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Acesso brasileiro à Bioceânica deve ficar pronto só um ano após a ponte

Ligação viária e aduana estão previstas para dezembro de 2027, enquanto a estrutura avança para este ano

Por Anderson Viegas | 25/05/2026 09:48
Acesso brasileiro à Bioceânica deve ficar pronto só um ano após a ponte
Ponte da Bioceânica deve ser concluída um ano antes do acesso pelo lado brasileiro (Foto: Toninho Ruiz)

Enquanto o Paraguai prevê concluir até setembro deste ano a Ponte da Bioceânica entre Carmelo Peralta e Porto Murtinho, o Brasil estima entregar somente em dezembro de 2027 o acesso rodoviário à estrutura internacional e o Centro Unificado de Fronteira Brasil–Paraguai no lado sul-mato-grossense. O cronograma informado pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) evidencia um descompasso superior a um ano entre a conclusão da ponte e da estrutura brasileira necessária para conexão com a Rota Bioceânica.

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O Paraguai prevê concluir a Ponte da Bioceânica, entre Carmelo Peralta e Porto Murtinho, em setembro de 2025, enquanto o Brasil só deve entregar o acesso rodoviário e o Centro Unificado de Fronteira em dezembro de 2027, gerando um descompasso de mais de um ano. A obra brasileira, orçada em R$ 500 milhões, inclui 13,1 quilômetros de rodovia ligando a BR-267 à ponte e um centro aduaneiro integrado ainda não iniciado.

A construção da Ponte da Bioceânica entre Carmelo Peralta, no Paraguai, e Porto Murtinho está sendo executada pelo MOPC (Ministério de Obras Públicas e Comunicações) do país vizinho, com investimento de US$ 100 milhões da margem paraguaia da Itaipu Binacional.

 A obra foi iniciada em janeiro de 2022 e segue em ritmo acelerado. Mais de 90% da estrutura já foi executada. Está previsto para junho o encontro estrutural entre as duas margens e, para setembro, conforme estimativa apresentada em abril pelo órgão paraguaio, a conclusão dos trabalhos.

Além da construção da ponte, o governo paraguaio também implanta um acesso pavimentado de 3,8 quilômetros que conectará a estrutura à rodovia PY-15, uma das vias que compõem o trajeto da Rota Bioceânica. Conforme o MOPC, as obras começaram em outubro de 2025, também com financiamento da Itaipu do lado paraguaio, com investimento de US$ 20 milhões e prazo de 12 meses para conclusão, ou seja, até outubro deste ano. Entre as intervenções já executadas estão a limpeza da área e a instalação de cercas na faixa de domínio.

Em contrapartida, as obras do acesso brasileiro começaram somente em setembro de 2024. Segundo o DNIT, com investimento aproximado de R$ 500 milhões, está sendo implantado um trecho de 13,1 quilômetros de rodovia que vai ligar a BR-267 à Ponte da Bioceânica.

 O departamento informa que já foram executados o canteiro de obras, instalações industriais, como central de concretagem e pátio de concretagem e protensão de vigas, limpeza da faixa de domínio ao longo do trecho, implantação de cercas de limite da faixa de domínio e cercas condutoras de fauna.

Conforme o DNIT, o projeto prevê a construção de um viaduto na BR-267, atualmente na etapa de execução da infraestrutura, com estacas e blocos, além de seis pontes. Duas delas, uma sobre o Rio Amonguijá e outra sobre uma vazante, já foram concluídas.

O departamento explica que dentro do projeto também está prevista a construção de um Centro Aduaneiro Integrado entre Brasil e Paraguai, nos moldes do que já existe na fronteira entre São Borja (RS), no Brasil, e São Tomé, na Argentina.

 O centro aduaneiro deverá abrigar a Receita Federal, PF (Polícia Federal), Vigiagro/Mapa (Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional do Ministério da Agricultura e Pecuária), Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e PRF (Polícia Rodoviária Federal), entre outros órgãos. Além disso, a concepção prevê a separação entre veículos de passeio e veículos de carga, com o objetivo de organizar e melhorar o fluxo logístico.

Caberá ao DNIT a construção das edificações, do pavimento e do pátio do Centro Aduaneiro. Segundo o órgão, a estrutura ainda não foi iniciada porque o projeto passa por adaptações baseadas em novas demandas apresentadas pelas instituições de controle de fronteira.

Acesso brasileiro à Bioceânica deve ficar pronto só um ano após a ponte
Traçado da Rota Bioceânica (Foto: Divulgação)

A rota

A construção da Ponte da Bioceânica é uma das obras fundamentais para viabilizar o Corredor Bioceânico, também chamado de RILA (Rota de Integração Latino-Americana) ou Corredor Rodoviário de Capricórnio.

 A via terá mais de 3,2 mil quilômetros, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

 Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, será a porta de entrada da rota no Brasil. A expectativa dos quatro países é transformar o corredor em uma grande via de escoamento de produtos e importação de mercadorias entre a América do Sul e os mercados asiáticos, com potencial de reduzir em até 30% os custos logísticos e em até 15 dias o tempo de transporte em relação às rotas marítimas tradicionais, como a do Canal do Panamá.