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Campo Grande, Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2017

29/03/2016 14:57

Onde está Judas?

Por Walter Roque Gonçalves (*)

Segundo o jornal 'O Globo', no sábado de aleluia não faltaram personagens para malhação do Judas. Além de Lula e Dilma, já esperados, houve outros como Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro. É notória a indignação com a mentira e a corrupção instalada no país.

O historiador da Unicamp Leandro Karnal diz em uma de suas entrevistas que além da corrupção estar institucionalizada, o cidadão também precisa fazer sua parte e pensar sobre as próprias atitudes, pois forjar atestados médicos para faltar ao trabalho também é corrupção, da mesma forma que furar filas, trafegar pelo acostamento, puxar 'gatos', entre outros.

Quando se trata de corrupção em geral, a mentira parece ser uma ferramenta de trabalho. Contudo, autores que investigam a mentira, não evidenciam uma relação direta entre a mentira e a corrupção. Pelo contrário, dizem que a mentira faz parte da natureza humana; a ética e os valores que aferem os contornos do que é certo ou errado.

Veja bem, se mentir é faltar com a verdade, então, o pai que pede ao filho para dizer que não está, caso seja fulano ao telefone, mente; a mulher que diz ao marido que não há problemas no trabalho para poupá-lo de um determinado aborrecimento, mente! E assim por diante.

Paulo Sérgio de Camargo, no livro “Não minta pra mim” vai mais longe. O autor mostra como a mentira está ligada no equilíbrio do mundo, nos relacionamentos e na perpetuação das espécies.

Olhando mais de perto parece que todos nós, de alguma forma, utilizamos a mentira como recurso na interação com o ambiente que estamos inseridos. Mas toda mentira cobra um preço. Por exemplo, o pai que pede para o filho mentir a alguém ao telefone, provavelmente perderá a credibilidade ao cobrar honestidade quando o próprio filho começar a mentir.

E aquela “inocente” brincadeira de criança, “salada mista”, onde pode-se escolher entre algumas frutas que representam aperto de mão, abraço ou ainda a salada mista que agrega um beijo. Muitas vezes, combinávamos entre os meninos, para que a pessoa que estivesse tapando os olhos com a mão, desse um pequeno toque quando se apontava para uma determinada menina. Então, ganhava-se o beijo, como se tudo não passasse de uma grata coincidência.

E nos jogos de cartas como o truco ou Poker?! O blefe é parte do jogo, é o que torna o jogo mais interessante. Mas quando se esconde cartas embaixo da mesa, opa! Não pode. É fraude, imoral, antiético. A linha que separa a mentira “inocente” na brincadeira de criança e a atitude desrespeitosa no jogo de cartas, parece ser tênue, ligadas mais as intenções e a boa ou má-fé.

Então, estamos falando de uma via de mão dupla no combate a corrupção: por um lado, os políticos, suspeitos de corrupção, precisam ser investigados e punidos exemplarmente! E, por outro lado, é preciso que o cidadãoolhe para as próprias atitudes.

Por isto, antes de procurar malhar Judas, precisamos procurá-lo em nós mesmos. E, para combatê-lo, precisamos imprimir esforços na reflexão e no exercício diário do bom senso, do equilíbrio, da eterna vigilância dos pensamentos e ações, tornando este esforço o mecanismo de fortalecimento do caráter, da moral e da ética; principais armas para lutar contra a corrupção institucionalizada no nosso país.

(*) Walter Roque Gonçalves é consultor de empresas, professor executivo e colunista da FGV/ABS (Fundação Getúlio Vargas/América Business School) de Presidente Prudente (SP).

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