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Campo Grande, Quarta-feira, 24 de Maio de 2017

22/06/2016 18:51

Um adeus à protagonista e símbolo de luta indígena em Mato Grosso do Sul

Por Lindomar Lili Sebastião (*)

Símbolo de luta, Enir Terena aos 61 anos de idade segue para outro plano, pois, a morte para o Terena culturalmente inexiste. O Terena não morre, ele muda de lugar, assim nos é repassado.

Autora de várias lutas e conquistas, Enir tornou-sea primeira mulher cacique da etnia Terena no estado de Mato Grosso do Sul, que culminou em dois mandatos consecutivos e legitimado pela sua comunidade, a aldeia urbana Marçal de Souza, localizada na Capital do Estado.

Oriunda da aldeia Limão Verde, situada no município de Aquidauana, Enir Bezerra ainda em sua adolescência, por decisão de seus familiares, migrou para cidade de Campo Grande em busca do trabalho remunerado. Já em sua fase adulta, sua luta foi de muitos anos até culminar com a fundação da aldeia urbana Marçal de Souza, uma de suas conquistas.

A terra ocupada em meados de 1995 transformou-se em aldeia urbana em 12 de fevereiro de 1999, situada em Campo Grande, capital do estado de Mato Grosso do Sul, com uma população de 700 pessoas vindas de várias aldeias tradicionais do estado.

A sua rica trajetória de líder ao longo do tempo foi um fator decisivo para a ocupação do maior cargo da chefia tradicional, que por sinal, até então, ocupado exclusivamente pelos homens. O meu objetivo, disse a cacique em sua posse: “É trabalhar para o meu povo, resolver os problemas, apoiar, a luta é a mesma, apenas a metodologia que é diferente”. Seu primeiro mandato culminou ao segundo, vitoriosa na urna eleitoral aos modos Terena, a cacique prossegue sua gestão.

Sua legitimação ao maior cargo de chefia fica na história do povo Terena, pois o inédito, a quebra do tabu na sociedade Terena deu lugar a novas protagonistas, revelando e ressignificando novos papéis da mulher indígena contemporânea. Atualmente outras mulheres exercem o cargo de vice cacique nas aldeias, como na aldeia Lalima no município de Aquidauana e na aldeia Nova Tereré, no município de Sidrolândia.

O legado que a cacique Enir Terena nos deixa é a persistência de que as mulheres indígenas podem e são capazes de serem protagonistas de sua própria história e capazes de realizarem grandes feitos para com seu povo. Um adeus a essa grande mulher que nos deixa grandes lições de vida.

(*) Lindomar Lili Sebastião é pesquisadora Terena da aldeia Água Branca, de Aquidauana.

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