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Economia

Corredor Bioceânico entra na agenda global e impulsiona protagonismo de MS

Dados apontam que corredor pode reduzir em até 40% custos logísticos para exportações brasileiras

Por José Cândido | 12/05/2026 13:48
Corredor Bioceânico entra na agenda global e impulsiona protagonismo de MS
O prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra, e o senador Nelsinho Trad articulam encontro internacional que coloca a Rota Bioceânica no centro das discussões sobre logística e desenvolvimento. (Foto divulgação)

Com embaixadas, gigantes da tecnologia e representantes de 35 países confirmados, Brasília recebe nesta terça-feira encontro que pretende colocar Mato Grosso do Sul no centro das discussões sobre logística, comércio exterior e integração internacional. O “Summit Bioceânica” chega embalado pelo avanço da Rota Bioceânica, corredor que promete encurtar distâncias entre o Brasil e os mercados asiáticos, transformar Porto Murtinho em porta estratégica de exportação e reposicionar o Estado no mapa global dos negócios.

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Brasília recebe nesta terça-feira o Summit Bioceânica, evento que reúne representantes de 35 países, embaixadas e gigantes da tecnologia para discutir a Rota Bioceânica, corredor que ligará o Atlântico ao Pacífico passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. O encontro, organizado pelo Instituto Vem Ser, pode reduzir em até 40% custos logísticos e 12 dias em rotas ao Pacífico, posicionando Mato Grosso do Sul como plataforma estratégica de exportação global.

Realizado pelo Instituto Vem Ser, com apoio do senador Nelsinho Trad e do prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra, o encontro deve reunir cerca de 300 convidados, entre autoridades, diplomatas, representantes de governos, empresários e investidores. A proposta é discutir os impactos econômicos e estratégicos do corredor que ligará o Oceano Atlântico ao Pacífico, atravessando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

A Rota Bioceânica tem início em Porto Murtinho e segue até os portos chilenos de Antofagasta e Iquique, criando uma nova alternativa logística para exportações brasileiras destinadas à Ásia, Oceania e Costa Oeste das Américas. Para Mato Grosso do Sul, a expectativa é de que a posição geográfica deixe de ser apenas um detalhe territorial para se transformar em vantagem econômica.

“O Estado poderá se consolidar como uma plataforma de conexão nacional, redistribuindo produtos para o Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além de atrair indústrias, serviços logísticos, turismo, comércio e novos investimentos”, afirmou Nelsinho Trad.

Os números ajudam a explicar o interesse internacional no projeto. Dados do Comex Stat mostram que a China absorveu aproximadamente US$ 11 bilhões das exportações sul-mato-grossenses entre 2022 e 2026, o equivalente a cerca de 37% de tudo que o Estado vendeu ao exterior no período. Já os países da América do Sul responderam por US$ 4,6 bilhões em compras, representando 15,2% do total exportado.

Além de ampliar mercados, a rota pode reduzir custos e tempo de transporte. Estudos apresentados no encontro indicam que o corredor pode gerar redução logística de até 40% em determinados fluxos de exportação, especialmente para cargas destinadas ao Pacífico. Em algumas rotas internacionais, como no trajeto entre Antofagasta e Shanghai, a economia de tempo pode chegar a aproximadamente 12 dias.

O evento ocorre às vésperas do chamado “Beijo da Ponte”, marco simbólico da ligação física entre Brasil e Paraguai por meio da Ponte Internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta. A estrutura é considerada uma das obras mais emblemáticas da Rota Bioceânica e conta com participação direta da Itaipu Binacional, patrocinadora oficial do Summit e responsável pelo financiamento da obra do lado paraguaio, estimada em US$ 102,6 milhões.

A presença da Itaipu no encontro reforça o peso político e econômico do corredor. O diretor-geral brasileiro da binacional, Enio Verri, está entre os participantes confirmados.

O Summit também reunirá representantes de países como Japão, Coreia do Sul, Índia, Singapura, Tailândia, Vietnã, Alemanha e Reino Unido, além de empresas globais como Meta e TikTok.

Enquanto a ponte avança e o corredor ganha musculatura política, Porto Murtinho já começa a sentir os efeitos da transformação. O município vive valorização imobiliária, expansão de serviços e aumento do interesse empresarial. “A Rota vai abrir o caminho. O Summit é o momento de colocar Mato Grosso do Sul, seus municípios e suas potencialidades diante de quem decide investimentos e negócios internacionais”, afirmou Nelson Cintra.