Retrato ideológico de MS revela força conservadora e desgaste da polarização
Eleitor “indiferente” já é o maior grupo político do Estado
A nova rodada da pesquisa do Instituto Novo Ibrape, encomendada pelo Campo Grande News, revela mais do que intenção de voto em Mato Grosso do Sul: traça um retrato ideológico do eleitor sul-mato-grossense às vésperas da disputa de 2026.
RESUMO
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Pesquisa do Instituto Novo Ibrape, encomendada pelo Campo Grande News, revela que o maior grupo político de Mato Grosso do Sul é o de eleitores indiferentes, com 35,2% do eleitorado. Bolsonaristas representam 22,6%, concentrados entre jovens e no interior, enquanto lulistas somam 12,5%, com perfil de idosos e baixa renda. O levantamento, com 1.000 entrevistas em 18 municípios, tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais.
O levantamento mostra um Estado inclinado à direita, com predominância entre jovens, moradores do interior e eleitores de renda intermediária, enquanto o lulismo aparece mais concentrado entre idosos, pessoas de baixa escolaridade e baixa renda.
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O dado que mais chama atenção, porém, está no meio do caminho entre os dois polos. Segundo a pesquisa, o maior grupo político do Estado não é nem bolsonarista nem lulista: é o eleitor “indiferente”, parcela que reúne 35,2% do eleitorado e pode decidir os rumos da eleição no Estado.
O grupo bolsonarista representa 22,6% do eleitorado de Mato Grosso do Sul e aparece como o segmento mais jovem da pesquisa. Entre os eleitores identificados com Jair Bolsonaro, 41,7% têm entre 16 e 34 anos. A maior parte possui ensino médio e renda entre dois e cinco salários mínimos. O interior concentra mais de 70% desse eleitorado.
Já o eleitor lulista representa 12,5% dos entrevistados e apresenta perfil oposto. O grupo reúne maior concentração de idosos, baixa escolaridade e renda mais baixa. Entre os lulistas, 61,7% têm até o ensino fundamental e quase metade recebe até dois salários mínimos.
Outro recorte importante da pesquisa aponta que a direita não bolsonarista também ocupa espaço relevante no Estado, especialmente entre eleitores com maior escolaridade e renda acima de cinco salários mínimos. Neste segmento, o campo conservador aparece mais ligado a um perfil urbano e economicamente estabilizado.
Jovens puxam direita; idosos ampliam espaço da esquerda
O levantamento mostra uma diferença geracional marcante no comportamento político em Mato Grosso do Sul. Entre os jovens de 16 a 34 anos, o bolsonarismo lidera com folga, alcançando 29,5%, enquanto o lulismo fica abaixo de 6%.
Já entre os eleitores com mais de 60 anos, a diferença diminui. Nesse grupo, o lulismo sobe para quase 20%, enquanto o bolsonarismo recua para cerca de 20,4%, mostrando um cenário mais equilibrado.
A pesquisa também indica que o eleitorado mais escolarizado tende a migrar para posições menos ideológicas. Entre quem possui ensino superior, o maior grupo é o dos “indiferentes”, com 40% do total.
Capital mais moderada; interior mais conservador
Regionalmente, Campo Grande aparece menos alinhada aos extremos políticos do que o interior do Estado. Na Capital, o maior grupo é o dos eleitores indiferentes, com 43,3%, percentual superior ao registrado nas cidades do interior.
Já no interior, o eleitorado conservador ganha mais força. Somando bolsonaristas e direita não bolsonarista, o campo da direita ultrapassa 43% dos entrevistados.
O levantamento reforça a tendência observada nas últimas eleições: Mato Grosso do Sul segue majoritariamente conservador, mas com um contingente expressivo de eleitores pragmáticos e pouco identificados com disputas ideológicas. Esse grupo, hoje majoritário, deve se transformar no principal alvo dos candidatos ao Governo e ao Senado em 2026.
O levantamento foi realizado entre os dias 20 e 25 de maio, com 1.000 entrevistas presenciais em 18 municípios de Mato Grosso do Sul. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. Pesquisa registrada no TSE/TRE sob nº MS-03839/2026 e BR-00615/2026.


