari, explicou que o observatório permitirá identificar com maior precisão onde estão os principais problemas e direcionar as políticas públicas para cada região da cidade.

"Por meio do observatório vamos levantar indicadores para sermos ainda mais assertivos nas ações colocadas em determinada região."

Segundo ela, o sistema acompanhará desde os registros de feminicídio até o percurso das mulheres atendidas pela rede municipal.

Entre os dados monitorados estarão o atendimento realizado nas unidades de saúde, os casos identificados pelos profissionais da rede pública, o acesso ao mercado de trabalho após o acolhimento e o acompanhamento para verificar se essas mulheres voltaram a sofrer violência.

"Nós precisamos levantar esses dados para justificar e trazer ainda mais eficiência aos nossos projetos."

De acordo com Angélica, o observatório contará com um painel de indicadores (BI), atualizado semanalmente, permitindo o acompanhamento permanente dos dados e da evolução das ações desenvolvidas pelo município.

Programação durante todo o mês - A secretária também apresentou o calendário oficial do Agosto Lilás, que ficará disponível por meio de QR Code para acesso da população.

Segundo ela, embora o enfrentamento à violência contra a mulher seja desenvolvido durante todo o ano, o mês de agosto concentra uma mobilização maior de conscientização e fortalecimento das políticas públicas.

"Nós trabalhamos com ações preventivas e de proteção às mulheres durante todo o ano. Em agosto nós reforçamos essas ações."

A programação inclui cursos, palestras, capacitações, lançamentos de projetos e atividades voltadas à autonomia econômica das mulheres, além da ampliação das ações do programa CG Delas.

Durante o evento, a secretária informou ainda que o ecossistema de programas da Semu passa a contar com mais duas iniciativas, ampliando o conjunto de projetos desenvolvidos pela pasta.

Campanha marca os 20 anos da Lei Maria da Penha - A campanha Agosto Lilás deste ano tem como tema os 20 anos da Lei Maria da Penha, considerada o principal instrumento legal de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar no Brasil.

Além das ações de conscientização, a prefeitura pretende intensificar atividades de prevenção nas escolas, por meio do projeto Meninos e Meninas Fortes, e ampliar iniciativas de qualificação profissional e geração de renda, buscando fortalecer a autonomia feminina e reduzir situações de vulnerabilidade.

Ao longo de agosto, as atividades serão realizadas em diferentes regiões de Campo Grande envolvendo órgãos municipais, instituições parceiras e integrantes da rede de proteção às mulheres.