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Campo Grande, Domingo, 26 de Março de 2017

22/08/2014 13:19

Vamos falar sério sobre saúde

Por Johnny Daniel (*)

O sistema de saúde do Brasil é um dos mais deficientes e precários do mundo, conforme pesquisa divulgada no ano passado pela agência Bloomberg.

E o problema torna-se cada vez mais grave. O Jornal Nacional divulgou recentemente uma pesquisa feita pelo Instituto Datafolha mostrando quais eram os principais problemas que afligem a vida dos brasileiros. E advinha qual foi o principal?

Para 32% dos brasileiros a saúde é o grande drama nacional. E esse problema, apontado pela maioria da sociedade brasileira, explica os motivos pelos quais a presidente Dilma, tão interessada em se reeleger, propagandeia uma medida que, todos sabemos, foi improvisada, carimbada de “Mais Médicos”, resvalando para a imoralidade pública ao incentivar a contratação de “escravos” cubanos.

E sabem por quê? Explico: qualquer ação que fosse adotada pelo Governo Federal, que maquiasse esse impasse, traria muito mais vantagens eleitoreiras do que solucionar questões complexas e políticas, como a má gestão do sistema e dos recursos, por exemplo, apontado por 23% dos entrevistados.
E, sinceramente, não é muito difícil compreender as verdadeiras razões pela qual os brasileiros se afligem tanto quando necessita usar o sistema público de saúde.

Nossa sociedade padece com uma das mais altas cargas tributárias do Planeta. Isso, em tese, nos garantiria um atendimento universal decente. O gasto do Brasil com ações e serviços públicos de saúde aumentou, segundo a própria pesquisa DataFolha, em 340%, de 2000 a 2012.

Hoje isso representa 4,2% do PIB. Mas quando fazemos a comparação com demais países que têm sistemas semelhantes ao nosso, vemos que o gasto ainda é pequeno se considerarmos a demanda.

Na Espanha e no Reino Unido, por exemplo, países menores que o Brasil, o gasto é maior que 7% do PIB.
Uma diferença absurda e que nos leva a fazer alguns questionamentos: falta vontade política? Falta planejamento? Falta determinação dos governantes? Diante desse quadro caótico, muitos brasileiros se esforçam para manter planos privados. São 47 milhões de usuários que comprometem parte da renda para ficarem longe dos serviços públicos de saúde, apesar de pagarem também por eles via tributos.

Acompanhando a atual campanha eleitoral percebemos que todos os candidatos prometem resolver os problemas da saúde. Alguns fazem propostas mirabolantes e irrealistas prometendo construir dezenas de hospitais, clínicas e ambulatórios, sem saber quanto isso custará e como será mantido. No fundo eles estão abrindo portas para esquemas de corrupção. Prédios, per se, não resolvem nada, principalmente anunciados como parte estratégica de políticas demagógicas.

O buraco é mais embaixo. Saúde é uma questão multifatorial. Cada cidadão deve ser consciente de que ele também é parte da solução do problema. Se ele se esforça para manter uma boa qualidade de vida, vivendo em ambiente saudável, com água tratada, esgoto e boa coleta de lixo, isso reduz a ocorrência de doenças e reduz as demandas de médio e longo prazo do sistema.

Se os cidadãos respeitam as leis de trânsito de modo a evitar graves acidentes isso diminui os gastos com urgência e emergência dando folga ao sistema para cuidar da saúde de crianças e idosos. A aplicação da lei seca, por exemplo, já provou que reduz as demandas na ponta e possibilita melhor planejamento do setor.

Penso que o eleitor deve analisar com clareza as propostas dos candidatos e ver quem está falando sério. Propor planos mágicos, mentirosos e pirotécnicos não nos levará a lugar nenhum. As ações na saúde dependem de melhorias do sistema educacional e de segurança pública. São questões que dependem de tempo, esforço profissional e recursos bem geridos. Por isso, planos de governo nessa área tem que ter consistência e uma boa dose de verdade. Caso contrário, o problema só será "resolvido"...na próxima campanha eleitoral.

(*) Johnny Daniel, acadêmico em História e membro do GEPES-MS, (Grupo de Estudos Políticos, Econômicos e Sociais).

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