A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

21/10/2013 20:04

Erro de Bernal foi “parar” cidade e não exorcizar “fantasmas”, diz cientista

Zemil Rocha
Cientista político Eron Brum também culpa eleitores pela situação de Bernal (Foto: arquivo)Cientista político Eron Brum também culpa eleitores pela situação de Bernal (Foto: arquivo)

O cientista político, jornalista e escritor Eron Brum, professor aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), considera que o principal equívoco cometido pelo prefeito Alcides Bernal (PP), que vive a iminência de afastamento e cassação do mandato, foi ter paralisado a cidade ao constatar irregularidades deixadas pela gestão passada, de Nelsinho Trad (PMDB).

“Campo Grande é uma cidade rica, com uma arrecadação muito boa, que ficou amarrada. Ele (o prefeito) paralisou a cidade por falta de habilidade. Poderia chegar e ser um coordenador, um gerente, mas ficou muito tempo olhando para o passado, vendo fantasmas”, analisou Eron Brum.

O que está acontecendo com Bernal, na Capital, segundo Eron, já ocorreu este ano em vários municípios. “Ele pensa igual aos outros políticos e quem sofre é a cidade. Estamos vendo uma cidade paralisada e agora com a Comissão Processante vai parar mais ainda.Ele infelizmente não teve habilidade ou percepção de que a cidade espera um grande gerente, com competência”, afirmou Brum, que está preparando mais um livro, desta vez sobre a imigração japonesa em Campo Grande.

Para Eron, Bernal perdeu muito tempo ficando de olho nos erros do passado. “A preocupação dele era o fantasma do governo anterior, as obras superfaturadas. Suspendeu algumas delas, como o prolongamento do Rita Vieira até as Moreninhas, que hoje só uma saída, que é pela Av. Gury Marques. Também parou a da Guaicurus, que tinha verba aprovada do governo passado, que vai de sul a sudeste da cidade. Teve também a questão da licitação da coleta de lixo. Estava errado não, agiu certo. Se tem coisa errada, tem de fazer levantamento e denunciar, mas não podia paralisar e deixar a cidade na situação que ficou”, criticou. “Se acionasse o Ministério Público e a Justiça, se comprovada a irregularidade paralisaria a obra com apoio da população”, acrescentou. “Foi inábil”, sentenciou.

Bernal também falhou, politicamente, na opinião de Eron Brum, em desprezar aliados políticos, como o PSDB. “PT e PSDB também se distanciaram. O PSDB foi ignorado na formação do governo, o que gerou mais crise e resultou na expulsão do secretário José Chadid”, disse.

PMDB em vantagem – Na avaliação do cientista político, o PMDB deve ser o partido mais beneficiado com o fracasso administrativo do prefeito Alcides Bernal. “O PMDB tentará obter vantagem e vai obter”, previu Eron Brum. “A derrota do Bernal vai beneficiar o PMDB”, emendou.

Para Eron, o Poder Municipal sempre influencia em qualquer eleição. “Aqui tem os problemas. Você vota de acordo com seus governantes”, avaliou o cientista, considerando, porém, que a influência é muito mais para a disputa pelo governo estadual do que para a Presidência da República.

Outro aspecto a ser considerado, segundo Brum, é o fato de que a possibilidade de cassação do prefeito Alcides Bernal não está isolado do que vem acontecendo em Mato Grosso do Sul no plano judicial. “Mato Grosso do Sul foi o Estado campeão de cassações de prefeitos no País. É o Estado que mais cassou. O presidente do TRE, Josué de Oliveira, deu uma lição de como se conduz processo político eleitoral. Nunca tivemos tantos prefeitos cassados”, constatou.

A Comissão Processante, recém-criada pela Câmara de Campo Grande por 21 votos a oito, para Eron Brum, veio “em boa hora” para se esclarecerem as acusações apontadas pela CPI da Inadimplência. ”Não se encontra nada de concreto para dizer aqui tem roubo, mas existem dados a serem esclarecidos. Os próprios empresários às vezes fazem acordos. Isso é uma caixa preta”, salientou.

Culpa dos eleitores – Embora destaque a ineficiência política de Bernal, como geradora da crise política, Eron Brum acredita que parte da culpa cabe aos eleitores. “Os cidadãos só se mobilizam no período eleitoral e depois ignoram os acontecimentos políticos. Nós eleitores somos absolutamente ausentes do processo político”, apontou.

A delegação de poder, através do voto, sem cobrança posterior, para Eron, é um grave problema do sistema político. “Delegamos aos representantes e não cobramos, não participamos do processo.Somos parcialmente culpados de tudo isso”, afirmou o professor.

Para ele,o sistema político brasileiro é “arcaico” e precisa de mudanças profundas. “Não é por acaso que os partidos e nossos políticos aparecem lá no fundo do poço em matéria de credibilidade. Parece que não nos identificamos com o político. Isso é grave, porque a vida de todos nós passa pela política, principalmente pela Câmara Municipal, pois o que realmente existe é a cidade. Estado e país são figuras jurídicas, legais”, argumentou. “Do seu solo que é extraída riqueza, há produção, o comércio. A vida do processo político está no âmbito local”, destacou.

Eron Brun avalia como “lamentável que esse processo se repita sempre que se elege alguém da oposição para governar”, visto que há arraigados interesses sendo contrariados. “Quando é eleito o do mesmo partido nada acontece”, observou.

A solução, para Eron, seria uma “reforma profunda no sistema político-eleitoral”, que atacasse as bases dos problemas. “Não está que está aí e que é adereço. As manifestação de rua pediram isso, os políticos acordaram, mas a resposta é pífia. Tinha de ter voto distrital, financiamento público de campanha”, apontou o cientista.

Hoje o País tem 32 partidos políticos, o que Eron considera ser um exagero. “E tem mais 38 esperando aprovação. Isso é uma farra do dinheiro público, já que o fundo partidário sai do nosso bolso. Se todos forem aprovados em alguns anos teremos 70 partidos no País”, afirmou. “Não são partidos, são siglas de aluguel. Pendem para um lado ou outro a cada eleição. O programa partidário parece que um é copiado do outro”, finalizou.

 



Interessante a alusão de que o prefeito atual ficou olhando pelo retrovisor e esqueceu a cidade.Mas acho que esqueceram de dizer que ele (o prefeito atual) não estava olhando retrovisor, mas sim dentro do veículo, pois o Bernal não era para ser o motorista, porque os passageiros desse carro, ou seja, Campo Grande_ é a Câmara, os empresários que estavam c contratos assinados, os políticos do "já vencemos"(PMDB e seus parceiros), esperando o "cara", os mais amado, o homem do asfalto, o ilustre motorista, Girot....,mas a Burra população votou no Bernal, que tragédia!!!E agora???Vamos a caça às bruxas, mas qual?? do PP ou do PMDB???...
 
willian oliveira em 22/10/2013 19:32:59
então Eron, quer dizer que corrupção é comum? quem administrou anteriormente aprontou e não vai pagar?
 
ivar guilherme zanette em 22/10/2013 11:16:00
Brilhante, falou apenas a verdade, pois quando temos conhecimento do assunto podemos falar e nesse caso, falou com propriedade, parabéns professor!
Campo Grande não merece esse caos total!
 
Divina Lemos em 22/10/2013 10:41:46
Por tanta ignorância e pelos sapientes opinionistas, ...que tem solução pra tudo, ...é que temos essa política ditatorial, onde não se aceita outro que não seja da mesma corrutela; é muito fácil dar paulada numa pessoa, mas estender a mão pra entender o problema e ajudar resolver o que ja vem errado, ninguém quer. O Bernal foi eleito pela maioria, população de renda baixa por isso incomoda o clero. " O povo tem o político que merece, por tanto esquema, onde oportunistas querem se beneficiar, atrás de um jogo político
 
clayton Pereira em 22/10/2013 10:16:33
grande analise mestre, é isso que precisamos para entender a situação.
 
celso chaves em 22/10/2013 09:55:09
parabéns eron pela excelente avaliação, mas acho q esse incompetente administrador publico, ficou olhando no retrovisor, e esta afundando a nossa capital.
 
joao bosco em 22/10/2013 09:26:26
Excelente análise. A população fez bem em tirar do poder o PMDB, que já estava há tempo demais na prefeitura. O problema foi ter colocado alguém sem competência gerencial, um "aventureiro". Agora quem sofre é a cidade, infelizmente.
 
Ricardo Farias em 22/10/2013 09:25:48
Grande professor Sr. Eron.
 
Edinalva Garcia em 22/10/2013 09:25:41
O sr cientista está totalmente correto e esqueceu de dizer que o sr prefeito além de ser extremamente arrogante ainda tem personalidade bi-polar. Quanto a querer exorcizar o PMDB para começar uma nova administração concordo totalmente com ele. Onde já se viu (eu nunca tive notícia igual em toda minha vida) o grupo que está saindo firmar contratos de 20 anos no apagar das luzes. Só isso já monstra como o grupo do carcamano é bandido até os ossos.
 
Carlos Roberto em 22/10/2013 07:36:07
Concordo com quase tudo, menos a parte de contratos irregulares, ate pq ele nao conseguiu cancelar nenhum, só fez pressão com o calote para falir a maioria das empresas e, como sempre, contratar em regime de urgencia, ainda sim superfaturado.
 
Thiago Wormsbecher em 21/10/2013 23:34:25
parabens eron brum. agora voce falou tudo. e esse puxao de orelha que o nosso prefeito precisava. e os grandes partidos que so querem derrubar o nosso prefeito, cuidado com o peso da mao de deus. ele esta de olho.
 
juliano ferreira em 21/10/2013 20:26:47
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions