A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Terça-feira, 30 de Maio de 2017

24/11/2013 11:02

Genuína discriminação dos presos pobres

Luiz Flávio Gomes (*)

José Genoíno, por razões humanistas, foi autorizado e cumprir sua pena em regime domiciliar. Sua doença está comprovada (por médico público). Existe base legal para autorizar o preso gravemente enfermo a cumprir pena em sua residência (LEP, art. 117).

Não contesto o deferimento do regime domiciliar para José Genoíno, sim, a genuína discriminação dos presos pobres. Dos números do Depen consta que 3.680 presos estão sob tratamento dentro dos presídios. Muitos desses presos contam com doença grave. Poucos, no entanto, são autorizados a cumprirem a pena em casa. Aliás, poucos também são os estabelecimentos penais que possuem unidades de tratamento (90, em mais de mil presídios).

Por que Genoíno pode cumprir a pena em casa e os pobres miseráveis não, estando em situações absolutamente iguais?
A desigualdade ocorre em razão de um princípio não inscrito nas leis nem nas constituições que reconhece a periculosidade do preso pobre (ele é presumido perigoso, por isso seus direitos são negados). A periculosidade do réu ou preso pobre é presumida (por muitos operadores do sistema punitivo). Frequentemente, de forma absoluta. Presunção irreversível.

Na sua função de semáforo, se o juiz dá sinal vermelho para essa barbaridade, ela se detém; se o juiz dá sinal verde, ela se amplia. Há vários momentos para se detectar essa periculosidade: a mídia difunde (subliminarmente) a ideia de que todos os assemelhados ao criminoso jovem negro são perigosos; para o sistema punitivo, a periculosidade presumida nasce no momento em que ele entra em contato com um agente do sistema.

Uma vez presumido perigoso, num verdadeiro direito penal de autor, as portas se fecham para ele (seus direitos passam a não ser reconhecidos). É o princípio da periculosidade do preso pobre que explica a ocorrência dos pouquíssimos casos de regime domiciliar para pobre.

(*) Luiz Flávio Gomes é jurista

 

A delação premiada veio para ficar
Alguns meios de obtenção de prova no processo penal passaram a ser admitidos mais recentemente para enfrentar o surgimento e o fortalecimento das org...
Agostinho
Agostinho Gonçalves da Mota é uma das poucas unanimidades em nossa cidade. Com 92 anos de idade, uma alegria contagiante e uma gargalhada que se ouve...
Como financiar a gratuidade de nossas universidades?
Quando falamos em financiamento do estado três questões devem ser respondidas ao mesmo tempo: quem irá contribuir, com quanto e como esses recursos t...
Porto Canuto: ponto final ou início de uma história!
A vida não é uma mera sucessão de fatos e acontecimentos. Rememorei a “Retirada da Laguna” e comparei com os nossos problemas atuais. A coluna brasil...



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions