ACOMPANHE-NOS    
JUNHO, SEGUNDA  01    CAMPO GRANDE 19º

Política

Prefeitura vai depender de empréstimo para quitar folha, prevê Marquinhos

Segundo Marquinhos, com o que está entrando no caixa, não será possível arcar nem com 40% da folha do próximo mês

Por Marta Ferreira e Clayton Neves | 09/04/2020 12:26
O prefeito Marquinhos Trad durante concentração esta manhã no prédio da Esplanada Ferroviária. (Foto: Marcos Maluf)
O prefeito Marquinhos Trad durante concentração esta manhã no prédio da Esplanada Ferroviária. (Foto: Marcos Maluf)

Com o que está conseguindo arrecadar hoje em impostos, Campo Grande não paga nem 40% da próxima folha de pagamento, informou nesta manhã o prefeito Marquinhos Trad (PSD), ao comentar o impacto negativo no caixa municipal com a desaceleração da economia em tempos de pandemia de novo coronavírus.  O montante dispensado ao pagamento de servidores é de R$ 110 milhões todo mês.

Como alternativas, o prefeito citou a contratação de empréstimo, que depende de aprovação do chamado Plano Mansueto no Congresso Nacional, a redução de salários de convocados para a educação e ainda a análise sobre os pagamentos de gratificações. M

Marquinhos fez as declarações no gabinete da Esplanada, de onde saiu força-tarefa para fiscalização do cumprimento das medidas de restrição impostas para evitar o contágio da doença.

Queda brusca -  Por dia, segundo apuração da reportagem, estão entrando nos caixas da prefeitura em torno de R$ 300 mil em tributos. Antes da “coronacrise”, esse valor passava de R$ 1 milhão. O decréscimo, então, é de 70%.

 “Da mesma forma que vocês têm seu salário, Campo Grande também é assalariada e caem na conta sempre os mesmos impostos todos os meses”, comparou o prefeito aos jornalistas, para registrar que a queda na receita impõe a necessidade de adoção de novas medidas.

 “Empréstimo. Não tem jeito”, disse o prefeito nesta manhã sobre a principal alternativa para dar conta de pagar os 25 mil funcionários públicos.

 Segundo ele, o valor de R$ 270 milhões seria o possível hoje, pelo que foi estabelecido no plano Mansueto, em discussão desde o ano passado e que autoriza a contratação de empréstimos por estados e municípios, desde que seja estabelecido rigor fiscal.

Pelo texto, a cidade poderá financiar 8% da receita corrente líquida do ano anterior, que foi de R$ 3,4 bilhões.

Há, porém, uma indefinição de grandes proporções, pois o texto em debate no Congresso não inclui os municípios. Planalto e deputados estão em embate sobre o tema.

Se fosse aprovado o plano Mansueto, segundo Marquinhos, o folego seria de 4 meses.

 Negociação – Indagado sobre a possibilidade de reduzir salários, o prefeito disse que pode sim fazer isso em relação aos professores convocados, que não são efetivos. Citou que há prefeitos que já demitiram esse pessoal, mas garantiu não ser sua intenção.

Segundo ele, o que pode ocorrer é chamar convocados e sentar com eles para discutir o valor pago pela hora-aula.  “Para que todos tenham um pouco e ninguém fique sem nada”, comentou.

 A conta apresentada pelo mandatário é de que os convocados impactam em R$  7 milhões a folha de pagamento.

 Sobre os servidores efetivos, disse que não pode reduzir salários, mas existe a possibilidade de rever gratificações, que elevam a remuneração final.