A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017

09/07/2012 08:50

Pensei no índio Brand hoje

Por Laerte Tetila (*)

Já faz uma semana que Antônio Brand, o intelectual que honrou a ciência humana, despediu-se.

Hoje pensei nele, nesse branco de alma guarani-kaiowá, nesse amigo e irmão de caminhada. E continuarei a pensar no Brand pelo resto da minha vida, porque nos amigos a gente pensa a todo instante.

Acredito que todo o Mato Grosso do Sul, principalmente a juventude, há de sempre reverenciar esse mestre de todos nós, um mestre internacional, pois suas ideias transcenderam, correram o mundo em defesa dos aborígenes e somaram-se aos humanistas que contribuem verdadeiramente para elevar a formação dos povos, refinar o espírito humano e enriquecer o processo civilizatório.

Brand tinha claro que a sociedade ocidental construi o império da razão, mas destruiu os valores do coração. Ele sabia que a pós-modernidade trouxe tecnologias avançadas, mas também a perda de valores que só fez ampliar a intolerância e o preconceito contra os diferentes.

Como cristão, Brand tinha na alma o sentimento de que nós somos feitos da mesma argila e, para os que pensam como ele, a tolerância e o respeito para com os diferentes de nós devem estar absolutamente assegurados entre nós.

Para alguém com a dimensão de Brand, ninguém nasce para sofrer abusos ou suportar humilhações. E a dor mais sentida, a que mais dói na alma, é a dor do preconceito. E Brand doou a vida na luta contra esse mal que ainda humilha, viola direitos, avilta e subtrai a esperança de comunidades inteiras.

Como poucos, Brand, um professor com doutorado, soube valorizar o diálogo que, para ele, não significava apenas conversa, mas se colocar no lugar do outro para compreendê-lo e ajudá-lo na superação de suas angústias e de seus problemas.

Daí o imenso carinho que colheu junto aos índios. Brand, desde muito jovem, aprendeu que cada cultura tem o seu modo próprio de ser, pensar e agir, e que nenhuma cultura é perfeita. Queria que todos reconhecessem que somos uma cultura possível.

Ele sabia que as pessoas de culturas diferentes usam lentes diferentes e, portanto, têm visões diferentes do mundo e das coisas. Para Brand, ninguém tem culpa de ser diferente. E ser índio, por exemplo, é pertencer a um povo, um povo que não pode ser tratado como estrangeiro em sua própria terra natal, um povo que tem o sagrado direito de conduzir o seu próprio destino.

Certamente, para Brand, os indígenas não têm culpa de não pertencerem a uma cultura estranha, uma cultura com a estranha mania de envenenar o solo, a água, o ar, os alimentos e fabricar a bomba atômica.

Brand se condoía diante do processo que força os índios a desaparecerem da face da terra como o orvalho diante do sol. Sabia Brand que era impossível esperar de um povo que nascera em liberdade aceitar o confinamento, pois seria o mesmo que esperar que os rios corram ao contrário.

O historiador Brand, o estudioso Brand da nação guarani-kaiowá, o Antônio Jacó Brand que faleceu no último dia três de julho no Rio Grande do Sul, estado onde nascera há 62 anos, tinha a simplicidade dos sábios, a tolerância dos pacificadores e o coração dos aficionados pela cultura da paz.

Acho que Antônio Brand partiu sem ver a tão almejada felicidade plena dos povos indígenas que ele tanto amou nesta vida.

(*) Laerte Tetila é mestre em geografia física pela USP e deputado estadual (PT/MS)

Inteligência espiritual
Parece-me que há alguns estudiosos de psicologia que costumam misturar ciência com religião, duas atividades mentais bem distintas, com metodologias ...
A regulamentação do Lobby no Bra
Desde 1989 o Projeto de Lei do Senado que propõe regular a atividade de Lobby no Congresso Nacional, PLS 203/89 de Marco Maciel (DEM- PE), está no Co...
Desarranjo planetário
Enfrentamos um desarranjo global na gestão pública. Os líderes se afastam da ideia de que são responsáveis por imprimir melhora geral na qualidade hu...
Tudo pelo cliente
Muitas pessoas me perguntam como é o meu dia a dia, como é administrar uma das marcas mais valiosas e admiradas do Brasil. Posso dizer, sem falsa mod...



Maravilhosas palavras, para uma maravilhosa pessoa que foi o professor Antonio Jaco Brand. Com muito pesar se foi, Deus precisa de pessoas como Brand para ajudar a planejar a vida humana na Terra e nós precisamos ainda mais do conforto que Deus, paz e bem à sua familia, q seus alunos honrem seus sábios ensinamentos no respeito ao próximo, que sejamos multiplicadores de Antonio Brand em sua honra.
 
CLAUDINEY CARVALHO em 11/07/2012 12:14:18
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions