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Campo Grande, Domingo, 15 de Setembro de 2019

04/09/2019 08:56

“Blindados”, investigados da Vostok chegam para depor na Polícia Federal

Deputado estadual Zé Teixeira (DEM) é um dos investigados ouvido hoje pela Polícia Federal.

Anahi Zurutuza e Aline dos Santos
Na direção do veículo, o advogado Carlos Marques e no banco do passageiro (fundo da foto), o deputado estadual Zé Teixeira (DEM), entrando na garagem da superintendência da PF em Campo Grande. (Foto: Henrique Kawaminami)Na direção do veículo, o advogado Carlos Marques e no banco do passageiro (fundo da foto), o deputado estadual Zé Teixeira (DEM), entrando na garagem da superintendência da PF em Campo Grande. (Foto: Henrique Kawaminami)

No segundo dia do mutirão de coleta de depoimentos de testemunhas e investigados da Operação Vostok, a movimentação é diferente na PF (Polícia Federal).

Ontem (3), o vai e vem na porta principal da superintendência em Campo Grande era intenso, com acesso livre dos jornalistas às testemunhas. Já hoje (4), dia dedicado a ouvir os investigados, a garagem do prédio foi liberada para que depoentes entrassem de carro, “blindados” contra a imprensa.

O deputado estadual Zé Teixeira (DEM) foi um dos primeiros a chegar no prédio da PF para depor. Ele chegou acompanhado pelo advogado Carlos Marques, que entrou pela garagem dirigindo veículo com o cliente de passageiro.

O advogado Newley Amarilla também se livrou do “assédio” da imprensa, estacionando no pátio da superintendência. Em setembro do ano passado, quando foi deflagrada a Vostok, ele defendia o pecuarista Ivanildo da Cunha Miranda, alvo da operação e delator na Lama Asfáltica. Não há confirmação, porém, se esse outro cliente de Newley também já está na PF.

O Campo Grande News apurou ainda que José Ricardo Guitti Guimaro, conhecido como Polaco, prestou depoimento nesta manhã. 

Pela porta da frente, somente o produtor rural em Aquidauana, João Siqueira, entrou. O fazendeiro chegou acompanhado do advogado José Roberto Rodrigues da Rosa, se identificou, mas não deu entrevistaComo o nome do pecuarista não está na lista dos presos, ele deve ter sido chamado na condição de testemunha.

Advogado Newley Amarilla chega no prédio da Polícia para acompanhar depoimentos. (Foto: Henrique Kawaminami)Advogado Newley Amarilla chega no prédio da Polícia para acompanhar depoimentos. (Foto: Henrique Kawaminami)

Mutirão - A Polícia Federal começou ontem força-tarefa para acelerar as oitivas da Vostok. Ao todo, 110 pessoas serão ouvidas em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo e Ceará.

A maior parte dos depoimentos, cerca de 80, foram coletados nesta terça-feira, apenas de testemunhas. 

Em 12 de setembro, dia da Operação Vostok, policiais fazem buscas no gabinete do deputado Zé Teixeira (Foto: Paulo Francis/Arquivo)
Em 12 de setembro, dia da Operação Vostok, policiais fazem buscas no gabinete do deputado Zé Teixeira (Foto: Paulo Francis/Arquivo)

A operação - No dia 12 de setembro do ano passado, a investigação sobre propinas pagas pelo grupo JBS para políticos em troca de incentivos fiscais do governo de Mato Grosso do Sul deu largada à Operação Vostok. O inquérito teve como ponto de partida a planilha entregue na delação à Operação Lava Jato, onde Wesley e Joesley Batista, que detalharam o modelo dos pagamentos por meio de Tares (Termos de Acordo de Regime Especial).

Conforme a apuração, uma das formas de lavar o dinheiro, era por meio das vendas dos chamados “bois de papel”, que existiam apenas em notas fiscais frias. Por isso, os alvos e testemunhas são pessoas ligadas ao agronegócio. O esquema perdurou por ao menos três governos.

Dentre os presos, além do deputado Zé Teixeira, também estavam Márcio Campos Monteiro (PSDB), hoje conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado), além dos ex-prefeitos Osvane Aparecido Ramos e Nelson Cintra.

Os empresários João Roberto Baird, outro alvo da Operação Lama Asfáltica, e Antônio Celso Cortez, também foram levados à PF. José Ricardo Guitti Guimaro, conhecido como Polaco, foi que tinha contra si mandado de prisão, mas se apresentou à Polícia Federal só seis dias depois da operação.

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