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06/12/2014 10:02

As Empresas, as Mudanças e os Desafios para a Educação Superior

Por Ruy Chaves (*)

O grande sonho de toda empresa depende absolutamente de sua sobrevivência e de sua perpetuação. Sobrevivência impõe competência. A perpetuação, razão final de toda organização, é a competência continuada. Então, buscar a qualificação permanentemente, ter permanentemente a competência como fim e como meio, como produto e como processo, é impositivo de percepção e de ação.

A competência tem compromissos com mudanças, de que são instrumentos a ousadia e a criatividade. É limitado pensar-se que hoje é tempo de mudanças: o mundo sempre esteve em mudanças. Este é um tempo sob velocidade de mudanças.

Saber para ser. Saber para transformar. É fundamental estar à frente das mudanças. Mudança é crise. Crise é oportunidade. Nenhum dia é igual a outro. É imprescindível ser outro a cada dia. “Panta rei”, tudo flui, ensinou-nos Heráclito.

Mudança significa responsabilidade e crescimento, dizer não às formas de ser e de estar aparentemente confortáveis como os líquidos maternos. Mas o ventre materno quer impelir o seu produto mais nobre para uma nova vida de riscos e de compromissos.

Os compromissos com a mudança exigem que a empresa considere a todos como principais. Se todos não estão, mais que envolvidos, comprometidos, se não estão olhando para a mesma direção, não há alternativas possíveis. Para Sócrates, a unidade é o grande bem; o grande mal, a discórdia. A empresa somos todos nós, pessoa única, alma única em corpo único. Se a empresa não está atenta a esta nova ordem, a de ser outra a cada dia, perde a sua competência e compromete a sua sobrevivência.

É impositivo um rito de passagem da pirâmide ao círculo integrado. Se a organização não propõe o risco, não permite a oportunidade. Se não há oportunidade, não há crescimento. Nem da pessoa, nem da organização. Ser adulto em crescimento permanente é libertar-se da pirâmide, estrutural em excesso, vertical e condicionante, escrava de circunstâncias. Ser adulto em crescimento permanente é atentar permanentemente para o saber para ser, é cultivar o saber de transformação.

Sempre o "quanto mais sei, sei que menos sei", o sair da caverna tomada por trevas, de que são prisioneiros os homens que temem a luz. Sair do correr solitário, destrutivamente concorrente, uma pessoa um objetivo, cada um ceifando o seu próprio caminho, caminhos normalmente de conflitos e de derrotas, o homem sempre lobo do homem, inimigo voraz que corrói todas as entranhas: o dedão do pé não pode ser a parte mais proeminente da natureza humana.

A nossa empresa é o espaço de todos nós, a soma de todo o nosso poder, o produto de toda a nossa competência e de todo o nosso entusiasmo, não um complexo de feudos em lutas sob traição e ódio, por espaços e por poder.
Não sobreviveremos enquanto organização se não mudarmos. Mas não bastam as mudanças de processos se as pessoas não estão preparadas para mudanças. Mudança não significa você desejar que os outros mudem. Mudança significa você dizer não a você. Mudança significa novas visão e formação profissionais.

Assim, instituições superiores de educação superior têm papel determinante nesta nova ordem, quebrando paradigmas em seus projetos pedagógicos. É imprescindível um novo professor com capacidade de abrir novas janelas para o mundo na formação de um aluno-cidadão-profissional capacitado para aprender sempre, em qualquer ambiente, sob inovação com qualidade: gente ensinando gente aprendendo sempre.

Eis o desafio a que estão submetidas as instituições de educação superior: que profissional ético, com visão de mundo e de futuro, o mercado demandará em 4-5 anos, período médio de realização de cursos de graduação? Como preparar profissionais para um mercado sobre o qual nada se sabe hoje? Sêneca ensina que para quem não sabe aonde ir todos os caminhos levam a parte alguma. Mais que sempre, instituições superiores de educação precisam estar preparadas para seus compromissos com o saber de transformação, com o Brasil e o seu destino.
Panta rei.

(*) Ruy Chaves é diretor da Estácio e membro do Corpo de Conselheiros da Escola Superior de Guerra

 

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