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Campo Grande, Segunda-feira, 12 de Novembro de 2018

19/01/2018 06:44

Surpresas

Por Francisco Habermann (*)

Estas primeiras semanas do ano são de sustos. Os primeiros chegam via correio, os carnês, os impostos, as cobranças; mas há os que chegam pela internet e a estes se acrescentam as dúvidas. São sustos verdadeiros ou falsos? Há evidência demonstrada ou são invenções interesseiras?

Nessa rotina moderna ou dos que se dizem modernos, consideramo-nos atualizados. Mas ando desconfiado que essa circunstância gere mais ansiedade estéril do que satisfação evolutiva ou de progresso individual. Tira de nós o que os entendidos em psicologia humana chamam de tranquilidade interna, a conhecida e tão almejada paz de espírito. Essa, dizem, é a condição básica reflexiva para se evitar desonestidade ou cometer falcatruas com prejuízo coletivo.

Percebi isso com a chegada de uma mensagem eletrônica. Veio encaminhada por leitor de Leme, interior do Estado de S.Paulo, que me fez a gentileza de enviar delicioso vídeo onde surge uma criança. Sim, uma criança de uns quatro anos, não mais que isso, dando explicações com simplicidade impressionante. Com traços fisionômicos orientais, falando inglês, descreve carinhosamente sobre o que ela pensa a respeito do nosso comportamento adulto na busca da tão almejada felicidade e paz. Uma surpresa.

Explica que nossa ansiedade é produto da incompreensão e da pressa em obter resultados. Esclarece que compreender é lento na vida, pois nada se consegue imediatamente. Não recomenda enganar, ser desonesto ou ludibriar. Dá o exemplo de seu irmãozinho menor que não sabe ainda usar a privada; acredita que ele vai aprender, sim, mas só após treino sob rigoroso controle. Ao final, faz um alerta: a fé no trabalho honesto não dispensa a vigilância – o que evita surpresas desagradáveis para todos.

Com a belíssima aula recordou conceitos que geram estabilidade emocional tanto para o indivíduo como para coletividade. Falando nisso, penso na população brasileira que precisa de paz, não mais de sustos para sair do atoleiro econômico, ético, político e social em que nos encontramos.

A propósito, um conjunto humano como a dos sofridos brasileiros – os honestos, dignos, esperançosos e eternos pagantes – não merece levar mais um susto na próxima semana, com noticias vindas do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre-RS. Sem contar outras surpresas que poderão vir de Brasília-DF.

Aquela criança angelical do vídeo poderá nos dizer: eu avisei...!

(*) Francisco Habermann é professor da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu. Contato: fhaber@uol.com.br

 

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