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Campo Grande, Terça-feira, 22 de Outubro de 2019

14/12/2018 13:48

Capacitação a 100%

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

As teorias econômicas ocidentais propunham livre concorrência, livre mercado, restrições aos monopólios e igualdade de oportunidades. O Estado estabelecia regras e os empregadores se ajustavam para produzir, financiar, contratar pessoas e consumir. Mas as coisas se complicaram com as disparidades e instabilidades cambiais e adoção de tarifas. Com a introdução do capitalismo de Estado muitas coisas mudaram, enquanto as teorias econômicas permaneciam as mesmas. Com isso, o poder econômico foi migrando para a Ásia. Agora há um grande trabalho pela frente para buscar o reequilíbrio da situação.

O economista e acadêmico italiano Luigi Zingales analisa a importância da questão da concorrência no Brasil. Ele fala sobre a interferência do Estado, mas o que se passa no mundo? O capitalismo de Estado está absorvendo a produção de manufaturas com economia de escala, mão de obra adequada e custos competitivos. Necessitamos de nova teoria que proponha o equilíbrio econômico entre os povos.

A valorização do dólar poderia ser oportuna para aumentar a produção interna, exportar, mas sobram mercadorias no mundo. Outro problema que requer exame atento, para não engrossar a precarização geral, são as vendas pela Internet que oferecem vantagens para o consumidor, mas estão reduzindo o movimento dos centros comerciais cujos preços carregam custos adicionais. Isso poderá provocar diminuição de empregos nas lojas e shopping centers, e até no volume da arrecadação. Com queda na receita, os centros comerciais não poderão cuidar e manter os grandes imóveis que estão ocupando.

O que dizer do renascimento da teoria das vantagens comparativas: voltaremos a produzir commodities do jeito e quantidade que os compradores quiserem e nada mais, importando quase tudo? A tendência da receita com exportações é se manter estável, mas as necessidades crescem. O que faremos com o provável déficit nas contas externas?

A economia está desacelerando. Há muito encalhe de mercadorias e capacidade ociosa, sintoma do desarranjo geral cujo reparo nas condições atuais não se tem ideia de como fazer, pois para cada solução adotada, um novo desarranjo se forma. A reunião do G-20 que se reuniu em Buenos Aires caracterizou-se pelo reconhecimento de que há um conflito de interesses comerciais, porém não surgiram alternativas para reequilibrar a economia mundial.

Acresce ainda o volume do endividamento mais uma vez levantado por Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI, durante o encontro no G-20, que soma cerca de 182 trilhões de dólares. Porém, as mudanças que mexem no nível de empregos e no bolso das pessoas causam grandes impactos, pois no cenário de paradeira econômica a renda não acompanha, mas os governos estão endividados e precisando de mais dinheiro.

A situação negativa vem se armando não é de agora. A guerra de tarifas e cambial é reflexo do desarranjo global que provoca déficits e desemprego, e que se agrava com os movimentos especulativos ou oportunistas. A recessão que se arma resulta do artificialismo com que a economia global se estruturou, mas como os números são bem grandes a febre será alta, e sem boa vontade e honestidade não haverá antibiótico adequado.

O ser humano dito civilizado, que deveria ser a coroa da Criação, tem anulado a capacitação espiritual e passando a agir como robô sem coração, transformando-se num monstro desalmado, capaz das maiores atrocidades. O que se poderia esperar além de aspereza e miséria reinantes? Ademais, surgiram nos países atrasados outras consequências complicadoras como a falta de bom preparo para a vida, gravidez precoce, falta de programas de aprendizado nas diversas profissões, falta de perspectiva e visão clara da vida.

O que se observa no mundo é o aumento do apagão mental e perda do bom senso, agravados no Brasil devido à pouca escolaridade. Perdemos muito tempo. É enorme o risco de aumento robotização. Precisamos pôr em movimento as capacitações intuitivas e o raciocínio lúcido. Para viver de forma construtiva e feliz, as novas gerações têm de compreender a finalidade da vida e aprimorar-se. Ao adquirir noções sobre a Criação e suas leis, sem lacunas, sobre todos os tempos, desde o começo da humanidade até agora, o ser humano alcança até 100% da capacitação de que dispõe contribuindo para a paz e o progresso, mas atualmente não está chegando nem a 10%.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br. 

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