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21/01/2016 15:26

Da honestidade

Por Heitor Freire (*)

Fui instado por um amigo e irmão a escrever sobre a honestidade. Lembrei-me de pronto que, uma vez, Gandhi foi visitado por uma mãe com o seu filho, pedindo-lhe que dissesse para ele sobre os malefícios do uso do açúcar que ele comia em excesso. Gandhi pediu-lhe que voltassem dentro de 15 dias.

Quando voltaram, ele discorreu sobre os malefícios do uso exagerado do açúcar e de como isso prejudicava a saúde das pessoas. O menino entendeu e aceitou as suas ponderações. A mãe então lhe perguntou, porque ele não falou da primeira vez. Ele respondeu: “Eu também comia açúcar”.

Assim impelido a tratar desse tema, comecei a pesquisar o que é honestidade? Quanto à etimologia, a palavra honestidade tem origem no latim honos, que remete para dignidade e honra.

No seu conceito original, a honestidade é um princípio básico, que faz o ser humano agir com sinceridade consigo e com os outros, sendo um dos valores fundamentais da humanidade, somando-se à verdade interior de cada um.
A honestidade é mostrada através das atitudes que um ser humano tem para com o próximo, mostrando-se como realmente é, sem fingir ser algo que não consegue, estabelecendo relações pessoais sólidas e sinceras e adquirindo o respeito de seu semelhante.

Um indivíduo honesto é aquele que não aceita condições que não sejam verdadeiras, sem querer levar vantagem sobre os outros, o mesmo ocorrendo com qualquer instituição, que não desmerece quem nela confia.

Como regra primária, e de forma explícita, a honestidade passa a ser, então, uma obediência incondicional às regras morais estabelecidas na sociedade. Em algumas situações, no entanto, a honestidade pode ser mais difícil de ser trabalhada, principalmente nos meios sociais, em que algumas convenções estão enraizadas.

E no mundo de hoje: A honestidade existe? Ao analisar o comportamento da maioria dos políticos e da própria sociedade em geral, constatamos que é muito difícil encontrar uma pessoa honesta. E isso em todos os estratos sociais. Todos querem levar vantagem.

E a questão anunciada por Maquiavel? Para realizar o sucesso de um Estado ou de uma nação, o Príncipe não pode ser limitado pela moralidade, então: “Os fins justificam os meios”, E que tem sido o farol a iluminar o caminho dos políticos.

Santo Agostinho argumenta: “Para que Deus criasse criaturas racionais como os seres humanos tinha de lhes dar livre-arbítrio”. E a escolha que decorre daí vai determinar o comportamento de cada um.

Adam Smith preconizava: “O homem é um animal que realiza barganhas” e a barganha é feita ao se propor um trato que atenda ao interesse próprio de ambas as partes. Ou seja, sem levar em conta o bem público. Porque quando os interesses se chocam, cessa tudo o que a antiga musa canta, já proclamava Camões. E aí a porca torce o rabo.

Essa questão de julgar o comportamento humano decorre de um costume arraigado que nos leva a julgar o próximo, como se fossemos a própria encarnação da moralidade. Lembrei-me que o Mestre dos Mestres perguntou com clareza meridiana: “Quem te constituiu juiz do teu irmão?”

Feitas essas considerações todas me veio a pergunta: Posso falar sobre a honestidade? Parafraseando Gandhi, não poderia pedir ao professor Fagundes que voltasse depois de 15 dias, nem depois de 15 anos. Quem sabe, depois de 15 milênios.

(*) Heitor Freire é corretor de imoveis e advogado.

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