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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Junho de 2018

30/10/2016 14:29

Ensino Médio: tempo e lugar de discussão e produção cultural

Por Marcelo Pereira (*)

A estrutura curricular atual do Ensino Médio brasileiro está pautada em uma visão de ensino a partir da qual os conhecimentos das diferentes disciplinas são absolutamente particularizados e não conversam entre si. Trata-se de um paradigma disciplinar despreocupado com as possíveis interconexões entre as diferentes áreas do conhecimento.

Desse modo, os aspectos e os temas da vida cotidiana raramente são abordados e discutidos em aula. Assim, muitos temas, tais como sexualidade, ética, política, cultura, cidadania, são muitas vezes negligenciados e tratados como assuntos menores ou periféricos.

Como resultado desse processo, temos um desenho de um currículo que não está conectado a questões presentes e vivas no universo dos jovens. Esse modelo de currículo e de escola acaba por gerar desinteresses e falta de envolvimento de grande parte dos alunos com o universo escolar.

A reformulação desse projeto escolar tradicional deve se pautar a partir de um grande debate que envolva não apenas os especialistas das diferentes áreas do conhecimento e os gestores dos órgãos públicos educacionais, mas necessariamente os jovens, principais interessados em mudanças que efetivamente estejam conectadas ao universo da cultura juvenil.

Por princípio, o currículo deve ser visto como lugar de fronteira, de marcação das diferenças e produção de identidade. É objeto de muitas práticas, se molda numa multidão de contextos, é afetado por diferentes forças sociais, por marcos organizativos, pelo material didático escolhido, pelo ambiente da sala de aula, etc.

Nesse sentido, educação e cultura estão inteiramente interligadas. A escola é, por princípio, um lugar de discussão e produção cultural. Por isso é também lugar de diálogo, de criação e recriação do conhecimento e, sobretudo, lugar onde as diferenças se encontram e convivem. Assim, a escola e a educação escolar, entendendo-as como lugares de produção cultural, não devem se pautar em modelos reprodutivos ancorados em receitas prontas para a resolução de desafios que não estejam conectados às especificidades socioeconômicas e culturais daquele determinado contexto.

Seu papel deve ser, sobretudo, representar um espaço de reflexão e criação, aberto a discutir os desafios que se colocam, bem como a encontrar e considerar múltiplas possibilidades de respostas a esses desafios.

Além disso, na conjuntura atual, na qual há um acelerado processo de homogeneização cultural, a escola torna-se um lugar de resistência a partir do qual as diferentes práticas culturais podem ser conhecidas, respeitadas e valorizadas. Trata-se de evidenciar o valor e a importância do conceito de diversidade tanto no plano cultural como no plano ambiental.

Nesse contexto, o ser humano vivencia e expressa seus múltiplos universos culturais por meio de diferentes linguagens: música, cinema, teatro, literatura, dança, oralidade, histórias em quadrinhos, práticas e manifestações religiosas, entre tantas outras formas de expressões. Assim, toda essa diversidade de expressões culturais deve ser incorporada ao currículo escolar, de modo que o aluno se torne protagonista de sua própria aprendizagem e se aproprie efetivamente dessas linguagens. Trata-se de desenvolver um capital cultural que permita ao educando ler e interpretar o mundo a partir de múltiplas ferramentas de expressão, bem como criar, recriar e expressar suas próprias percepções de mundo.

(*) Marcelo Pereira é professor de História do Colégio Marista Arquidiocesano

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