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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019

20/11/2018 14:29

...e eu estou aqui

Por Heitor Freire

O ser humano, esse indivíduo tão complexo, composto por tantas variáveis e tantas dúvidas, às vezes indecifráveis, vive num oceano de desejos inexplicáveis e nem sempre realizáveis, porque para a maioria falta o autoconhecimento.

A falta de entendimento do que somos e para o que aqui estamos concorre também para essa confusão existencial, fazendo que passemos nossa vida correndo de um lado para outro, desperdiçando o capital com que Deus nos dotou: o tempo. O tempo é um componente inerente a toda criação: humana, animal, vegetal e mineral distribuído igualmente para todos. Tudo é regido por esse elemento. Daí a necessidade de administrá-lo de forma inteligente e produtiva. Tempo é uma questão de administração e de preferência.

Bruce Lee, o célebre ator e lutador de artes marciais chinês, disse com muita propriedade: “Se você ama a vida, não perca tempo, pois é de tempo que ela é feita”. Outro fator que deve naturalmente ser compreendido e aplicado é a necessidade de se estar presente no aqui e agora. Deus nos deu inteligência e consciência, de modo que
não temos desculpa.

O uso apropriado desse conhecimento nos dará condições de enriquecer nossas vidas e de torná-las únicas e originais como de fato são. O tempo é um tema que intrigou os filósofos ao longo da história, desde Aristóteles, passando por Santo Agostinho, Voltaire, Nietzsche, William James e tantos outros que tentaram defini-lo, cada um com
a sua concepção particular, mas sem chegar a uma conclusão definitiva.

A questão é tão complexa, tão antiga e tão intrigante, que até os autores bíblicos se ocuparam dela. No Eclesiastes, 3,1-8, lemos: “Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo o propósito debaixo do céu; Há tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; Tempo de matar, e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de edificar; Tempo de chorar, e tempo de rir, tempo de prantear, e tempo de dançar;

Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras, tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar e tempo de perder, tempo de guardar, e tempo de lançar fora; Tempo de rasgar, e tempo de coser, tempo de estar calado, e tempo de falar: Tempo de amar, e tempo de odiar, tempo de guerra e tempo de paz”.

No meu entendimento, o tempo não se define, se sente. Então é tudo uma questão de percepção pessoal. Uma vez que sabemos como funciona, significa que podemos influenciá-lo. Sim, você pode dominar seu tempo. Eu aprendi como fazê-lo. Como sou um cara curioso e atento a tudo que me cerca, certa vez, li numa publicação qualquer que se tomarmos banho de olhos fechados, os nossos neurônios serão estimulados e ativados a nos proporcionar uma dimensão diferente do tempo. Resolvi experimentar. Isso já faz uns três ou quatro anos, e desde então o meu tempo se tornou elástico. Eu tenho tempo para tudo, e como efeito colateral deixei de ter pressa.

Mas, na realidade, só existe um tempo: o presente. É nesse espaço de tempo que vivemos. É o momento. O passado já passou e o futuro ainda não chegou. Porém, é mais confortável viver do passado ou das expectativas do futuro do que enfrentar o presente.

Segundo Santo Agostinho em suas Confissões, livro XI, “O tempo é presente, enquanto nenhum tempo é todo ele presente: e veja que todo o passado é obrigado a recuar a partir do futuro, e que todo o futuro se segue a partir de um passado, e que todo o passado e futuro são criados e derivam daquilo que é sempre presente”

(*) Heitor Rodrigues Freire é corretor de imóveis e advogado.

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