A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quinta-feira, 15 de Novembro de 2018

25/08/2012 11:49

Já plantou sua soja?

Por Ariosto Mesquita (*)

Está uma festa! Tem gente que jura: vai plantar soja até no quintal de sua casa. Outros mais exagerados garantem que as flores do jardim vão dar lugar às vagens da badalada leguminosa. Excessos a parte, posso garantir que tudo caminha para um quadro de problemas.

A disparada dos preços internacionais de algumas commodities - sobretudo a soja, pela sua importância em várias cadeias de produção de alimentos – está fazendo com que muitos agricultores brasileiros deixem de apostar em outros cultivos, cedendo estas áreas para o plantio de oleaginosa já a partir de setembro.

Para quem não sabe, a soja é utilizada na fabricação e elaboração de vários produtos como hambúrguer, sorvete, queijo, carne, leite, bebidas, molhos, salgados, biscoitos, óleos e muito mais. Atenção, desavisados: a soja e o milho são responsáveis pelos seus churrascos. Sem estes grãos, ficaria quase impossível reunir os amigos nos finais de semana para saborear uma bela picanha bovina, uma costelinha de porco e uma suculenta sobrecoxa de frango.

Bom, mas se esse “boom” de cultivo realmente acontecer e da forma com que muitos especialistas estão alertando, teremos uma espécie de “monopólio branco” (disfarçado), ou seja, uma concentração excessiva de cultivo sobre um grão. Ainda é cedo para saber se o mesmo desbunde agrícola acontecerá na segunda safra a partir de fevereiro, quando a soja tende a dar lugar, em cultura de sucessão, ao milho – outro com remuneração nas alturas - em boa parte das áreas agrícolas do Brasil.

O fato, no entanto, é que a euforia com relação à soja é grande e perigosa. Em Goiás e no Paraná, por exemplo, têm produtores largando o feijão para apostar apenas na sojicultura. “Tá dando mais dinheiro”, alegam. O mesmo acontece em proporções e regiões diferentes com o algodão e, sobretudo, com área de pastagem.

Mesmo culturalmente avesso, tem pecuarista tradicional “virando” agricultor num piscar de olhos. Se não faz isso, vende ou arrenda partes das terras. A pressão é grande e o dinheiro rápido é sempre uma tentação, sobretudo para aqueles que ainda esperam de quatro a cinco anos para vender um boi.

O que este quadro – caso se configure – pode trazer de problemas para o abastecimento interno, exportações e para a balança comercial brasileira, ainda é uma incógnita, pois depende muito das flutuações de mercado. No entanto, algumas coisas são claras. A atual ascensão dos preços da soja e do milho acontece, sobretudo, pela quebra da safra 2012 norte-americana, país afetado por um período de estiagem há muito não visto. A expectativa é que dentro de um ano os norte-americanos voltem a jorrar soja e milho para o mundo.

Enquanto isso, o mercado asiático – nosso maior freguês – está mostrando claros sinais de desaceleração. É claro que o chinês não vai deixar de se alimentar. Mas o país está claramente equalizando sua velocidade de crescimento através da utilização dos pedais de acelerador e freio.

Portanto, uma enxurrada de soja brasileira na próxima safra e uma boa perspectiva de produção norte-americano em 2013, podem sim derrubar os preços – não em patamares de crise para o bolso do agricultor – mas para níveis mais modestos do que os atuais. Não se iludam! Analistas garantem que os atuais preços são pontuais. Portanto, todo cuidado é pouco, sobretudo com investimentos.

E, por outro lado, quem vai ganhar com a eventual escassez de produtos como o feijão, arroz e algodão no mercado brasileiro? Evidente que isso passa pela regulagem do mercado mundial. No entanto, a tendência seria de uma remuneração melhor para quem manteve alguma área com estes cultivos.

Mas voltando a soja, é preciso ter ciência dos sérios riscos sanitários que uma febre de plantio pode trazer. Pesquisadores e agrônomos estão começando a temer pela chamada “soja amadora”, aquela cultivada sem qualquer ou com o mínimo de orientação técnica. Outro receio é a adoção sistemática da “soja safrinha”. Mas isso é assunto para outro bate papo.

(*) Ariosto Mesquita é jornalista e mestre em produção e gestão agroindustrial.

Triste boa notícia
A leitura é um dos maiores prazeres da vida. Mergulhar fundo no mar de palavras de belezas naturais, que ficam maravilhosas quando juntadas com maest...
Fim do Ministério do Trabalho: avanço ou supressão de direitos?
Numa eleição marcada por antagonismos e forte polarização, todo ato do presidente eleito tem sido motivo de fortes críticas, com especial endosso e e...
Brasil — Vocação para o progresso
Nas comemorações dos 129 anos da Proclamação da República, reflitamos sobre o papel do Brasil no contexto mundial, que é também o de iluminar as cons...
Eu sou eu e...
A busca de orientação para nortear nossas vidas nos proporciona caminhos os mais variados. Na medida em que essa busca se realiza por meios que se ba...


imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions