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Política

MS assina carta que aponta retrocesso ambiental em projetos na Câmara

Mudança em demarcações e mineração em terras indígenas estão entre as propostas atacadas no texto

Por Nyelder Rodrigues | 23/06/2021 15:40
Trecho de rio em Bonito, um dos principais pontos turísticos e paraísos no meio ambiente sul-mato-grossense (Foto: Divulgação/Fundtur))
Trecho de rio em Bonito, um dos principais pontos turísticos e paraísos no meio ambiente sul-mato-grossense (Foto: Divulgação/Fundtur))

Vários empresários, artistas e personalidades assinam carta enviada ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), cobrando o veto a três projetos de lei que foram propostos na Casa e que, segundo o texto do grupo, devem arranhar ainda mais a imagem internacional do país e causar retrocesso ambiental.

Entre as assinaturas estão nomes como o do ex-presidente do grupo gaúcho de comunicação RBS, Nelson Sirotsky, o cineasta Fernando Meirelles, a atriz Christiane Torloni, o ex-presidente do Itaú, Cândido Bracher, e o atual presidente do Credit Suisse, José Olympio da Veiga Pereira. Ao todo, são 150 nomes na lista.

Representante sul-mato-grossense, também aparece na relação o diretor-presidente da Fundtur (Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul), Bruno Wendling. "Estamos vivendo a maior crise hídrica do século. O racionamento de água já é uma realidade em várias regiões", diz trecho da carta entregue ao líder da Câmara.

"A falta de chuvas está afetando profundamente os níveis dos reservatórios, fazendo com que a tarifa de energia elétrica aumente consideravelmente. Esse aumento será repassado ao seu custo de produção. Seus produtos ficarão mais caros, o que afetará suas margens e seu faturamento", indica outro trecho, em que cria um diálogo com produtores.

Mesmo sem que haja a citação ao Pantanal ou qualquer outro bioma existente em Mato Grosso do Sul, ou mesmo qualquer outra situação relativa ao Estado, o documento elaborado incide indiretamente a temas de interesse do turismo sul-mato-grossense e da conservação do meio-ambiente local e dos territórios demarcados na região.

Um dos projetos atacados é o que modifica a demarcação de territórios indígenas e permite a realização de atividades consideradas danosas, como a mineração, dentro dessas áreas. Outro é referente a mudança do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, que pretende criar a categoria de Estrada-Parque na classificação oficial.

"O PL 2633/2020, conhecido como o 'PL da Grilagem', é outro gravíssimo risco aos negócios brasileiros, pois anistiará usurpadores e desmatadores de milhares de hectares de terras públicas. Aqui o prejuízo para o empresariado brasileiro já está anunciado por nossos clientes mundo afora", comenta trecho da carta sobre o terceiro projeto.

Segundo os que ali assinaram, mais de 300 mil europeus assinaram um pedido de boicote aos produtos brasileiros caso o projeto não seja retirado de pauta. A carta foi enviada nesta quarta-feira (23), segundo o jornal O Estado de São Paulo.

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