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Campo Grande, Sexta-feira, 22 de Junho de 2018

07/02/2011 17:42

A Nossa Santa Casa

Antonio Carlos Bilo (*)

Denúncias de condições inadequadas de trabalho, falta de material, medicamentos e funcionários, aparelhos danificados e/ou sucateados, superlotação de pacientes, gerando macas pelos corredores e filas no CTI (e aqui, quem pode esperar?), salas de centro cirúrgico adaptadas e utilizadas para outros fins, pronto socorro mais parecendo um campo de batalha, médicos e profissionais de saúde trabalhando no limite psicológico, angustiados, esgotados e adoecendo. Este é o cenário sombrio da nossa Santa Casa de Campo Grande, que não é diferente de outras pelo País afora. O caos está a caminho ou já está instalado?

E o paciente, razão de ser do médico, que em sua dor à Santa Casa recorre, pois sabe que, mesmo nessa condição combalida, é o local em que ainda há alguma chance. Fácil seria para o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS) abrir sindicâncias e apurar. Se constatadas as responsabilidades, punir os infratores. Mas o médico é culpado por esse estado de coisas?

Fácil seria também para o Conselho interditar aquilo que não funciona bem, colocando em risco o paciente e expondo o médico, para em seguida cobrar do Poder Público a sua responsabilidade.

Qual seria o preço pago pela população, que, aí sim, ficaria completamente desassistida? E ainda, será que não seria aproveitada a situação para colocar o médico como responsável direto pelo caos instalado?

Diálogo - Outro caminho, porém, foi tomado: a busca da melhoria efetiva das condições de trabalho do médico e o bom e merecido atendimento ao paciente, via diálogo, com os gestores. Reuniões envolvendo Diretor Clínico, Diretor Técnico, Junta Interventora, Secretários de Saúde Municipal e Estadual, Diretoria do CRM-MS, mais o seu Departamento de Fiscalização, munido de relatório recente de vistoria, constatando a pertinência das queixas apresentadas pela Direção Clínica, foram realizadas e prazo foi solicitado pela Junta Interventora, para, pontualmente, apresentar respostas e soluções, frente aos quesitos apontados.

Sobre a falta de medicamentos, foi instaurada uma Comissão de Sindicância para apurar a situação. A informação é que está em andamento e tão logo se efetive a conclusão, cópia do relatório será enviada ao CRM-MS.

Quanto à queixa de que continua a falta de farmacêutico após às 23h e nos finais de semana, a resposta da Junta é que nunca houve farmacêutico até às 23h na Santa Casa e que, após 29/06/2010, a escala adotada atende a demanda hospitalar e o quadro de farmacêuticos foi redimensionado.

Em relação à falta de fisioterapeutas nas UTIs no período noturno dos finais de semana, a Junta Interventora afirma que historicamente esses profissionais nunca trabalharam nesses períodos e que irá dimensionar o impacto financeiro para a contratação de 17 novos fisioterapeutas, a fim de atender à Resolução RDC nº 07, que estabelece no mínimo um fisioterapeuta para cada 10 leitos nos períodos matutino, vespertino e noturno.

Já sobre a tomografia, a explicação é que os defeitos foram solucionados, aguardando apenas a instalação da revelação automática (Dry), o que depende de um aparelho que já foi adquirido, porém ainda não entregue. Relata ainda que as imagens estão de boa qualidade e os laudos realizados em tempo hábil.

Quanto à ultra-sonografia, a Fundação Centro de Estudos da Santa Casa disponibilizou, em comodato, um aparelho e está em andamento a instalação física e técnica.

No relatório consta também que os transplantes foram retomados, com a contratação de profissionais necessários e que foi autorizado o pagamento dos plantonistas.

No tocante à sobrecarga que o município e o estado impõem a algumas especialidades, responde que a Santa Casa, por ser hospital de referência em alta complexidade, tem seus leitos constantemente ocupados, atingindo o seu limite técnico e físico máximos, mas que estão em permanente vigilância e negociação.

Sobre a situação do Centro Cirúrgico, onde apenas cinco cirurgias que necessitam de anestesia geral podem ser feitas simultaneamente, a Junta afirma ter adquirido seis capnógrafos há seis meses, que não foram entregues pela empresa. O departamento jurídico da Instituição está tomando as medidas necessárias para cancelar a compra e adquirir os equipamentos de outro fornecedor.

Reformas - Em relação ao Pronto Socorro de Pediatria e ao ProntoMed, alegam que o de Pediatria foi recentemente reformado, ampliado e renovado em toda a sua estrutura e que já está aprovada a planta arquitetônica da reforma do ProntoMed.

Afirma que os leitos de UTI encontram-se fechados porque a unidade está em reforma, já em fase de finalização; que foram contratados 92 técnicos de enfermagem e 11 enfermeiros, principalmente para atender a essa demanda e que a inexistência de médicos especialistas em terapia intensiva trará dificuldades para completar as equipes necessárias aos 10 leitos reformados e também aos novos leitos da UCO, que em breve estarão concluídos.

Finalmente, quanto à falta de esfigmomanômetros e estetoscópios, alega a Junta que por serem equipamentos que exigem constantes reparos e manutenção, é de praxe a sua compra periódica, havendo portanto uma ação permanente de reposição.

Este foi o posicionamento da Junta Interventora da Santa Casa. Querendo crer que as medidas saneadoras e resolutivas, conforme mencionadas umas e prometidas outras, sejam de fato implementadas, este Conselho estará vigilante quanto ao cumprimento de tais medidas, e de outras que se fizerem necessárias, para que o bom atendimento ao paciente possa ser efetivamente dispensado e a condição adequada de trabalho do médico seja garantida.

Quanto aos gestores (e temos a felicidade de ter, tanto no município quanto no estado, todos médicos) esperamos que queiram efetivamente implantar uma saúde de qualidade em nossa capital e em nosso estado, uma vez que, institucionalmente, podem e devem. Para isso, basta que pensem efetivamente nas próximas gerações e não nas próximas eleições, fazendo um planejamento real e efetivo para a saúde, com medidas que atinjam um tempo mínimo de 10 a 20 anos.

(*) Antonio Carlos Bilo é conselheiro do CRM-MS

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