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Política

Miranda se diz surpreso, nega irregularidade no Dnit e entrega futuro a Deus

Por Aline dos Santos | 02/01/2012 19:02

Ele afirma que não pretende recorrer da decisão do ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos.

Demitido, Marcelo Miranda nega irregularidades no comando do Dnit. (Foto: Marcelo Victor/Arquivo)
Demitido, Marcelo Miranda nega irregularidades no comando do Dnit. (Foto: Marcelo Victor/Arquivo)

Demitido da superintendência do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) em Mato Grosso do Sul, Marcelo Miranda Soares se disse surpreso com o resultado do processo disciplinar, que resultou na queda do cargo que ocupava desde 2003.

“Esse processo começou em 2006 e foi discutido por três comissões, mas nunca encontraram nenhum tipo de irregularidade. Agora, houve indicação para a substituição dos cargos”, afirma. Além dele, foram demitidos Guilherme Alcântara de Carvalho, o segundo na hierarquia regional do Dnit, e Carlos Roberto Milhorim, chefe do órgão federal em Dourados. Miranda enfatiza que não houve irregularidades

Quanto à demissão, ele afirma já estar ciente nas últimas semanas. “Falaram que ia sair na quarta-feira, mas publicaram hoje”. Ele diz que não pretende recorrer da decisão do ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos.

Conforme a portaria, Miranda desrespeitou dois artigos da lei sobre deveres dos servidores públicos federais: observar as normas legais e regulamentares; e levar ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo.

“Transmiti todas as informações ao diretor-geral, que na época era o Mauro Barbosa”, afirma Miranda. Segundo ele, surgiram denúncias porque o filho de Milhorim trabalhava na empresa que fazia fiscalização da obra. “Mas isso não quer dizer que estava fazendo alguma coisa de errada. O filho dele passou no concurso em terceiro lugar e hoje trabalha no Dnit”, relata.

Em 2006, Milhorim foi acusado de chefiar um esquema de desvio de verbas públicas. A PF (Polícia Federal) apreendeu documentos na sede do órgão federal em Dourados. Uma empresa contratada para operações tapa-buraco funcionava dentro do Dnit.

Marcelo Miranda conta que já esvaziou as gavetas e que ainda não se decidiu sobre os próximos passos. “Deus é quem sabe”. Conforme a assessoria de imprensa do ministério, deve ser nomeado em breve e de forma interina um novo superintendente no Estado.

Denúncias – Neste ano, o TCU (Tribunal de Contas da União) apontou problemas em obras de recuperação em 50 quilômetros da BR-163: fiscalização ou supervisão deficiente ou omissa nas obras; execução de serviços com qualidade deficiente e projeto executivo deficiente ou desatualizado.

O mesmo tipo de problema foi apontado nos serviços efetuados na BR-267, num trecho inicial de 62 quilômetros da rodovia. À época, Marcelo Miranda considerou as denúncias velhas.

Em dezembro, o MPF (Ministério Público Federal) identificou sobrepreço de R$ 216 mil em obras realizadas em três trechos da BR-262, que liga Corumbá, na fronteira com a Bolívia, ao resto do País.

As denúncias ganharam fôlego em julho, após a queda do então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Na ocasião, a classe política defendeu a permanência de Miranda a frente do Dnit.

Expulso do governo – Em 1991, Marcelo Miranda foi praticamente posto para fora do governo de Mato Grosso do Sul. “Já era o fim do mandato e o governo entrou em colapso financeiro. Não tinha como pagar os servidores. A dívida era assustadora”, recorda o historiador Hildebrando Campestrini.

Sem receber, os servidores passaram as últimas semanas do mandato de Miranda acampados na Governadoria. Os salários foram pagos quando Pedro Pedrossian assumiu o governo e fez um empréstimo. Por ter sido governador, ele recebe pensão vitalícia. Miranda também foi prefeito de Campo Grande e senador.

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