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Política

Deputados gastam dois dias discutindo troca de Ministro da Saúde na Assembleia

Parlamentares levaram a discussão para a esfera política e mandaram recados para adversários de 2022

Por Gabriela Couto | 17/03/2021 12:56
Deputado Carlos Alberto David (sem partido) rebateu acusações da esquerda durante sessão desta quarta-feira (Foto Luciana Nassar)
Deputado Carlos Alberto David (sem partido) rebateu acusações da esquerda durante sessão desta quarta-feira (Foto Luciana Nassar)

Faltando 1 ano e 7 meses para as Eleições 2022 tem deputado estadual utilizando as sessões da Assembleia Legislativa fazendo palanque para os futuros presidenciáveis. É comum a bancada do PT criticar as ações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas durante a sessão desta quarta-feira (17) a discussão ganhou alfinetada e troca de farpas entre os parlamentares.

A situação começou ontem (16) quando Eduardo Rocha (MDB) propôs moção de apoio e repúdio a ex-futura Ministra da Saúde, Ludhmila Hajjar. O parlamentar queria apoiar a médica e repudiar os ataques que ela vinha sofrendo no final de semana. Houve um princípio de debate sobre a situação da gestão de Bolsonaro que foi amenizada com a proposição de trazer a discussão para esta quarta-feira.

Hoje, Eduardo Rocha (MDB) voltou ao tema e disse que estava feliz com a troca do Ministro da Saúde. “Torço para esse ministro novo,  Marcelo Queiroga , faça o que a ciência pede. Estamos em um estado de guerra. Eu não sou da esquerda não votei no Lula, e nem no Fernando Haddad. É porque eu estou falando, dá impressão que eu sou da esquerda. Eu sou do MDB”, pontuou.

O deputado estadual Carlos Alberto David (sem partido) aproveitou a oportunidade para enfatizar a politização do discurso. “Há muito esse discurso vem sido utilizado pela esquerda para colocar os rumos da pandemia nas costas do presidente do Bolsonaro. A responsabilidade não é só do ex-ministro Eduardo Pazuello. É de todos. Do presidente, do ministro, dos governadores, dos prefeitos. Percebo que a todo momento que a pessoa vai se referir ao aumento de casos, a super lotação das uteis, ele vem com aquela conversa mole “é o pessoal da gripizinha, é o negacionista”. Negacionista é quem tinha que ter criado melhores condições para atendimento da saúde e não fez isso.”

Segundo David, o “pessoal do PT” tem utilizado o pronunciamento todos os dias para falar coisas da ideologia da esquerda. “Tudo para criar uma narrativa para a população. Estarei atendo e vou rebater todas as vezes. Ninguém mais vai querer rebater discurso e colocar no colo do presidente Bolsonaro coisas que vem sendo feitas de forma errada lá atrás. E o pessoal que ficou sem o pirulito pra chupar agora fica requerendo tirar o presidente. Vão ter que ganhar nas urnas e não vem com presidiário não, que vamos tapar vocês de novo”, atacou David.

Com o áudio aberto, Pedro Kemp (PT) rebateu. “Fica difícil essa missão sua deputado. Defender o indefensável”. Na mesma hora David fez a tréplica. “Difícil de ver o fulano trancafiado”, disse aos risos.

Tentando apaziguar, Eduardo Rocha destacou que o discurso estava sendo feito para a pessoa errada. “O senhor está falando com a pessoa errada. Não é o Lula e nem o Bolsonaro. Lá na frente temos que ter alguém que tome as decisões certas”.

Em seguida David convocou o emedebista. “Prepara o candidato do MDB então que vamos ter grande satisfação de enfrentá-lo nas urnas”. O petista Kemp emendou. “Pede para ele trazer o pirulito”.

Com quase todos na sessão gargalhando, Evander Vendramini (PP) adicionou o seu partido na briga. “Vocês parem de brigar que o presidente vai ser progressista”.

Tentando justificar a discussão, David disse que se sentiu na obrigação de rebater acusações “sem pé e nem cabeça”. “E queira Deus que o MDB em 2022 possa estar do nosso lado para reeleger o presidente. Para encerrar, porque estou vendo que o presidente da Mesa Paulo Corrêa (PSDB) já está franzindo a testa. O momento é de salvar vidas. O novo ministro já está tomando todas as medidas. Estou otimista, mas tive que rebater as inverdades”, concluiu.

Paulo Corrêa fez questão de concordar. “Estou vendo. Ele já me conhece”. Mas o deputado José Almi (PT) fez questão de acrescentar sua opinião. “Nós do partido do PT nem um momento queremos o enfrentamento. Mas é chegada a hora que a vaca foi para o brejo. O PT vai voltar para o poder e não é por causa da covid e sim por uma série de incompetências cometidas por esse governo. A população que odiou o Lula, chamou de ladrão está vendo. Fiquem atentos deputados Coronel David e Capitão Renal Contar (PSL) que foram muito bem votados na eleição passada. O eleitor está de olho.”

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