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Campo Grande, Terça-feira, 19 de Junho de 2018

12/06/2018 08:21

Da esperança

Por Heitor Freire (*)

Os tempos atuais, mais do que nunca, nos motivam a buscar a esperança como fator de orientação e de inspiração para vencer os desafios que se apresentam e que, às vezes, parecem intransponíveis.

Onde está a esperança, para que eu possa usá-la? Ela está na fé que anima o ser humano,no seu íntimo, onde foi colocada por Deus. Fé que não é crença, é fidelidade. Fé vem do latim fides, que significa fidelidade.

A esperança está dentro de cada um. Não adianta buscá-la fora, como muita gente faz,porque não será encontrada. Não adianta buscá-la onde ela não está.

O professor Rubem Alves, em seu livro Pimentas (Ed. Planet), diz com muita propriedade: Sei muito bem onde minha esperança não está. Não está nos pobres, não está nos movimentos populares, não está no povo. Não está também nas elites, sejam ricos ou doutores, intelectuais ou empresários. Não está em partido político algum, de direita ou de esquerda. E nem nos poderes legislativo, executivo, ou judiciário. Também não está nas igrejas nem nos movimentos religiosos.

Não coloco minha esperança em coisa alguma que seja definida por categorias sociais. Olho para todas elas com profundo desinteresse. Jamais comprometeria a minha vida com qualquer delas.

Onde está a minha esperança?

Numa multidão de indivíduos, independentemente do seu lugar social ou econômico, que vivem possuídos pelo sonho da vida, da beleza e da bondade.

A esperança de Camus estava no mesmo lugar que a minha: “Já se disse que as grandes ideias vêm ao mundo mansamente, como pombas. Talvez, então, se ouvirmos com atenção, escutaremos, em meio ao estrépito de impérios, e nações, um discreto bater de asas, o suave acordar da vida e da esperança.

Alguns dirão que tal esperança jaz numa nação; outros, num homem. Eu creio, ao contrário, que ela é despertada, revivificada, alimentada por milhões de indivíduos solitários, cujos atos e trabalho, diariamente, negam as fronteiras e as implicações mais cruas da história.

Como resultado, brilha por um breve momento a verdade, sempre ameaçada
de cada e todo homem, sobre a base de seus próprios sofrimentos e alegrias, constrói para todos”.

Concordo plenamente com Rubem Alves. E acrescento: É a fé (esperança) que nos mostra como vencer o ego, esse inimigo invisível que domina nossos atos, fazendo-nos crer que precisamos vencer o outro, conquistar o poder, oprimir nossos semelhantes para obtenção de benefícios individuais, que nos faz sentir inveja, ciúme, raiva e que nos leva a condenar aos outros contrariando os sagrados ensinamentos que Jesus difundiu há mais de 2 mil anos.

Quando entendermos que somos seres individuais, únicos, ligados diretamente à Fonte Universal que é Deus, compreenderemos que a nossa fé é realimentada permanentemente e assim incomparável.

Cabe a cada um de nós despertar a sua fé (esperança) e irradiá-la a todos. E fazê-la instrumento de evolução e de elevação espiritual. Eu não vou conseguir transformar minha mulher, minhas filhas, netos, meus familiares enfim, por mais que os ame.

Mas se conseguir a minha transformação, a partir daí vou irradiá-la para todos e assim contribuir para que cada um também possa transformar-se pelo poder da energia universal do amor.

É a fé, a esperança que muda tudo. Quando a lagarta achou que o mundo tinha acabado, virou borboleta.

Assim, vamos ser instrumentos conscientes do trabalho que Deus nos destinou, fazendo cada um a sua parte, sem visar recompensa, mas tendo a consciência verdadeira da mudança que queremos no mundo.

(*) Heitor Rodrigues Freire é corretor de imóveis e advogado.

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