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Política

Mandetta desconversa sobre candidatura, mas comandará debate do DEM rumo a 2022

O ex-ministro diz que teve uma "DR" e resolveu impasses com o presidente nacional do partido

Por Gabriela Couto | 03/03/2021 16:23
Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em entrevista quando ainda era ministro. (Foto: Jose Cruz/Agência Brasil)
Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em entrevista quando ainda era ministro. (Foto: Jose Cruz/Agência Brasil)

“Nada como uma DR (discutir a relação)”, resumiu o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM) que agora está com a missão de encabeçar as conversas com outros partidos para definir um nome para as eleições de 2022. Apesar de cotado para briga pela presidência, ele desconversa.

Na noite desta terça-feira (02) ele e o presidente nacional do partido, Antônio Carlos Magalhães Neto protagonizaram uma live para falar sobre a pandemia do coronavírus que completou um ano. Além de fazerem duras críticas ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), os dois tentaram mostraram ao País que o DEM agora está em harmonia para discutir 2022.

Live para tratar da pandemia realizada ontem mostrou sintonia entre ACM Neto e Mandetta - (Foto Reprodução)
Live para tratar da pandemia realizada ontem mostrou sintonia entre ACM Neto e Mandetta - (Foto Reprodução)

Mandetta e ACM Neto discutiram publicamente há algumas semanas, após o presidente do DEM falar em possibilidade de aliança para reeleição de Bolsonaro. Mas ontem,  sem mencionarem questões políticas e planos para 2022, Mandetta encerrou a live com um recado. “Nos seus próximos projetos e caminhos, pode ter certeza que eu vou estar junto. Nós vamos caminhar um bom trecho dessa Bahia para conversar com esse povo baiano”, finalizou.

Hoje, em entrevista exclusiva ao Campo Grande News, Mandetta disse que faz parte da essência dele não gostar de ficar fazendo grandes mudanças na vida. “Sou casado há mais de 30 anos, moro no mesmo lugar também há mais de três décadas e partido é assim mesmo. Tem horas que a gente se estressa, mas o que vale são os valores, a amizade, o respeito. E é como um casamento. Nada como uma DR para depois ficar tudo certo.”

Ele não assumiu o papel de pré-candidato. De acordo com ex-ministro, o que o DEM tem que fazer agora é debater os desafios para o Brasil na próxima década após a pandemia da Covid-19. “As eleições de 2022 passam antes por 2021. Vai ser um dia atrás do outro. A pandemia é uma crise humanitária, de saúde e está potencializada pela política. Se não cuidarmos disso agora não estaremos cumprindo nosso papel. No final desse processo de discussões com outros partidos, escolas, igrejas e imprensa para sair dessa crise é que o DEM vai ter um nome, sempre procurando a união e a atuação republicana nos Estados.”

Para ele, até lá nomes vão continuar surgindo, como o do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro e do apresentador de televisão Luciano Huck. “Eles vão aparecer e isso vai acontecer naturalmente. Se a pessoa tem as condições para se candidatar, deve participar. Sou a favor de ter os vários olhares sobre o Brasil. Isso é um caleidoscópio, não pode existir essa coisa maniqueísta como querem fazer com a gente de ter apenas dois lados.”

Mandetta ressalta a atuação do presidente da república. “O Bolsonaro vive de polarização e eles manipulam algoritmos dessa polarização burra. Isso só causa violência e o Brasil só vai se resolver com diálogo. Somos uma liga nacional. Não dá para apostar em um caminho de conflito e agressão entre um e outro.”

Regional – A Executiva do DEM de Mato Grosso do Sul foi mantida para os próximos 60 dias de forma provisória. A reportagem entrou em contato com o presidente em exercício, José Saraiva Braz, mas ele estava em viagem e a secretaria geral do partido afirmou que o posicionamento regional sobre o nome de Mandetta para 2022 deve ser dado pela Ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

Mandetta disse que não houve ainda esse diálogo. “Não discuti o Mato Grosso do Sul com o partido. A conversa que tive com ACM Neto foi referente a questão minha com a nacional. Mas vai chegar uma hora que vai ter que discutir a regional e acho que quando a Tereza se sentir mais a vontade e decidir conversar vamos tratar do assunto. Ela é uma pessoa extraordinária”, concluiu.

 Rotina – Desde que saiu do Ministério da Saúde, em abril de 2020, Mandetta tem tido uma rotina bastante diversificada. O médico ortopedista continua atendendo pacientes e realizado cirurgias ortopédicas sempre que consegue uma agenda compatível com a dos hospitais que realizam procedimentos eletivos.

Como é da área de saúde, aos 56 anos, o democrata já tomou a primeira dose da vacina contra a Covid-19 e tem participado de reuniões com entidades internacionais a convite para debater a pandemia. “Participo de diálogos com sistemas de saúde do mundo todo. A coisa virou toda para o computador e para mim tanto faz estar em Campo Grande, Brasília, São Paulo. A distância não impede.”

Também não faltam conselhos para políticos que estão com mandato. Mesmo após ter saída da pasta do governo federal, vários governadores e prefeitos se reúnem de forma virtual com Mandetta. “Eles pedem ajuda para calcular medicamentos, equipes, são orientações que o Ministério da Saúde não sabe mais dar, porque desmontou a parte técnica que fazia isso. E agora cada pessoa tenta fazer com aquilo que tem e eu não me furto a ajudar.”

Quando sobra tempo, o médico se torna marceneiro. Ele cresceu em meio a oficina de marcenaria do tio e faz algumas peças como hobby na Fazenda. “É como se fosse o mesmo ambiente das cirurgias ortopédicas, com as ferramentas. Recentemente fiz uma mesa e passei verniz de um lado. No lado fosco fiz uma cuia de tereré. Agora não sei que lado vou usar”, brincou.

Previsões  - Mandetta acredita que o cenário crítico como o de Manaus deve se repetir em todo o País. “Serão epidemias em paralelo e no Mato Grosso do Sul isso está começando. Já nos estados do sul estão com espiral de casos muito alta. Mas vejo que não precisávamos estar passando por tudo isso.”

O ex-ministro elencou que todos os problemas da pandemia nasceram de uma decisão política que desencadearam a atual crise no país. “Acredito que gradativamente a população vai se vacinar e que o número de doses vai aumentar nos próximos dois meses para que então começamos a sair dessa situação.”


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