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Comportamento

“Fui abusada pelo meu pai”: direto ao ponto, Madu aproveita dia para alerta

Na infância, ela sofria violência física e psicológica, sendo chantageada com ameaças

Por Aline dos Santos | 09/08/2026 11:46

Neste Dia dos Pais, muitas famílias felizes comemoram a data, mas o vídeo de Maria Eduarda Cavalheiro Germano, de 20 anos, traz um duro alerta sobre a violência que pode se esconder atrás da porta do próprio lar. Na história de Madu, apelido da atendente de crediário, o perigo tinha nome de “pai”. Por isso, ela publicou a postagem hoje.

RESUMO

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Maria Eduarda Cavalheiro Germano, de 20 anos, revelou ter sido abusada pelo pai dos 5 aos 12 anos. Em vídeo publicado no Dia dos Pais, ela relatou que o agressor a ameaçava para mantê-la em silêncio. Após contar a uma amiga, denunciou o crime com apoio da mãe. Carlos Augusto Germano do Amaral foi preso em julho de 2023, em Cuiabá. Casos de violência podem ser denunciados pelo Disque 100.

“Indo direto ao ponto, eu fui abusada pelo meu pai. Faz bastante tempo que eu quero trazer esse tema à tona. Eu acho muito importante para a conscientização, porque continua sendo um grande tabu na sociedade. Ainda mais quando o abusador é parente ou amigo próximo à vítima”, diz Madu.

Os abusos aconteceram dos 5 aos 12 anos. “Ao contrário do que muita gente pensa, os abusadores não são pessoas ruins, socialmente falando. Eles se mascaram como pessoas gentis e amigáveis. Ganham confiança e afeto até conseguirem o que querem. Socialmente falando, meu pai era presente, incentivador, ia em todas as apresentações da escola”.

A menina sofria violência física e psicológica, sendo chantageada pelo pai. Ele dizia que os crimes deveriam ficar em silêncio para não ser preso.

“Muita gente deve pensar: ah, como ele fez isso por tanto tempo e ninguém descobriu? Ele é um ótimo manipulador. Me ameaçando com frases do tipo: você não me ama? ou vão me matar se souberem de alguma coisa. Isso era um pesadelo para mim. Como alguém que tinha o papel de me proteger faria algo ruim para mim? Eu só era uma criança”, relata Madu sobre o sofrimento que enfrentou.

Os abusos incluíam assistir a conteúdo pornográfico e situações em que pudessem ficar a sós. “Ele sempre aproveitava as brechas que a gente estava sozinho”.

Após oito anos de abusos, ela contou para uma amiga da escola que a orientou sobre a urgência de denunciar o crime. “Eu liguei para a minha mãe e contei. Eu me lembro até hoje da voz dela trêmula ao celular. Ela saiu do trabalho e veio me buscar antes que ele chegasse em casa. A minha mãe sempre ficou do meu lado. Ela fez e faz o impossível por mim. Depois de cinco anos da denúncia, ele foi preso. Durante esse intervalo, ele mudou de cidade e nunca respondeu às intimações”, conta a jovem.

Madu reforça que seu vídeo é um alerta. “Se você passa por isso, você não está sozinho ou sozinha. Fale, grite, denuncie. Mas não deixe esses abusadores saírem impunes. Por mais doloroso que seja dar o seu relato, é importante que eles paguem pelo que fizeram”.

Carlos Augusto Germano do Amaral foi preso em 24 de julho de 2023, em Cuiabá (MT). Ele foi condenado por estupro de vulnerável a 23 anos e 4 meses de prisão em maio de 2024.

Outro lado - No curso do processo, a defesa de Carlos Augusto sustentou que o cliente é inocente e que faltavam provas dos abusos. Nas alegações finais, pediu a absolvição sob o argumento de que o conjunto probatório não seria suficiente para sustentar uma condenação.

No interrogatório, Carlos negou que tivesse cometido os estupros. Disse que algumas situações envolvendo banho e nudez teriam ocorrido de forma natural dentro da convivência entre pai e filha, sem conotação sexual, e negou especificamente algumas das condutas relatadas pela vítima.

A reportagem fez contato com a defesa para saber se há interesse em manifestação após a publicação do vídeo de Madu nas redes sociais por volta das 10h30 deste domingo e aguarda retorno.

Casos de violência contra crianças e adolescentes podem ser denunciados pelo Disque 100, por meio de ligação gratuita e anônima. Em situações de flagrante ou emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar, pelo telefone 190, ou a Polícia Rodoviária Federal, pelo 191, quando a ocorrência for em rodovias federais. Também é possível denunciar crimes pela SaferNet, por meio do site denuncie.org.br.