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Campo Grande, Domingo, 21 de Outubro de 2018

06/09/2018 12:41

A perfeita lei da liberdade

Por Padre Antônio Xavier Batista (*)

A Lei Perfeita da Liberdade é a lei interior, não exigida por um preceito, mas pelo próprio coração do homem. Esta é a lei do amor deixada por Nosso Senhor Jesus Cristo. A carta de São Tiago é composta por muitas exortações sobre a fé que, quando acolhida e praticada, produz a santidade, envolvendo aqueles que estão em torno. O texto (Tg 1,19-27) começa com uma tríplice exortação: prontidão no escutar, lentidão no falar e frear a ira.

A prontidão em escutar a palavra se refere ao relacionamento com Deus. Por meio da escuta se conhece a Sua vontade, que pode ser manifestada a qualquer momento. Por isso, exige-se prontidão, disponibilidade interior em escutar, dedicação à palavra para poder conhecê-la bem.

A lentidão, quanto ao falar e ao irar-se, se refere ao trato comunitário, consequência da escuta da palavra. Somos conduzidos a não apenas ouvir, mas realizar a palavra, ou seja, cumprir a justiça de Deus, aquilo que é de Sua vontade.

O falar demais ou muito rápido antes de escutar a voz interior e a ira impedem que façamos aquilo que agrada a Deus, que é justo e santo aos olhos d'Ele e, por isso, impedem a palavra de germinar e produzir frutos no coração.

Esta exortação vem ao encontro de muitas realidades do nosso tempo: as pessoas sentem mais necessidade de falar do que de ouvir e, por isso, mesmo nas famílias, o diálogo fica prejudicado. Parece que ouvir a Deus ou ao outro é sentido como perda de tempo, como se o outro não fosse capaz de acrescentar nada em nossa vida.

A acolhida da palavra é apenas o primeiro passo. Depois é preciso colocá-la em prática (Tg 1,22). Quem apenas escuta passivamente é comparado a quem contempla o próprio rosto e depois se esquece do que viu porque fez apenas a experiência consigo mesmo, não a sentiu como palavra de Deus.

A simples escuta e aceitação não produzem santidade. É como alguém que gosta de ouvir música instrumental, apenas dedicar-se a ouvir não o torna capaz de retirar aqueles belos sons do instrumento ao tê-lo nas mãos. O amor, à medida que é praticado, vai dando à pessoa a verdadeira capacidade de amar e produzir frutos.

O convite é a debruçar-se sobre a palavra para nela descobrir a Lei Perfeita da Liberdade e, praticando-a, ser bem-aventurado em tudo que faz. Um imperativo que surge em nosso coração e inspira nossa forma de agir.

Por ser aquilo de mais espontâneo no ser humano, o amor não pode ser entendido como uma regra à qual alguém possa ser submetido. É um dom de Deus que provoca o homem porque reside em seu coração e em sua consciência, expressão da Sua vontade presente no Evangelho. Observar essa lei torna o homem livre do pecado, simbolizado pela ira, e do exagerado apego a si mesmo, simbolizado pelo falar apressadamente.

A Lei Perfeita da Liberdade, capaz de gerar a verdadeira felicidade, é o amor de Deus implantado no coração do homem. Porque onde está o Espírito do Senhor aí está a liberdade (2Cor 3,17) e aos poucos vamos sendo transfigurados naquele que contemplamos (2Cor 3,18). Tudo parte do ouvir com docilidade acolhendo a palavra, seguido pelo praticar.

O perfeito cumprimento da vontade de Deus se dá no exercício das obras de misericórdia que a palavra nos inspira a realizar. Tudo é feito com liberdade para não ser cumprimento de regra, já que é o amor de Deus que nos impele (2Cor 2,15). Assim, nosso coração vai se tornando manso e humilde, semelhante ao Sagrado Coração de Jesus (Mt 11,29).

(*)O padre Antônio Xavier Batista é membro da Comunidade Canção Nova e Assessor da Comissão Episcopal Pastoral para Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O sacerdote é Mestre em Ciências Bíblicas e Arqueologia.

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