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Campo Grande, Quinta-feira, 15 de Novembro de 2018

21/12/2017 08:37

A pedagogia da (in)tolerância

Por Kleber Aparecido da Silva (*)

“Lutar pela igualdade sempre que as diferenças nos discriminem;

lutar pelas diferenças sempre que a igualdade nos descaracterize"

(Boaventura de Sousa Santos)

Vivemos em um país que tem o regime democrático como mola propulsora e/ou esteio fundante para o exercício da nossa cidadania. Porém, o que é possível experienciarmos e vermos, seja na vida real e/ou virtual, é a falta de tolerância das pessoas.

É possível vermos a intolerância no trânsito, nos berços educacionais e acadêmicos, em outras palavras, a falta de tolerância está em todo lugar. Além disso, é possível observarmos nos discursos e ações das pessoas um ódio ao outro que tem uma visão ou opinião diferente da sua.

Aliás, toda esta celeuma que estamos vivendo neste momento sócio-histórico no Brasil tem afetado muito as atitudes das pessoas e que estão perdendo o senso do que é certo ou errado.

Até pessoas que tiveram a oportunidade de estudar e/ou de se especializar em locus de ensino e de pesquisa no Brasil e/ou no exterior, tem preconizado nas suas palavras e ações este discurso de intolerância e em muitas vezes o discurso do preconceito que é latente, mas invisibilizado no Brasil.

Me pergunto: como agir quando alguém explicita uma opinião diferente da nossa? A resposta é óbvia. Deveríamos respeitar e se for possível contra-argumentar de forma polida, respeitosa. O que vejo hoje é uma contra-argumentação raivosa, despolida, altiva e até certo ponto impositiva. A meu ver, precisamos combater esta ação que tem gerado uma reação de intolerância no Brasil.

Isto faz recair, a meu ver, nas instituições familiares e nos berços educacionais e acadêmicos a responsabilidade de propiciar aos seus filhos, no caso da família, ou aos seus alunos e acadêmicos, no caso da escola e da universidade; condições para que estas pessoas (re)construam uma cidadania protagonista, crítica e planetária, concebendo o próximo com a quem deveria “dialogar” (numa perspectiva bakhtiniana) e não apenas tolerar.

A tolerância, o livre arbítrio e o respeito aos outros são princípios básicos para o saber dos nossos direitos e para o exercer dos nossos deveres quais cidadãos planetários que pensam, que (re)agem e que concebem o outro como um dos seres capazes de auxiliá-lo/la a encontrar a sua própria completude seja ela social, ideológica e/ou filosófica.

Quando isto for feito, estará hasteada a bandeira, que deveria ser a mola propulsora de nossas escolas e universidades: a educação por meio da inclusão e a inclusão por meio da educação. Pense nisto!

(*) Kleber Aparecido da Silva é professor do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas da Universidade de Brasília. Graduado em Língua Inglesa pela Universidade Federal de Ouro Preto, Mestre em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas, Doutor em Estudos Linguísticos pela Universidade Estadual Paulista e Pós-Doutor em Linguística Aplicada pela Unicamp.

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