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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

06/11/2017 07:12

O Tsunami da consciência

Por Liliane Rocha (*)

“Seremos julgados daqui a 10 anos, pelas escolhas e atitudes que fizemos hoje enquanto sociedade, com os valores e justiça vigentes daqui a 10 anos”. Foi esta uma das frases mais expressivas que ouvi na Conferência Ethos 2017 do sempre inspirador Fábio Barbosa, ex CEO do Banco Real.

Para compreendermos o que ele quis dizer, basta fazer uma breve retrospectiva. Vejam bem, diversas empresas e governos estão sendo julgados hoje pela sociedade, por iniciativas e ações realizadas há 10 ou 20 anos, em outro contexto cultural e judiciário. Parece que faz pouco tempo, mas há menos de 20 anos era possível existir um chocolate para crianças em forma de cigarro e propagandas de cigarro atreladas à saudabilidade.

Mais complexo ainda, era possível construir mineradoras ao lado de rios importantes para o país, sem considerar a distância da fábrica e da barragem de rejeitos. Eram desconsiderados critérios de diversidade na contratação de funcionários. E aceito que uma empresa se instalasse por anos em uma comunidade, sem nunca conhecer sua realidade social.

Ações que na época em que realizadas não fizeram a menor diferença para a viabilidade econômica financeira dessas empresas, no entanto, hoje geram julgamentos e cobranças da sociedade, inclusive com impactos nos negócios. É como se entre idas e vindas, na legislação, nos hábitos e afins, a sociedade estivesse sendo tomada por um tsunami de consciência que nos leva a olhar para trás e reavaliar ações e práticas.

Esse “fenômeno” veio para ficar e mostra para as empresas e governantes a necessidade de atuar hoje à frente da legislação e das cobranças sociais, cientes de que no futuro certamente serão questionados, com os padrões e rigor dos avanços das regras formais e informais da sociedade, com base nas decisões que tomaram hoje.

Possivelmente as gerações futuras nos perguntarão porquê, em meio a tanto conhecimento e informação, permitimos em 2017 degradação ambiental, exclusão social e corrupção. O que afinal explicaremos, já que a realidade coletiva é uma soma das nossas decisões individuais?

(*) Liliane Rocha é Fundadora e presidente da Gestão Kairós consultoria de Sustentabilidade e Diversidade. Palestrante, Professora de Pós Graduação e Executiva com 13 anos de experiência em grandes empresas nacionais e multinacionais e mestranda em Políticas Públicas pela FGV.

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