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Política

Riedel defende integração energética em agenda com Lula e presidente da Bolívia

Governador participou de encontro que discutiu gás natural, ferrovia, hidrovia e acordo interconexão elétrica

Por Jhefferson Gamarra | 16/03/2026 18:15


RESUMO

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O governador Eduardo Riedel participou de reunião em Brasília com os presidentes Lula e Rodrigo Paz, da Bolívia, para discutir integração energética e logística entre os países. O encontro, realizado no Palácio do Itamaraty, abordou temas como o gás natural boliviano e a necessidade de ajustes regulatórios no setor. Durante a agenda, foi assinado acordo bilateral para interconexão elétrica entre Brasil e Bolívia, prevendo a construção de linhas de transmissão entre Santa Cruz e Corumbá. Também foram debatidos o fortalecimento da Hidrovia do Rio Paraguai e o futuro da ferrovia Malha Oeste, visando ampliar a integração logística regional.

O fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e Bolívia, com impacto direto para Mato Grosso do Sul, foi tema de reunião realizada nesta segunda-feira (16), em Brasília. Durante almoço no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, o governador Eduardo Riedel (PP) discutiu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente boliviano Rodrigo Paz estratégias de integração nas áreas de energia e logística.

Também participaram do encontro o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, além de autoridades brasileiras e bolivianas. A agenda abordou temas considerados estratégicos para o desenvolvimento regional, como o gás natural boliviano, a integração ferroviária, a hidrovia do Rio Paraguai e a ampliação da cooperação energética entre os dois países.

Um dos principais assuntos foi a necessidade de ajustes regulatórios relacionados ao gás natural importado da Bolívia para o Brasil. O combustível entra no país por Mato Grosso do Sul e representa uma parcela relevante da arrecadação estadual, além de ser considerado um fator importante para o desenvolvimento industrial.

Segundo Riedel, a atualização da legislação é vista como fundamental para garantir novos investimentos no setor e ampliar o potencial de crescimento econômico.

“Foram discussões muito importantes para o Mato Grosso do Sul, como a reformulação da legislação referente ao gás, algo fundamental para que esse setor tenha mais investimentos, beneficiando diretamente o nosso Estado”, afirmou o governador.

Outro ponto discutido foi a integração logística entre Mato Grosso do Sul e a Bolívia. O debate incluiu o fortalecimento da Hidrovia do Rio Paraguai e o futuro da ferrovia Malha Oeste, cuja concessão deve ir a leilão pelo governo federal até novembro.

Riedel defende integração energética em agenda com Lula e presidente da Bolívia
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião ampliada com o Presidente da Bolívia, Rodrigo Paz (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

A intenção é conectar a malha ferroviária brasileira à Ferroviaria Oriental, já em operação no território boliviano. Para o governador, essa ligação pode ampliar o fluxo de mercadorias e fortalecer o papel do Estado como corredor logístico regional.

“Conversamos ainda sobre a hidrovia no Rio Paraguai, algo que cabe ao Governo Federal avançar, e a situação da ferrovia Malha Oeste. Lá na Bolívia eles já têm a linha Oriental”, explicou Riedel.

Acordo para interconexão elétrica - Durante a agenda em Brasília também foi assinado um acordo bilateral para a interconexão elétrica entre Brasil e Bolívia. O objetivo é ampliar a integração energética por meio da construção de linhas de transmissão e outras estruturas de grande capacidade entre os sistemas elétricos dos dois países.

O acordo prevê a ligação entre a província de Germán Busch, no departamento de Santa Cruz, na Bolívia, e o município de Corumbá, em Mato Grosso do Sul. A infraestrutura inclui a instalação de uma estação conversora de frequência no lado brasileiro e linhas de transmissão com capacidade aproximada de 420 megawatts (MW).

A interconexão permitirá o intercâmbio de energia elétrica entre os sistemas dos dois países, principalmente a partir de excedentes de geração, sempre preservando o atendimento prioritário das demandas internas de cada mercado. O documento também prevê a possibilidade de trocas emergenciais em situações de contingência nos sistemas elétricos.

Pelo acordo, cada país será responsável por financiar, construir, operar e manter a infraestrutura localizada em seu território, com coordenação técnica do Comitê Técnico Binacional Bolívia–Brasil, responsável pelo acompanhamento das obras e dos estudos necessários para a implementação do projeto.

Para Riedel, a iniciativa tem potencial de garantir maior segurança energética para o país e abrir novas oportunidades para Mato Grosso do Sul. “Hoje foi assinado um tratado sobre energia elétrica que para o Mato Grosso do Sul será extremamente importante, pois está garantindo mais suprimento de energia para o país e, consequentemente, para o Estado”, disse.

O presidente Lula destacou que a cooperação energética entre os dois países também pode contribuir para ampliar o acesso à eletricidade em regiões ainda dependentes de combustíveis fósseis.

“Vamos otimizar o uso dos recursos existentes nos dois países e levar eletricidade a regiões ainda dependentes de diesel. O Brasil está disposto a cooperar com a Bolívia também com apoio à produção de biocombustíveis e outros recursos renováveis”, afirmou.

Além da cooperação energética, a posição geográfica de Mato Grosso do Sul foi apontada como um fator estratégico para ampliar a integração regional. O Estado ocupa extensa faixa de fronteira com a Bolívia e está localizado no centro da América do Sul, próximo de importantes mercados consumidores.

Essa condição reforça o potencial do território sul-mato-grossense como corredor logístico para o escoamento de produtos sul-americanos em direção aos mercados globais, ao mesmo tempo em que facilita a chegada de mercadorias estrangeiras ao Brasil.

Para o governador, os debates realizados durante o encontro em Brasília indicam um avanço nas tratativas para consolidar investimentos estruturantes na região.

“Certamente todos esses debates feitos hoje vão chegar a uma consolidação de importantes investimentos e dar uma integração econômica e estrutural Mato Grosso do Sul-Brasil-Bolívia”, concluiu.