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Campo Grande, Domingo, 24 de Junho de 2018

25/10/2013 14:40

Uma princesa e pequenas guerreiras brasileiras invadem a Alemanha

Por Antonio Luiz Rios (*)

“A princesa que não queria aprender a ler”, da paulista Heloisa Prieto, mestra em comunicação e semiótica, e “As pequenas guerreiras”, do amazonense Yaguarê Yamã, escritor, geógrafo, ilustrador e líder indígena do povo Maraguá, são obras que expressam a imensa riqueza e diversidade da literatura brasileira. A singularidade de tamanho pluralismo caracteriza nossa cultura, expressa em livros e autores cada vez mais reconhecidos pelos leitores de nosso país.

É importante, contudo, que a nova literatura brasileira, que nada perde em conteúdo e excelência para as melhores do mundo, conquiste também o público de outras nações. Inspirados na tradição de grandes escritores, como Jorge Amado e Machado de Assis, não devemos nos resignar à condição de importadores de direitos autorais e tradutores de best sellers estrangeiros. É chegada a hora da contrapartida, oferecendo ao mercado editorial internacional o que temos de bom. Nada melhor do que o intercâmbio cultural e de conhecimento por meio dos livros.

Nesse contexto, a Feira de Livros de Frankfurt 2013 (de 8 a 12 de outubro), que teve o Brasil como país homenageado pela segunda vez (a primeira ocorreu em 1994), foi excelente oportunidade para a difusão internacional de nossa literatura. Expositores de 100 países, compradores em potencial de direitos autorais, e mais de 270 mil visitantes alemães e de outras nações conheceram melhor a nossa literatura e produção editorial no evento, que é o maior do mundo no gênero.

Nosso país teve grande exposição e visibilidade, não só no centro de exposições, como em todo o circuito cultural da cidade alemã, que se transformou numa grande vitrine brasileira, de nossos escritores e obras e nossa gente. No total, realizaram-se 651 eventos ligados ao Brasil durante a feira. Setenta autores, representando a literatura e a produção editorial brasileira, estiveram presentes ao evento.

Por todas essas boas razões, decidimos levar a essa grande feira internacional de livros a nossa “princesa” e “as pequenas guerreiras”, dentre 23 títulos infantis e juvenis de nossa editora. Foi uma amostragem consistente e bastante representativa da imensa diversidade da cultura e da produção intelectual brasileira, que tanto encantaram alemães e visitantes estrangeiros.

Considerando que, ao tomar gosto pela leitura, dificilmente alguém perde o saudável hábito ao longo de toda a vida, a conquista do público infantojuvenil é de extrema importância, como se pôde observar em nosso próprio mercado e em todo o mundo. Obras como “Harry Potter”, “Crônicas de Nárnia”, a saga “Crepúsculo” e o redescoberto “Senhor dos Anéis” viraram filmes e conquistaram multidões, inclusive adultos.

Ora, bruxas, magos, trasgos, vampiros e índios que se transformam em lobos para proteger suas tribos e outros caracteres e tradições da cultura e das lendas europeias e norte-americanas não são mais lúdicos ou fascinantes para os leitores do que os personagens do folclore brasileiro ou aqueles que revelam a presente realidade de nossas cidades grandes, dos povos amazônicos, das populações do Nordeste e do Sul, de nossos cenários rurais, do cotidiano da vida nacional, nossa música, história e peculiaridades de todas as regiões de nosso imenso país.

Temos, portanto, um substantivo potencial para conquistar cada vez mais leitores no plano internacional. Assim, é importante participar de eventos como a Feira do Livro de Frankfurt, em especial em 2013, quando o Brasil foi homenageado. Nosso país deverá continuar com visibilidade ampliada na mídia mundial nos próximos anos, considerando a Copa do Mundo da FIFA em 2014 e a Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016. Temos pela frente boas oportunidades de ampliar a presença de nossos livros no mercado externo. Assim, que a doce invasão de nossa “Princesa” e de nossas “Pequenas guerreiras” à Alemanha em 2013 delimite um novo tempo para a projeção internacional de nossos livros.

(*) Antonio Luiz Rios, economista, é o diretor-superintendente da Editora FTD.

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