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Campo Grande, Terça-feira, 26 de Setembro de 2017

06/07/2016 12:11

Mercantilismo no século 21

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Entre os séculos 15 e 18 vigorou a política mercantilista de Estado que visava exportar para obter superavit na balança comercial. No século 21, essa política tem sido praticada visando o acúmulo de reservas e para garantir empregos, muitas vezes com descuido das necessidades da população e manutenção do câmbio desvalorizado. Os bancos centrais dos países mais ricos estão atuando de forma a promover a desvalorização de suas moedas; é a chamada guerra cambial, cujos efeitos serão percebidos no futuro próximo.

A Organização Mundial do Comércio já dá conta de que estão recrudescendo medidas protecionistas que levantam barreiras ao comércio entre as maiores economias do mundo. Enquanto não se primar por um desenvolvimento equilibrado entre os povos visando o bem geral, as tensões serão inevitáveis. No Brasil, faltou atenção para com a competição com os produtos importados que possuem estrutura de custos muito diversa da nossa, sem falar do câmbio valorizado que premia a importação em prejuízo da exportação.

O Brasil deixou a moeda valorizada, dificultando as exportações e inviabilizando o que é produzido internamente; a população acha bom ver o preço menor dos importados, no curto prazo, pois com o acúmulo de déficits a situação fica insustentável, fazendo o câmbio flutuar, desorganizando tudo. Em junho tivemos uma grande queda, mais de 11%, e a exportação. Permanecemos na contramão do que faz a China, EUA, e outros.

Os conluios políticos nos negócios quebram a espontaneidade da atividade econômica que precisa de liberdade, crédito e juros compatíveis para ser bem-sucedida. Ainda falta muito para transformar o Brasil num país humano, livre de parasitas. É preciso uma permanente vigilância e continuada exigência de seriedade e moralidade na governança da União, Estados e Municípios. Senadores, deputados e vereadores foram eleitos para zelar pelo bem geral, impondo seriedade no uso do dinheiro arrecadado com os impostos.

O sistema descambou para conluios em que se locupletam empresas e parlamentares, como se fossem os donos do mundo. Os tribunais de contas precisam ser mais ativos com a fiscalização do uso do dinheiro público. Adeptos do liberalismo e socialismo confrontam suas crenças, culpando-se mutuamente pelo agravamento da miséria no planeta, mas permanecem ignorantes quanto ao significado da vida, fazendo e desfazendo o que bem entendem sem se preocupar com as consequências. Dos mais de sete bilhões de habitantes da Terra, cinco bilhões são pobres sem metas nem esperanças.

A riqueza provém dos recursos que a natureza disponibiliza, inclusive as condições que asseguram a vida. O homem tem se deixado dominar pelo egoísmo e indolência. A riqueza não é condenável; o negativo é o apego a ela como se fosse prioridade porque não houve esforço para entender a vida, pois ao fazê-lo, não se pensaria que nascemos para sofrer e haveria a partilha equilibrada entre os envolvidos na produção da riqueza. Quando os egoístas se postam à frente da riqueza oferecida pela natureza de forma impeditiva para os demais, a miséria é inevitável, o resto é teoria.

O mundo se acha em convulsão; falta a visão clara e compreensão lógica da vida. Domina o superficialismo crescente que embota a capacidade de discernir, tanto da minoria rica como da maioria pobre. Falta um alvo comum de paz, progresso e evolução para preencher o vazio sem propósito em que o viver das novas gerações vai se transformando. As pessoas agem como robôs. Uma nova era de progresso requer um novo saber que nos posicione em relação à transitoriedade da vida na matéria, orientando para que, com lucidez, alcancemos o potencial máximo da humanidade através de realizações benéficas e duradouras.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, articulista e escritor

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