A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2017

07/09/2011 07:00

A missão essencial do homem do campo

Por Edivaldo Del Grande (*)

O Brasil tem pela frente um horizonte ainda mais positivo do que os dias atuais para a produção agrícola. Há anos, as commodities, principalmente as agrícolas, salvam nossas exportações e mantêm em alta a balança comercial brasileira. Um estudo divulgado recentemente pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP) mostrou que, nos últimos 15 anos, a produção do agronegócio no país cresceu mais do que o PIB, garantindo o aumento do consumo interno e das exportações.

Na próxima década, o agronegócio vai ganhar ainda maior relevância conforme apontam os estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). As pesquisas projetam um período de alta das commodities agrícolas puxada pela demanda aquecida, principalmente dos nossos parceiros asiáticos. O aumento da população mundial e a melhora de renda impulsionam e diversificam o mercado internacional, e por sua vocação o Brasil vai ocupar lugar de destaque na oferta desses produtos e no combate à fome.

A produção de biocombustíveis é outro fator que impulsionará a agricultura. O tema é carregado de polêmicas com forte debate em encontros internacionais, seja pela eficiência do produto, seja pelo impacto que pode causar na produção de alimentos. A pesquisa da OCDE e FAO mostra que 30% da produção de cana, 15% de óleos vegetais e 13% de grãos devem ser transformados em etanol e biodiesel até 2020. Não há dúvida de que o pioneirismo brasileiro no uso de etanol como combustível deve ser um fator ainda mais preponderante da nossa liderança nesse setor.

Internamente, os benefícios também serão enormes. A evolução do agronegócio nacional colabora para oferecer trabalho e renda para milhões de brasileiros que estão no campo e outros milhões nas cidades. Colabora também para reforçar a fixação do homem no campo. A geração de riqueza que se vislumbra com essa nova etapa rural brasileira vai possibilitar que finalmente a renda chegue com mais força aos pequenos produtores rurais. Um time formado por milhares de corajosos trabalhadores que, aos poucos, vão lançando mão de novas tecnologias para tornar mais eficiente a produção agrícola. Um batalhão de pessoas que faz inveja pela ousadia, pelo trabalho duro no campo contra todas as adversidades inerentes de quem trabalha com a terra, responsável hoje por 70% da produção agropecuária do Brasil.

Foi da iniciativa dos pequenos agricultores que nasceram as grandes corporações, que fazem parte da história desse país. Organizadas em associações ou cooperativas, buscaram na união a força para financiar máquinas e equipamentos. Na época da colheita, revezam os seus tratores e compartilham silos para os seus produtos. Criaram escolas, abriram estradas e buscaram a eletrificação rural. Um trabalho danado, com o olho sempre voltado para o céu, na esperança de condições climáticas favoráveis para as colheitas.

Agora, é chegada a hora de o Brasil dar sua resposta. Para navegar no cenário positivo mundial que se anuncia precisamos resolver algumas pendências que travam o setor, como a falta de crédito, a infraestrutura precária e a insegurança jurídica para o agronegócio. A votação do novo Código Florestal, agora em debate no Senado, transforma-se em um instrumento que vai ditar o sucesso do setor no futuro e manter o país entre as principais nações produtoras de commodities agropecuárias. São medidas importantes para que o bravo produtor rural persista no propósito de se fixar no campo e investir cada vez mais para produzir melhor.

O pequeno agricultor dos locais mais distantes desse país talvez não saiba, mas ele faz parte daquele seleto grupo essencial para matar a fome de milhões de pessoas no mundo todo. Só desejamos caminho aberto para essa gente que tem importante missão no combate à fome mundial, o de construir sua merecida vida de prosperidade.

(*) Edivaldo Del Grande é presidente da OCESP (Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo).

A bolha da saúde brasileira está prestes a explodir
A crise econômica e o crescente índice de desemprego da população brasileira refletiram diretamente no setor da saúde. Recente estudo revelou que mai...
Marchinhas do coração
Sei que existem as marchinhas preferidas do coração. São as do passado ou do presente, mas não é delas que quero falar, e, sim, do sofrido coração br...
Reforma da Previdência: aprofundando o deserto na vida dos trabalhadores
O cinema enquanto “sétima arte” muitas vezes busca retratar realidades cotidianas na telona. Não foi diferente o filme “Eu, Daniel Blake”, ganhador d...
O dilema das prisões brasileiras
No último mês de janeiro assistimos, estarrecidos, às rebeliões nos presídios de Manaus, Boa Vista e Natal. As cenas de corpos sem cabeças chocaram a...



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions