Rede criada em 1980 superou crises e segue firme diante de gigantes da internet
Lojas que começaram com história de porta em porta virou negócio de família em Campo Grande
Campo Grande era uma cidade “bastante comentada” no Sul do País entre o fim da década de 1970 e o começo de 1980, como lembra o hoje empresário e administrador catarinense, Amadeu Ziliotto. A fama de lugar promissor o convenceu a deixar Concórdia (SC) junto ao irmão mais velho, Jaime.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
A Zornimat, empresa de móveis e suprimentos para escritório de Campo Grande, completa mais de 40 anos de história. Fundada pelos irmãos catarinenses Amadeu e Jaime Ziliotto, a empresa sobreviveu a crises econômicas, ao Plano Collor e à concorrência digital. Hoje, Amadeu comanda o negócio ao lado da esposa, Lúcia Helena, e do filho Bruno, formado pela FGV. A empresa prepara a inauguração de uma nova matriz na Avenida Fernando Corrêa da Costa.
Mato Grosso do Sul estava recém-criado e com poucos negócios funcionando. Amadeu tinha só 18 anos e havia terminado há pouco tempo o curso de técnico agrícola. De família humilde, sonhava em ser agrônomo, mas a mudança para Campo Grande desfez os planos.
- Leia Também
- Amizade entre irmãos e talento de avó fundaram papelaria há 29 anos
- Costela de gaúcho conquistou ex-prefeito da Capital e virou negócio de família
A oportunidade foi o convite para Jaime ser gerente de uma loja de móveis para escritório na capital de Mato Grosso do Sul, que se chamava Zornita e era uma filial da matriz em São Paulo (SP). Amadeu o acompanhou para dividir a responsabilidade. Trabalharam por dois anos, até que a empresa fechou em 1981.
A dupla decidiu continuar na área de vendas, mas como representantes comerciais. Iam até empresas e escritórios de porta em porta com ofertas dos produtos. Batizaram o novo negócio de Zornimat, tirando o “ta” do nome da antiga loja e adicionando o “mat” em referência a Mato Grosso do Sul.
Os irmãos não demoraram a abrir a primeira loja física na Rua 14 de Julho. Enquanto isso, Amadeu formou-se em Administração e conheceu a esposa, Lúcia Helena. Os primeiros anos de empresa não foram fáceis. “Faltavam experiência para nós, capital de giro e o País estava em constantes crises”, relata o empresário.
Amadeu e Jaime viveram a crise do Plano Collor e perderam economias com o confisco das poupanças. Apesar da inflação que atingiu os produtos, a Zornimat não fechou.
À medida que o mercado de informática se expandia nos anos 1990, a empresa adicionou suprimentos como mouses e HDs à lista de mercadorias, aumentando as opções de produtos. Pessoas físicas eram a maior parte dos clientes.
Com 13 anos de empresa e sobrevivendo ao período inflacionário, “já éramos conhecidos como heróis”, diz Amadeu.
Sem sócio
Em 1993, Jaime e a esposa decidiram voltar para Santa Catarina e Amadeu perdeu o parceiro de negócios. “Foi uma insegurança muito grande”, conta.
O irmão mais velho era sócio majoritário e vendeu sua parte por 50 mil dólares. “Naquela época, era a moeda mais estável. Passei um tempo pagando ele à prazo”, continua.
Amadeu conseguiu um novo sócio para a Zornimat, mas foi uma parceria muito curta. Ele quase não parava na loja e não compartilhava das responsabilidades como Jaime fazia.
Com muito esforço, Amadeu comprou a outra parte da sociedade nos anos 2000. Teve que vender o carro da família e recomeçar praticamente do zero, mas logo se restabeleceu. O desafio passou a ser outro: gerenciar o negócio sozinho, como nunca havia feito.
Esposa
O empresário não ficou só por muito tempo. Lúcia Helena passou a cuidar da parte financeira, enquanto ele ficou com a parte comercial. “Ela me deu segurança de novo. Ficamos em paz”, afirma. O negócio só engrenou novamente quando voltou a ser de família.
Nessa época, a loja passou a focar nas vendas para outras empresas. O mercado eletrônico crescia ainda mais e atraía também uma fatia de pessoas físicas para a clientela.
A mudança do comportamento do consumidor levou o casal a contratar uma consultoria. Ela foi decisiva, segundo Amadeu, para ajudar a Zornimat a “enfrentar os novos tempos”.
Novas unidades e solidariedade
Em 2007, compraram um novo ponto na Avenida Afonso Pena. Em 2009, outro em Três Lagoas. Chegaram até a abrir uma loja em Maringá (PR) nesse intervalo, mas “foi um sonho que virou pesadelo”, lembra o empresário. Ela quebrou e foi fechada.
Com mais unidades para serem gerenciadas, a empresa adotou um sistema chamado de gestão participativa para manter equipes coordenadas. Outra iniciativa para unir colaboradores foi o projeto “Zornimat Solidária”, que mobilizou outros empresários e chegou a coletar 600 bolsas de sangue para doação em Campo Grande numa única campanha.
Amadeu teve a iniciativa porque é doador desde que chegou a Campo Grande. “Morei numa pensão para rapazes e soube que um colega havia sofrido um acidente e estava hospitalizado. Fui doar porque ele estava precisando. A partir desse dia, não parei mais”, diz.
Segundo o empresário, a doação ajuda a própria empresa a tornar o clima organizacional "mais leve". Campanhas ocorrem todos os anos.
Concorrência com plataformas e sucessão
Hoje, o maior desafio da marca é concorrer com grandes plataformas que vendem eletrônicos e móveis para escritório. As lojas seguem abertas, enquanto várias outras do mesmo ramo encerraram as atividades na Capital.
Em 2021, o filho Bruno chegou para montar uma estratégia e trabalhar com os pais. Ele se formou na FGV (Fundação Getúlio Vargas) e trouxe experiência de trabalho num grande banco, em São Paulo (SP). Na Zornimat, foi captando mais funções a cada ano de trabalho. "É um processo longo, bem planejado e que exige jogo de cintura por sermos de outra geração e termos ideias diferentes", afirma o fundador.
Quanto à concorrência, Amadeu diz que a empresa tem resistido e até se desafiado, tanto é que vai inaugurar uma nova matriz na Avenida Fernando Corrêa da Costa, ao lado de uma faculdade particular, e investir na experiência dos clientes que gostam de comprar presencialmente.
Já a comodidade de entregar produtos em casa, que se intensificou durante a pandemia de covid-19, segue forte e com a meta das compras chegarem no mesmo dia para o cliente que morar na mesma cidade onde estiver localizada loja.
Conselhos
O empresário compartilha dicas que aprendeu ao longo do percurso e escreveu quando a empresa chegou às quatro décadas de fundação:
"Dessa história e desses mais de 40 anos, ficaram algumas lições aprendidas que eu gostaria de dividir:
1ª - Nada supera o trabalho e a dedicação junto a um bom planejamento. A inspiração é importante, mas a transpiração é necessária;
2ª - Aprenda a economizar um pouco por menos que você ganhe, como aprendi com a minha mãe: foi por conta disso que sobrevivemos a várias crises;
3ª- Sonhe grande e seja ambicioso, mas mantenha a disciplina no dia a dia. Sem disciplina, garra e resiliência, tudo fica mais difícil;
4ª - Tenha sempre uma missão e um propósito bem claros", finaliza.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.





