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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

10/06/2013 18:56

Endividada, Santa Casa troca genérico por medicamento 12 vezes mais caro

Jéssica Benitez
Presidente da ABCG é o primeiro a ser ouvido pela CPI da Saúde (Foto: Cleber Gellio)Presidente da ABCG é o primeiro a ser ouvido pela CPI da Saúde (Foto: Cleber Gellio)

A primeira audiência feita pela CPI da Saúde, instalada na Assembleia Legislativa, teve a participação do presidente da ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande) mantenedora da Santa Casa, Wilson Teslenco. Entre as revelações sobre os problemas no maior hospital do Estado ele chamou a atenção dos deputados ao relatar que do dia para noite a junta interventora que estava à frente da unidade hospitalar trocou um medicamento genérico, que custava R$ 40 mil por trimestre, para uma marca 12 vezes mais cara.

“No último dia de administração, 16 de maio deste ano, a junta interventora assinou a troca de um medicamento genérico, com custo de R$ 40 mil a cada três meses, para outro que custava R$ 500 mil por trimestre”, contou. Ele explicou que quando o fato foi constatado pela nova direção do hospital, parte da mercadoria já havia sido entregue.

“Mas consegui impedir que o restante chegasse até nós, salvando R$ 1,6 milhão que seriam pagos pelo produto”, disse. Outra situação detectada pela nova gestão é a supercontratação. Segundo depoimento de Teslenco, muitos servidores do hospital não sabem qual função exercem. Há oito anos o quadro de funcionários apresentava 2 mil colaboradores, hoje esse número subiu para quase 3 mil.

Dentro desta estimativa ainda se inclui a supervalorização dos plantões que chegam a R$ 100 por hora. Além disso, desde outubro do ano passado, tributos federais foram recolhidos, porém deixaram de ser repassados à União acumulando dívida de R$ 18 milhões, somente neste caso. Mesmo sem tal pagamento a despesa da Santa Casa permaneceu a mesma nos primeiros meses de 2013.

Janeiro a receita da unidade foi de R$ 17,6 milhões contra despesa de R$ 22 milhões. Em fevereiro os mesmos R$ 17 milhões entraram, mas as dívidas somaram R$ 20,6 milhões. “Em nenhum momento houve preocupação em reduzir os gastos e somente no ano passado foram cotraídos 78 milhões em dívidas”, avaliou o presidente.

Para ele não só a conta bancária do hospital ficou defasada nos últimos anos, mas também o prédio onde os pacientes são abrigados. “Posso dizer que o imóvel está caindo aos pedaços. Existem ilhas de eficiência no hospital, mas no geral está caindo aos pedaços”, sentenciou ressaltando a situação se estende, ainda, aos aparelhos utilizados.

Antes o equipamento era próprio, mas durante a gestão da junta interventora, quase 100% foram sucateados e outros alugados para que o atendimento não fosse prejudicado. O cenário, porém, não se resume à Capital. A dívida de instituições filantrópicas relacionadas à saúde pública no Brasil chega a R$ 5 bilhões.

“E a Santa Casa não escapou disso”, lamentou. Na opinião de Teslenco a única solução que pode salvar o hospital é começar tudo do zero. “O que foi construído com o dinheiro da sociedade em 80 anos, foi consumido em dívidas nos últimos oito anos. Essa é a herança que recebemos”.

Para finalizar, ele pontuou quatro passos a serem tomados a partir de agora para recuperar a instituição.
Primeiro pagar os R$ 18 milhões em tributos federais atrasados que impedem que a unidade consiga obter a CND (Certidão Negativa de Débitos), documento exigido para repasse de verba federal. Segundo conseguir empréstimo para quitar tais débitos e, por fim, renegociar com o Município e com a União questões relacionadas à prestação de serviços.

CPI – Além da documentação levada por Teslenco à oitiva, com todos os números e dados ditos por ele, os integrantes da comissão parlamentar requisitaram também: O valor total dos repasses de verbas públicas nos últimos anos. Todos os processos de compra que a Santa Casa fez neste período.

Contratualização do hospital. Conta de tributos como água e luz. Relatório sobre a redução de leitos e fechamento da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) também dos últimos anos. Folha de pagamento dos funcionários e contratações ano a ano. E folha de pagamento do quadro de médicos do hospital.

Denúncia - Segundo o presidente da CPI, deputado estadual Amarildo Cruz (PT), dentre as denúncias que chegaram à comissão através do e-mail disponibilizado à população, está o relato de que a Santa Casa, em determinado período, teria virado um verdadeiro “comitê eleitoral”.

“Aqui a pessoa cita nomes de vereadores, deputados federais, prefeitos e tudo mais”, revelou. Todas as informações recebidas serão averiguadas pelos parlamentares, tanto as que chegam pela internet, quanto as que são relatadas pelos depoentes.



Nesse angu tem caroço!!!
 
Anderson Silva em 11/06/2013 10:01:08
Esta corrupção, virou uma metástase que ninguém consegue extirpar, mas o antidoto seria conseguir um administrador que goste do Brasil e do povo brasileiro; são um bando de corrupto, o que parece é: que no Brasil criou-se um "PROPINODUTO" drenado os esforços da sociedade de bem para o bolso do inescrupulosos e privilegiados, porque agem na certeza que as instituições são incapazes de alcançá-los e prende-los.
 
Gilson de Almeida em 11/06/2013 08:13:11
UMA IDÉIA GENIOSA E HONESTA, QUE TAL COLOCAR COMO ADMINISTRADOR UM DELEGADO DA POLICIA CIVIL OU FEDERAL NA SANTA CASA, TODO ANO É A MESMA COISA, A NOTICIA NÃO MUDA, SÓ GENTE METENDO A MÃO NO DINHEIRO PUBLICO, E COMO CONSEQUÊNCIA, PESSOAS MORRENDO NOS HOSPITAIS.
 
WILLERSON DOS SANTOS ZAMPIERI em 11/06/2013 07:25:58
e ainda tem o absurdo das pessoas doarem sangue e a sta casa cobrar até trezentos reais por essa bolsa de sangue,,,,isso é caso de polícia.minha sogra fez uma cirurgia e no final das contas foi cobrado dela duas bolsas que ela precisou de transfusão,,,é por isso que eu não sou doador.
 
Nilvan França em 10/06/2013 23:53:30
O problema da SANTA CASA não é falta de recurso é falta de polícia não vai adiantar nada essa CPI os deputados vão descobrir que muita gente meteu a mão ninguém vai preso ninguém perde o que pegou e vai ficar por isso mesmo como sempre.
 
joao braz em 10/06/2013 22:34:10
"Sempre se ouvirão vozes em discordância,
Expressando opinião, sem apresentar alternativa,
Descobrindo o errado e nunca o certo,
Encontrando escuridão em toda a parte;
E procurando exercer influência, sem aceitar responsabilidades"
(John Fitzgerald Kennedy)

Alguém já viu ou ouviu da boca das milhares e milhares de pessoas salvas e bem atendidas na Santa Casa, alguma palavra de gratidão?
Não!
Tudo que se faz de bom, não aparece na imprensa...!
Dr. Arnóbio Luiz L. Nunes - CBMF- Membro Benemérito da ABCG
 
arnobio luiz em 10/06/2013 21:13:45
Mais uma vez, a comunidade pagando as contas de uma minoria corrupta. Os culpados têm que ser punidos, perdendo cargos, se médicos, perder o exercício da profissão; para sentirem na pele o que é realmente trabalhar e não conseguir fechar as contas no final do mês.
 
José Abreu Sanches em 10/06/2013 19:53:51
Fui presidente do Sindicato de Enfermagem e na época a Santa Casa era administrada pela Sociedade Beneficente, sabia o quanto era difícil para eles administrarem os poucos recursos que eram repassados pelo SUS, mesmo assim nunca omitimos nossa luta por melhores salários e condições de trabalho. Quando a gestão "Tripartite" assumiu a direção sob a tutela do poder judiciário, pensei comigo será a solução para resolver as questões dos trabalhadores. Após 8 anos desta gestão o que estamos vendo, uma gestão falida, endividamento, salários dos TRABALHADORES que carregam o hospital achatados, em detrimento de outros com supersalários, cargos criados a esmo uma vergonha o que esta gestão publica fez com a nossa SANTA CASA.
 
Paulo Cezar Machado em 10/06/2013 19:35:39
Fui presidente do Sindicato de Enfermagem da época em que a administração da Santa Casa era da Sociedade Beneficente e sei o quanto era difícil para eles administrarem os poucos recursos que eram repassados pelos SUS, mesmo assim diversas manifestações fizemos em busca de melhores salários e condições de trabalho. A gestão publica "tripartite" assumiu a direção do hospital e pensei comigo será a solução para resolver a questão das dividas e das reivindicações dos trabalhadores. E hoje após 8 anos desta GESTÃO PUBLICA estamos vendo que a situação fez foi piorar, os verdadeiros TRABALHADORES que carregam o hospital com os salários achatados, condições péssimas e endividamento milionário do hospital. É uma vergonha o que os administradores públicos fizeram com a nossa SANTA CASA.
 
paulo machado em 10/06/2013 19:27:41
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