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Cidades

Medicina na fronteira vira álibi e 12 estudantes são presos com emagrecedores

“Quantidade de pessoas que foram presas é surpreendente”, afirma chefe da PRF

Por Aline dos Santos | 06/07/2026 10:08


Medicina na fronteira vira álibi e 12 estudantes são presos com emagrecedores
Medicamentos apreendidos na mala de estudante de Medicina (Foto: Reprodução)

RESUMO

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Estudantes de Medicina que cursam faculdades no Paraguai têm sido flagrados transportando drogas e medicamentos emagrecedores contrabandeados na região de fronteira com Mato Grosso do Sul. Segundo a PRF, a quantidade de universitários presos com entorpecentes e remédios ilegais é surpreendente. No primeiro semestre de 2026, a Polícia Federal apreendeu 12.048 canetas emagrecedoras no estado, enquanto a PRF registrou 8.587 unidades nas rodovias federais.

O status de ser estudante de Medicina tem virado álibi para o crime na região de fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai. A rota por onde acadêmicos já eram “mulas” do tráfico de drogas também ganhou mais um ilícito: o contrabando das canetas emagrecedoras.

“Dá até a impressão, em alguns momentos, que cursar Medicina no Paraguai é um álibi para tentar burlar a fiscalização. Não podemos generalizar, mas a quantidade de pessoas cursando Medicina que foram presas com medicamentos e entorpecentes é surpreendente’”, afirma o chefe da Delegacia Especializada de Fronteira da PRF (Polícia Rodoviária Federal), inspetor Waldir Brasil Junior.

De acordo com ele, foram 16 prisões de estudantes de Medicina neste ano pela PRF, sendo 12 pelo contrabando e quatro por tráfico.

A vida entre estudos e crime é registrada no noticiário. Em 30 de junho, estudante de Medicina de 24 anos foi preso após tentar fugir de fiscalização na BR-463, em Ponta Porã, a 313 km de Campo Grande.

Ele transportava 570 quilos de maconha em um Chevrolet Classic e só parou depois que uma equipe da PRF efetuou três disparos contra um dos pneus. O estudante contou que aceitou fazer o serviço porque tinha dívida com agiota.

No flagrante de universitária que levava 134 medicamentos emagrecedores, rotulados como tirzepatida, na BR-267, em Maracaju, a 158 km de Campo Grande, a jovem contou que receberia R$ 100 por caixa transportada.

Ela viajava num Renault Master, pertencente a uma empresa de transporte de passageiros que fazia o itinerário de Ponta Porã a Campo Grande. O veículo foi vistoriado pela PRF.

Em depoimento, afirmou ser estudante de medicina em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Disse que a mãe custeia a faculdade, mas que havia atrasos no pagamento e que precisava quitar a rematrícula, cujo valor sofre reajuste anual.  A justificativa era de que o valor recebido permitiria pagar a matrícula e dois meses de mensalidades atrasadas do curso.

A estudante teve a liberdade provisória concedida mediante pagamento de fiança no valor de dois salários mínimos, totalizando R$ 3.242.

Rota dos emagrecedores 

Medicina na fronteira vira álibi e 12 estudantes são presos com emagrecedores

A BR-060 é a campeã de apreensões de emagrecedores em 2026 pela PRF. A rodovia passa por Sidrolândia, no caminho entre Ponta Porã e Campo Grande. Foram 3.744 unidades, 43,6% do total de 8.587. A vice-campeã em flagrantes foi a BR-163, com 2.289 unidades (26,7%).

Já a PF (Polícia Federal) recolheu 12.048 canetas emagrecedoras em Mato Grosso do Sul, no período de janeiro a junho de 2026. Neste primeiro semestre, foram duas operações: em fevereiro e abril.

Durante a primeira fase da Operação Emagrecimento Seguro, equipes da Polícia Federal foram a duas residências em Campo Grande. Num dos endereços, houve apreensão do celular de uma mulher que era alvo da ordem judicial. O marido dela acabou preso em flagrante por posse de arma de fogo.

Na segunda etapa, a investigação para reprimir a comercialização de produtos farmacêuticos destinados ao controle de diabetes e ao emagrecimento, que são introduzidos no País de forma ilícita, foi a edifício na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande.

A onda pelo corpo magro, visto como o ideal pela sociedade, transformou a Capital em polo de contrabando farmacêutico, por conta da proximidade com o Paraguai. Comerciantes compram caixas no país vizinho e revendem até em doses fracionadas.

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