Diretor penitenciário escondeu rastreador sob lataria de carro para vigiar ex
Maycon Roslen de Melo ainda mandava mensagens ameaçando a vítima para retira a denúncia de violência doméstica

A descoberta de um dispositivo de rastreamento instalado em segredo na lataria de um automóvel foi um dos motivos que resultaram na prisão preventiva do policial penal e diretor do PTran (Presídio de Trânsito de Campo Grande), Maycon Roslen de Melo, de 45 anos. Investigado por perseguição, violência psicológica e coação no curso do processo, o servidor usava a tecnologia para monitorar os passos da ex-companheira, de quem estava separado após um relacionamento de nove anos.
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Policial penal e diretor do PTran de Campo Grande, Maycon Roslen de Melo, 45 anos, foi preso preventivamente após instalar rastreador secreto no carro da ex-companheira para monitorá-la. Investigado por perseguição, violência psicológica e coação, ele descumpriu medidas protetivas e se deslocou ao interior do Estado para confrontar a vítima. A Justiça decretou a prisão por risco iminente à vida dela. Servidor da Agepen há 25 anos, ele foi encaminhado ao Centro de Triagem Anísio Lima.
A vítima descobriu o equipamento após perceber que, mesmo mantendo uma rotina discreta, o investigado sabia exatamente onde ela estava. A revelação do rastreador consta nos autos que tramitam na Justiça.
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Segundo os relatos anexados ao inquérito, a mulher tentou romper a vigilância mudando-se para o interior do Estado, em busca de refúgio e segurança. No entanto, por meio do monitoramento em tempo real do veículo, Maycon descobriu a localização da ex e se deslocou da Capital até o município do interior para confrontá-la, ignorando a medida protetiva.
Além do rastreador, os autos apontam um histórico de abusos psicológicos, chantagens emocionais com ameaças de suicídio e tentativa de uso de terceiros, como familiares do próprio investigado, para pressionar a vítima e testemunhas a retirarem as representações criminais contra ele.
Na decisão que decretou a prisão e autorizou a busca e apreensão na residência e no local de trabalho do policial, a Justiça ressaltou “o risco iminente à vida da vítima”, já que, por ser policial penal, Maycon tinha facilidade de acesso a armas de fogo. Em ocasiões anteriores, inclusive, ele já havia demonstrado resistência em entregar voluntariamente seu armamento institucional, o que reforçou a urgência da medida cautelar.
“A gravidade concreta da conduta do investigado, que não se conforma com o fim do relacionamento e adota comportamento obsessivo e de vigilância contínua, revela acentuada periculosidade”, diz o juiz na decisão.
Segundo informações levantadas pela reportagem, Maycon havia se apresentado espontaneamente à Unidade Mista de Monitoramento Virtual da Agepen na última sexta-feira (24), quando passou a utilizar tornozeleira eletrônica por determinação judicial.
A ordem de prisão foi expedida na segunda-feira (27) e cumprida ontem (28), após ele supostamente ter descumprido as medidas impostas pela Justiça. O mandado foi cumprido por equipes da 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher). O processo administrativo instaurado pela Corregedoria da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) determinou o afastamento do cargo de direção, e Maycon foi encaminhado para uma cela no Centro de Triagem Anísio Lima, no Jardim Noroeste.
Maycon Roslen de Melo é servidor da Agepen há 25 anos, desde novembro de 2001. Conforme o Portal da Transparência, recebeu remuneração líquida de R$ 12.241,51 em junho deste ano.
Embora seja o diretor titular do Presídio de Trânsito, ele estava oficialmente em férias desde o último dia 22. Publicada no Diário Oficial do Estado de 22 de julho, portaria assinada pelo diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, designou o policial penal Jackson Bendassolli para responder interinamente pela direção da unidade até 31 de julho.
Ele já foi o diretor-adjunto da Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira II, conhecida como "Federalzinha", e diretor do Estabelecimento Penal “Máximo Romero”, em Jardim. Formado em Direito e pós-graduado em Gestão Prisional e Gerenciamento de Crises, Maycon também já atuou como chefe de Disciplina na Casa do Albergado, na Capital.
Agepen
Por meio de nota, a Agepen informou que "a corregedoria acompanhou o cumprimento da ordem judicial e instaurou procedimento administrativo disciplinar para apurar a responsabilidade do servidor, observando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa".
"O servidor foi preventivamente afastado de suas funções de chefia e direção em razão do cumprimento do mandado judicial. Independentemente da apuração criminal, a legislação aplicável aos servidores públicos estaduais prevê a apuração administrativa de condutas que possam configurar infração disciplinar, ainda que os fatos investigados tenham ocorrido na esfera da vida privada, nos termos do artigo 218, inciso XIII, da Lei Estadual nº 1.102/1990, sem prejuízo da análise quanto ao eventual descumprimento dos princípios que regem a Administração Pública", completa o texto.
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