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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

27/10/2015 16:54

Índio diz que Cimi só acompanha e não articula invasões de terras

Ricardo Campos Jr. e Michel Faustino
CPI do Cimi ouve quatro pessoas na tarde desta terça (Foto: Michel Faustino)CPI do Cimi ouve quatro pessoas na tarde desta terça (Foto: Michel Faustino)

O terena Dionedson Cândido afirmou, em depoimento aos deputados da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Cimi, que a entidade, assim como outros movimentos sociais, não interfere nas decisões dos povos tradicionais e acompanha reuniões e momentos de conflito quando é requisitada pelas tribos. Ele foi o primeiro a ser ouvido pelos parlamentares nesta terça-feira (27) e outras três pessoas ainda devem ocupar a tribuna durante a tarde.

Em alguns momentos, a testemunha entrou em contradição, ao afirmar que desconhecia o trabalho realizado pelo Conselho Indigenista Missionário.

Cândido é o autor de um vídeo apresentado no plenário pelo fazendeiro Ricardo Bacha durante depoimento à comissão. O terena afirma que as imagens foram editadas e levou o que diz ser a versão original, mostrando um fotógrafo do Cimi tendo os equipamentos confiscados pela PF (Polícia Federal).

A gravação foi feita durante a polêmica e violenta reintegração de posse na Fazenda Buriti. Nela, os agentes questionam a presença dele na área.

De acordo com a liderança indígena, a presença do conselho em situações críticas serve para conferir maior segurança às tribos, pois elas acreditam que se as reintegrações forem acompanhadas pelas entidades, as chances de ações truculentas são reduzidas.

O deputado Paulo Corrêa (PR) perguntou a Cândido o que ele estava fazendo na região de Sidrolândia, já que mora na Aldeia Bananal, em Aquidauana. O terena diz ter sido convidado pelos companheiros.

A testemunha estava acompanhada pelo advogado Ilmar Granja Fonseca, que interveio em algumas respostas e teve a atenção chamada pelos parlamentares, que ameaçaram expulsá-lo do plenário se voltasse a se intrometer.

Segredos – O casal Inocêncio e Cacilda Pereira foram os próximos na lista de depoimentos. Eles afirmam ser contrários às ações do Cimi e pediram para que as declarações deles à comissão fossem feitas sob sigilo. O motivo do pedido foi a pouca fluência no português.

Como esse tipo de solicitação está previsto no regimento dos trabalhos, o plenário foi esvaziado.

Também deve ser ouvido o delegado Alcídio de Souza Araújo, da Polícia Federal. Ele conduziu a ação de reintegração de posse da fazenda Buriti, em Sidrolândia, no ano de 2013. A desocupação foi marcada pela morte do índio terena Oziel Gabriel.

A CPI do Cimi tem a deputada Mara Caseiro (PT do B) como presidente, Paulo Corrêa (PR) na função de relator e Marquinhos Trad (PMDB) de vice-presidente. Pedro Kemp (PT) e Onevan de Matos (PSDB) completam o grupo de trabalho como membros. A Assembleia Legislativa também terá comissão para apurar a morte de indígenas.

O conflito fundiário, que ganha status de tradicional ao se arrastar por décadas no Estado, se acirrou nos últimos meses. Em agosto, Semião Fernandes Vilhalva, 24 anos, foi morto no município de Antônio João, onde estão em disputa 10 mil hectares na faixa de fronteira com o Paraguai.



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