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Campo Grande, Domingo, 18 de Agosto de 2019

28/05/2019 13:00

Travessuras de menina má

Por Marcelo Harger (*)

Travessuras de menina má é o título de um livro de Mario Vargas Llosa. O livro conta a história de Ricardo, que se apaixona pela menina má. Ela inicialmente chama-se Lily, mas nem mesmo o verdadeiro nome da personagem é possível saber. Ela trai, mente, rouba, faz contrabando e tráfico. Casa diversas vezes e mantém Ricardo como estepe.

Troca o marido antigo por alguém mais bem sucedido. Faz tudo em busca do sucesso, mas ao final encontra a infelicidade. Dá com a cara na parede e se esborracha. Cada vez que isso acontece usa Ricardo para recuperar as forças.

Ricardo sabe de tudo, mas mesmo assim perdoa. Considera que a menina má apenas pratica travessuras. Crê que um dia ela mudará e não consegue desvencilhar-se daquela mulher, que qualquer um percebe, tem a palavra bucha escrita na testa. Ricardo é uma pessoa de boa índole, mas tem a vida triturada por um trator de egoísmo e crueldade.

O que leva alguém a amar uma pessoa tão visivelmente perturbada? O que leva alguém a entregar-se a um amor que sabe ser impossível? Esse é um dos mistérios da vida humana.

Certa vez ouvi uma explicação brincalhona dizendo que tudo é culpa do je ne sais quois. Só pode ser isso. Há pessoas que objetivamente deveriam ser tudo o que queríamos, mas infelizmente não provocam paixão. Falta o je ne sais quois.

Este, no entanto, surge nas pessoas mais improváveis. Por alguma razão pessoas que objetivamente não deveriam nos atrair são cheias de je ne sais quois. Quanto mais complicadas, mais têm.

O je ne sais quois é um entorpecente poderoso e vicia. Embora seja responsável por inúmeros momentos de prazer, o adicto pode praticar os maiores desatinos. Durante o uso sente-se nas nuvens, mas pode ter momentos de ilusão paranoica achando que a pessoa objeto de seu desejo o está traindo, ou que outros querem surrupiá-la para si. Em momentos de euforia o drogadito pode fantasiar-se, escrever poesias horríveis, fazer cenas ridículas e declarações públicas de afeto que aos olhos alheios são um verdadeiro mico.

Há, contudo, consequências mais graves quando o vício se instaura definitivamente. Aquele que mata o ex-cônjuge, não mata por amor. Mata porque quer entupir-se de je ne sais quois. Aquele que morre enquanto faz uma loucura pra encontrar a pessoa objeto de seu desejo morre de overdose.

Há os que sofrem crise de abstinência quando o perdem. Alguns definham lentamente durante essa fase enquanto outros se suicidam.

É por todas essas razões que o Ministério do Coração adverte: use o je ne sais quois com moderação, porque a vítima pode ser você...

(*) Marcelo Harger é advogado em Joinville, graduado em Direito pela Universidade Federal do Paraná, pós-graduado em processo civil pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, mestre e doutor em Direito do Estado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

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