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16/07/2013 06:00

Bicudo-do-algodoeiro: O câncer da cotonicultura

Por José Fernando Jurca Grigolli (*)

O besouro bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) pertence à família Curculionidae, que possui a característica de apresentar o rostro bem desenvolvido, alvo da origem do nome “bicudo”. Esta praga é específica do algodoeiro, por possuir apenas esta espécie de planta que proporciona condições para que este inseto complete todo o seu ciclo de vida. Já foram relatados outros hospedeiros alternativos desta praga, principalmente plantas daninhas do gênero Cienfuegosia, mas o inseto não consegue se reproduzir se alimentando exclusivamente destas plantas.

O bicudo-do-algodoeiro é, entre as principais pragas do algodão, a de maior incidência e com maior potencial de dano. Esse destaque se dá em função de sua alta capacidade reprodutiva, do elevado poder destrutivo, da dificuldade de controle e também pelos danos causados ao produto final destinado à comercialização.

Sua história como praga-chave da cotonicultura mundial começou com sua ocorrência no Texas, EUA, em 1892. Em 1949 foi encontrado na Venezuela e, em 1950, na Colômbia. No Brasil, foi registrado pela primeira vez em fevereiro de 1983, nas regiões produtoras de algodoeiro em Sorocaba e Campinas, no estado de São Paulo. Em julho do mesmo ano, já atingia a região Nordeste, mais precisamente o município de Ingá, no Estado da Paraíba.

Na região Centro-Oeste, o bicudo-do-algodoeiro foi encontrado em Mato Grosso em junho de 1993, nos municípios de Mirassol D’Oeste e Cáceres e, em Goiás, a praga foi detectada em maio de 1996 nos municípios de Itumbiara, Cachoeira Dourada, Inaciolândia e Panamá. Após seu estabelecimento no Brasil, disseminou-se por todas as regiões produtoras do país, acarretando um grande aumento no custo de produção.

Os adultos podem se dispersar por longas distâncias, mas a frequência e os padrões geográficos dessa movimentação distante ainda são pouco conhecidos. Além disso, o bicudo do algodoeiro e a lagarta militar (Spodoptera frugiperda) são responsáveis por mais de 50% dos custos com inseticidas em campos de produção no Centro-Oeste do Brasil.

Pela forma como o inseto ataca as lavouras, é considerado por muitos cotonicultores como “o câncer da cotonicultura brasileira”, pois os danos causados por ele são silenciosos e com grande velocidade. Desta forma, quando o produtor se dá conta, o campo está completamente infestado pela praga e os danos são irreversíveis, pois ataca os botões florais, destruindo-os.

Os danos são diretos e as injúrias causadas por esta praga decorrem da utilização das estruturas florais e frutíferas do algodoeiro para a oviposição dos adultos e alimentação tanto das larvas como dos adultos do bicudo-do-algodoeiro.

Os danos de oviposição (Figura 1) não afetam imediatamente o botão floral, que continua se desenvolvendo normalmente até o início do segundo ínstar larval e, posteriormente, o botão floral cai da planta. Os danos de alimentação (Figura 2) comprometem o desenvolvimento normal do botão, o que reduzirá significativamente a produtividade das plantas e a qualidade final do produto.

Estudos realizados por Grigolli et al. (2013) (Trabalho intitulado “Within plant distribution of Anthonomus grandis [Coleoptera: Curculionidae] feeding and oviposition damages in cotton cultivars”, na revista Ciência e Agrotecnologia, v.36, n.1, p.78-84, 2013), os autores verificaram que esta praga apresenta preferência para alimentação por botões florais localizados no terço médio das plantas e preferência para oviposição por botões florais localizados no terço superior das plantas.

Existem várias estratégias de manejo do bicudo-do-algodoeiro para reduzir os danos por eles causados. A mais eficiente é o monitoramento das bordaduras dos talhões, pois o inseto inicia a infestação das lavouras pelas bordas dos talhões.

A partir da detecção do inseto, deve-se fazer a aplicação de inseticidas químicos. Em áreas com histórico de grandes infestações da praga, recomenda-se aplicações no momento que as plantas começarem a emitir o primeiro botão floral.

Pelo fato das larvas deste inseto se desenvolverem no interior dos botões, é fundamental o monitoramento constante de cada talhão, a fim de reduzir os danos causados por esta praga.

Entretanto, o controle químico só atinge a eficiência necessária se outras estratégias forem adotadas em conjunto. Destaca-se a destruição adequada dos restos culturais ao final do ciclo da cultura, para impedir rebrotas e conseqüente manutenção dos adultos na área de cultivo e o uso de cultivares precoces.

Em casos extremos, pode-se fazer a catação de botões florais caídos ao solo no decorrer do desenvolvimento da cultura, mas tal estratégia acarreta em mão-de-obra em grandes quantidades, o que pode onerar o produtor.

Também recomenda-se o seu controle na entressafra, utilizando o tubo mata bicudo (um tubo de papelão impregnado com substância atrativa e um inseticida que deve ser posicionado 1 m acima do nível do solo), que reduz drasticamente a população do inseto na área e, consequentemente, os danos no início do ciclo de cultivo da próxima lavoura.

Como observaram, existem vários medicamentos para combater o câncer da cotonicultura, mas todos devem ser utilizados no momento adequado, de forma integrada, ou seja, considerando todo o ambiente e o sistema de cultivo adotado e com a supervisão de um responsável técnico.

(*) José Fernando Jurca Grigolli é engenheiro agrônomo, mestre em agronomia - produção vegetal - e doutor em andamento em agronomia (entomologia agrícola). Na Fundação MS, ocupa o cargo de pesquisador de fitossanidade.

 

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