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Campo Grande, Domingo, 24 de Junho de 2018

28/03/2017 07:29

Eis que eu renovo todas as coisas ...

Por Heitor Freire (*)

Neste início do outono, a estação mais bonita do ano para mim, aquela que considero “a minha estação”, há uma característica metafísica que a torna diferente das outras. É a estação da transitoriedade, da renovação, da transformação.

Tudo muda. O momento é de aproveitar o outono. É a estação do silêncio, do recolhimento, da meditação, da reflexão. É a chegada da serenidade. Saber esperar é uma virtude. Aceitar sem questionar que cada coisa tem o seu tempo certo para acontecer...é ter fé! É a estação que nos proporciona abrandar o ritmo, mudar o compasso na experiência da passagem do tempo, que se alonga como se os dias, hora e minutos andassem mais devagar. Como se uma hora tivesse bem mais do que sessenta minutos.

A sinfonia da vida desce uma oitava. O cotidiano abaixa do galope ao passo. O coração é inundado por uma comovente serenidade. O mundo desacelera. E que o outono faça comigo o que ele faz com as folhas, leve o que já não cabe mais para dar espaço ao novo. Tempo de renovar.

Nietzsche afirmou: “Repare que o outono é mais uma estação da alma do que da natureza”. No outono a escala de viver, mais introspectiva, se torna diferente da anterior. Rodeados por energias próprias dessa estação do ano, podemos aproveitar para resolver uma série de questões que misticamente só podem ser abertas e acertadas nesses dias.

Este período, menos agitado e congestionado, é o momento indicado para o autoconhecimento, a exploração interior, o diálogo com a nossa subjetividade, o reequilíbrio correto das polarizações espirituais e a valorização dos processos de crescimento e libertação pessoal.

A nossa bela e amada cidade morena, nesta estação se torna ainda mais bonita, mais florida. As margens do córrego Prosa, em seu trecho ao longo da avenida Ricardo Brandão, estão cobertas de flores. As majestosas paineiras que ornam as suas orilhas, de repente, sem aviso prévio, sem anúncio formal, sem buzina, sem alarde, silenciosamente passam a exibir o colorido das flores encantando aos transeuntes.

É o que acontece todo ano, quando chega o outono. E essas árvores logo depois nos brindam com um tapete multicolorido, quando suas flores cumprem o período de floração e naturalmente caem, trazendo um segundo espetáculo da natureza para os nossos olhos. Como bem ensinou Lavoisier: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo apenas se transforma”.

O outono nos leva à meditação serena e silenciosa, quando também aprendemos que cada um deve viver sua vida de forma natural e individual, sem permitir influências externas e que deve ser vivida de uma forma nova. Passado o verão com sua agitação inerente, encaminhamo-nos para o recolhimento do inverno, passando por uma transição natural, num momento próprio para encontrarmos serenidade e prazer a fim enfrentarmos os obstáculos e problemas da vida. 

Quando chega o outono, com a harmonia de um céu cristalino, advém uma lição de sabedoria, a pessoal e intransferível responsabilidade de cada um, de buscar e viver a inefável experiência da existência. Esse momento nos proporciona a oportunidade de um encontro íntimo, convidando e estimulando nossa espiritualidade para um encaminhamento único em busca do bem. Assim, vamos outonear, e aproveitar a oportunidade que a estação mais espiritualizada do planeta nos proporciona.

(*) Heitor Freire é corretor de imóveis e advogado.

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