Mandados, inteligência e fiscalização: como a PF atua para proteger as eleições
Polícia Federal prepara equipes para investigar irregularidades, enfrentar ameaças e apoiar a Justiça

Operação da Polícia Federal que cumpriu mandados de busca em Campo Grande nesta sexta-feira (25), para investigar suspeitas de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral, ocorre em meio ao planejamento das forças de segurança para as Eleições 2026.
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A chamada Operação Jogo Limpo apura possíveis movimentações financeiras relacionadas ao financiamento irregular de campanha e ao aliciamento de eleitores. Durante as diligências, os policiais apreenderam dinheiro em espécie, que será analisado para verificar origem e eventual destinação.
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O caso faz parte de uma das frentes de atuação da Polícia Federal durante o período eleitoral: a investigação de crimes que possam comprometer a liberdade de escolha do eleitor e a normalidade do processo.
Além da repressão a irregularidades, a PF prepara uma estrutura nacional para atuar durante o pleito, com ações de segurança, inteligência, combate a crimes cibernéticos, enfrentamento ao crime organizado e apoio operacional à Justiça Eleitoral.
Na quinta-feira (24), o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a Polícia Federal realizaram uma reunião de planejamento para alinhar as ações de segurança das eleições. O encontro reuniu integrantes da corporação responsáveis pelo planejamento operacional nos estados.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a atuação conjunta das instituições é necessária para garantir que o eleitor possa exercer o voto com segurança. “A democracia se fortalece quando a cidadã e o cidadão têm assegurado o direito de participar da vida pública em um ambiente de liberdade, respeito e segurança”, declarou.
Segundo o ministro, a PF terá papel na prevenção e apuração de crimes eleitorais, no combate à violência relacionada ao processo eleitoral e no enfrentamento de organizações criminosas que possam tentar interferir no livre exercício do voto.
“Cada eleição apresenta desafios próprios e o próximo pleito não será diferente”, afirmou Kassio, destacando também os impactos das novas tecnologias e da inteligência artificial na circulação de informações.
Apoio logístico - Além das investigações, a segurança das eleições envolve o deslocamento de eleitores, servidores da Justiça Eleitoral e materiais de votação.
Uma portaria conjunta assinada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, Tribunal Superior Eleitoral e Polícia Rodoviária Federal estabeleceu regras para atuação dos órgãos federais de segurança nos dias 4 e 25 de outubro, datas previstas para o primeiro e segundo turnos.
O objetivo é garantir a livre circulação dos eleitores e evitar situações que possam impedir ou dificultar o acesso aos locais de votação.
A PRF (Polícia Rodoviária Federal) deverá atuar no patrulhamento e na segurança das rodovias federais, mas as abordagens não poderão criar obstáculos indevidos ao deslocamento dos eleitores. A orientação é evitar bloqueios, retenções ou operações que comprometam o fluxo de pessoas, sem deixar de cumprir ações de prevenção e repressão de crimes.
Em casos de eventos climáticos extremos ou emergências, a corporação também poderá auxiliar no transporte de materiais eleitorais, deslocamento de equipes da Justiça Eleitoral e organização do trânsito.
“Para que o voto seja verdadeiramente livre é preciso que cada eleitora e eleitor possa chegar à seção com segurança, tranquilidade e confiança”, afirmou o presidente do TSE durante a assinatura da portaria.
Proteção de candidatos - Outra frente preparada pela PF é a proteção de candidatos à Presidência da República. Corporação estruturou uma operação nacional que poderá atender simultaneamente até dez candidaturas, com equipes especializadas em proteção, inteligência e logística.
A estrutura prevê até 458 servidores, além de veículos blindados, equipamentos antidrone, reconhecimento facial, monitoramento de ameaças digitais e equipes especializadas.
Essa proteção é definida conforme análise técnica de risco, considerando fatores como histórico de ameaças, locais de eventos, deslocamentos e características de cada agenda. A PF informou que os critérios serão aplicados de forma igualitária entre as candidaturas e que o efetivo destinado a cada equipe não será divulgado por questões de segurança.
Investigação e prevenção - Durante o período eleitoral, a PF também atua por meio das Delegacias de Defesa Institucional, unidades especializadas em apuração de crimes eleitorais, além das áreas de inteligência e combate a crimes digitais.
Entre as preocupações estão crimes como compra de votos, uso irregular de recursos de campanha, violência política, ataques virtuais e possíveis ações coordenadas por organizações criminosas.
O planejamento inclui ainda a atuação integrada com forças estaduais e municipais, por meio de reuniões e articulações antes das agendas eleitorais e dos dias de votação.
Com a aproximação do pleito, a atuação da PF deixa de ser apenas uma estrutura preparada para o dia da eleição e passa a acompanhar todo o ciclo eleitoral, desde a fiscalização das campanhas até a garantia de segurança para eleitores, candidatos e servidores envolvidos no processo.
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