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Política

Em Campo Grande, Renan Santos defende reforma fiscal e maior combate a facções

Presidenciável do Missão diz que partido não terá candidato ao governo de MS, apenas candidatos ao legislativo

Por Jhefferson Gamarra e Judson Marinho | 23/07/2026 18:53
Em Campo Grande, Renan Santos defende reforma fiscal e maior combate a facções
Renan Santos (Missão) durante coletiva de imprensa em Campo Grande (Foto: Paulo Francis)

Na última etapa da pré-campanha pelo Centro-Oeste, o candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, 42 anos, conhecido por ser um dos fundadores do MBL (Movimento Brasil Livre) escolheu Mato Grosso do Sul para reforçar um dos principais eixos de seu discurso: o enfrentamento ao crime organizado nas regiões de fronteira.

RESUMO

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Renan Santos, candidato à Presidência pelo partido Missão e cofundador do MBL, visitou Mato Grosso do Sul na última etapa de sua pré-campanha pelo Centro-Oeste. Em coletiva em Campo Grande, defendeu o uso das Forças Armadas na fronteira, prometeu manter o Bolsa Família para necessitados, propôs corte de R$ 3 trilhões em gastos públicos em dez anos e confirmou que o partido não disputará o governo estadual em 2026.

Em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (23), em um hotel no centro de Campo Grande, o presidenciável afirmou que o Estado ocupa posição estratégica no combate ao tráfico internacional de drogas, defendeu o emprego das Forças Armadas em áreas de fronteira, prometeu manter o Bolsa Família para quem considera realmente necessitado, anunciou um amplo programa de corte de gastos públicos e confirmou que a legenda não disputará o Governo de Mato Grosso do Sul em 2026.

Oficializado candidato pelo Missão na última segunda-feira (20), Renan encerra no Estado uma série de viagens pelos estados do Centro-Oeste, iniciada por Goiás e seguida por Mato Grosso. Segundo ele, a passagem faz parte dos últimos compromissos da pré-campanha antes do início oficial do período eleitoral, quando pretende retornar ao Estado para cumprir agenda mais intensa.

"Começamos por Goiás, passamos grandes aventuras agora no Mato Grosso e teremos também boas aventuras aqui. É um Estado que padece muito dos problemas de fronteira, envolvendo drogas e crime organizado. Não é culpa de vocês, é muito do fluxo que envolve essas questões de fronteira, mas vocês acabam sofrendo parte das consequências."

Renan afirmou que o roteiro da campanha tem como objetivo apresentar tanto os aspectos positivos quanto os desafios enfrentados pelos estados visitados.

"Vamos tratar dos problemas do Estado e também mostrar coisas legais que acontecem aqui, como fazemos na maior parte dos lugares que visitamos. Hoje temos nosso primeiro evento e a ideia é retornar quando a campanha estiver oficializada."

Fronteira e crime organizado dominam discurso - A segurança pública foi o tema mais explorado durante a coletiva. Questionado sobre quais medidas adotaria para combater as facções criminosas, Renan afirmou que o Brasil vive um cenário de guerra e que o Estado precisa assumir esse entendimento para reorganizar sua política de segurança.

Na avaliação do candidato, Mato Grosso do Sul integra uma das principais rotas do tráfico internacional de drogas.

"Boa parte da droga que entra pelo Mato Grosso do Sul passa pela famosa Rota Caipira e para no Porto de Santos, em São Paulo, onde ela é exportada pelo PCC. Ou seja, uma atividade multimilionária do PCC se inicia aqui."

Para enfrentar esse cenário, Renan afirmou que pretende ampliar a atuação das Forças Armadas na faixa de fronteira, fortalecer operações da Polícia Federal e integrar o trabalho das polícias militares estaduais.

"As Forças Armadas vão ter que atuar na fronteira, a Polícia Federal vai poder fazer grandes operações e as polícias militares estaduais vão atuar nos municípios, tanto aqui no Mato Grosso do Sul quanto em São Paulo, para destruir essas operações."

Entre as propostas apresentadas está também uma intervenção federal no Porto de Santos, considerado por ele peça central da logística utilizada pelo crime organizado.

"Toda essa linha que vai da fronteira até o Porto de Santos representa apenas uma das linhas da guerra que o Estado brasileiro vai ter que enfrentar contra o crime organizado."

Renan afirmou ainda que outras regiões do país exigirão estratégias específicas, citando o Ceará como exemplo.

"Se eu falar do Ceará, estamos falando da desocupação de municípios inteiros que hoje são dominados pelo Comando Vermelho."

Para isso, disse que pretende encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei inspirado no conceito do chamado Direito Penal do Inimigo, além de utilizar instrumentos constitucionais como GLO (Garantia da Lei e da Ordem) e Estado de Defesa em áreas dominadas por facções.

"Em alguns lugares vou colocar tanto o GLO quanto o Estado de Defesa, eventualmente em municípios ou até bairros, para que a polícia possa agir de maneira muito enfática. Quero que, no primeiro ano do governo, possamos dizer que o modelo atual do crime organizado foi destruído."

Em Campo Grande, Renan Santos defende reforma fiscal e maior combate a facções
Pré-candidato ao Planalto "pincelou" suas principais propostas caso eleito (Foto: Paulo Francis)

Na área social, Renan descartou o fim do Bolsa Família, tema frequentemente presente nos debates eleitorais, mas afirmou que pretende alterar a forma como o programa é executado.

"O Bolsa Família vai ser mantido, especialmente para as pessoas que precisam de verdade."

Segundo ele, o programa deve deixar de funcionar como política permanente para parte dos beneficiários e passar a oferecer mecanismos de inserção produtiva.

"A diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Quando 40% dos domicílios da região Nordeste utilizam o Bolsa Família, significa que a pobreza se tornou um método, inclusive político."

Como alternativa, o candidato defendeu a criação de frentes de trabalho em parceria com estados e municípios, especialmente em obras de infraestrutura.

"Se um homem jovem ou uma mulher jovem, especialmente sem filhos, aparecer no Cras para pedir Bolsa Família, antes de tudo será oferecido um formulário para participar de uma frente de trabalho."

Ele também criticou a possibilidade de ampliação do programa para pessoas solteiras. "Eu acho isso um absurdo, porque sai até do conceito de família."

Renan afirmou que pretende priorizar políticas voltadas aos trabalhadores e contribuintes.

"Hoje existe um brasileiro que paga a conta. O entregador, o metalúrgico, o pequeno agricultor. Essa pessoa está pagando imposto para sustentar não só a máquina pública, mas eventualmente outras pessoas. Eu vou olhar para essa pessoa."

Na economia, Renan afirmou que considera o cenário fiscal brasileiro o principal obstáculo ao crescimento econômico e disse que suas primeiras medidas estarão concentradas na redução dos gastos públicos.

Segundo ele, o país caminha para um cenário de dominância fiscal, em que a política de juros perde eficiência diante do crescimento das despesas públicas. "Para resolver isso, vamos precisar cortar muita despesa."

O presidenciável afirmou que o partido já protocolou uma proposta de emenda constitucional prevendo redução de R$ 3 trilhões em despesas ao longo de dez anos.

Além disso, defendeu uma nova reforma da Previdência, revisão das vinculações constitucionais de recursos para saúde e educação, desindexação de despesas obrigatórias e redução de privilégios do funcionalismo público e do Judiciário.

"Vamos mexer nos superprivilégios que existem no Judiciário e no alto funcionalismo, assim como nas muitas renúncias fiscais concedidas para grandes empresas."

Segundo ele, a implementação dessas medidas nos primeiros seis meses de governo abriria espaço para redução dos juros e retomada dos investimentos.

Infraestrutura e agronegócio - Renan relacionou a recuperação econômica ao fortalecimento da infraestrutura nacional, especialmente em estados produtores como Mato Grosso do Sul.

"Se houver reforma fiscal, queda dos juros e segurança jurídica, haverá investimento em massa em infraestrutura."

Entre as prioridades citadas estão a ampliação da malha ferroviária, melhorias em rodovias, infraestrutura portuária e expansão das redes de transmissão de energia elétrica.

O candidato também afirmou que pretende garantir segurança jurídica para grandes obras e criticou ações judiciais que, segundo ele, acabam paralisando projetos considerados estratégicos.

"Não pode um promotor ir para cima de uma obra essencial de infraestrutura. Isso gera insegurança e impede que investimentos internacionais venham para o Brasil."

Ele acrescentou que a redução dos gastos públicos também permitiria ampliar a oferta de crédito para o agronegócio.

"O agro precisa de financiamento. Financiamento depende de capital, e capital depende do governo gastar menos para abrir espaço ao investimento."

Missão não disputará o Governo de MS - Questionado sobre a participação do partido nas eleições estaduais, Renan confirmou que o Missão lançará candidatos a deputado, mas não disputará o Governo de Mato Grosso do Sul.

"Nós não vamos lançar candidato ao governo." Segundo ele, a decisão faz parte da estratégia de consolidação da legenda, criada recentemente. O presidenciável também não indicou se o partido vai reforçar o palanque de algum candidato no Estado.

"O partido é muito novo e tenho uma estratégia de marca. Se eu não tiver pessoas boas para determinada posição, não lançarei ninguém. Lançar por lançar é ruim para o partido e para o eleitor."

Agenda pelo Estado - Durante a permanência em Mato Grosso do Sul, o candidato informou que pretende visitar municípios da fronteira e do interior para registrar tanto experiências consideradas positivas quanto problemas enfrentados pela população.

"Vamos para a fronteira, para o interior, para lugares muito bonitos e também para lugares feios. Vamos mostrar potencialidades, conquistas econômicas, inovações, mas também problemas sociais."

Segundo ele, a questão da fronteira será o principal foco da agenda. "Acho que esse é um problema que atinge vocês diretamente."

Três primeiras medidas - Ao ser questionado sobre quais seriam suas três primeiras ações caso eleito presidente, Renan voltou a listar como prioridades a implementação da reforma fiscal, o combate ao crime organizado e a garantia de segurança jurídica para investimentos em infraestrutura.

Ele afirmou que pretende acompanhar pessoalmente as primeiras operações contra facções criminosas.

"Eu, como presidente da República, junto com meu vice e as lideranças das polícias militares, participarei das primeiras operações, tanto no Rio de Janeiro quanto no Ceará e aqui na fronteira do Mato Grosso do Sul, para mostrar aos policiais que eles não estarão abandonados."

Também afirmou que pretende mobilizar a Advocacia-Geral da União para defender judicialmente as ações do governo e evitar a paralisação de obras consideradas estratégicas.

"Se, depois da reforma fiscal e da queda dos juros, o dinheiro começar a entrar para investir em infraestrutura, haverá judicialização. E eu não vou permitir, porque estados como Mato Grosso do Sul precisam dessa infraestrutura para crescer."