ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
SETEMBRO, SÁBADO  12    CAMPO GRANDE 26º

MiAuNews

Seu cachorro não desgruda? Apego excessivo pode ser sinal de ansiedade

Especialistas explicam as causas e recomendações do transtorno comumente confundido com carinho

Por Alice Lemos | 12/09/2026 16:05
Seu cachorro não desgruda? Apego excessivo pode ser sinal de ansiedade
Apego excessivo pode ser sintoma de problema comportamental (Foto: Arquivo pessoal)

O seu bichinho de estimação arranha muito o seu sofá? Costuma lamber as patas excessivamente? Faz xixi de alegria quando você volta para casa? Ou então começa a chamar na porta do banheiro quando você entra no cômodo?

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Comportamentos como destruição de objetos, urina fora do local e automutilação podem indicar ansiedade de separação em animais de estimação. De acordo com especialistas, esses sinais muitas vezes são confundidos com carência, mas revelam transtornos graves causados por traumas ou genética. O tratamento inclui treinos de independência, uso de brinquedos interativos e, em casos severos, medicação. É essencial evitar punições e buscar ajuda veterinária para garantir o bem-estar do pet.

Caso as respostas sejam sim, é importante ficar alerta, já que as ações descritas também são sintomas da ansiedade de separação, um grave transtorno comportamental que acomete animais quando há apego excessivo do pet aos tutores.

Segundo a médica veterinária comportamentalista Caroline Finkler, a atitude de destruir objetos pode ser um sinal de atenção caso as peças estejam relacionadas ao cheiro ou à saída do dono.

Por exemplo: se antes de sair de casa, o tutor do animal sempre se senta em um banco específico para amarrar os sapatos, pode ser que o bichinho associe o objeto com a sua saída, e, com o nervosismo, o danifique.

Seu cachorro não desgruda? Apego excessivo pode ser sinal de ansiedade
Caroline com cachorrinho paciente (Foto: arquivo pessoal)

A estudante Bianca Proença já passou por essa situação com sua cachorrinha Luli, uma yorkshire de 8 anos: “Ela está sempre deitada comigo, e se eu não estiver na cama ela deita em alguma roupa minha que tem na casa”. Por ser mais velha, Luli não tem mais o costume de destruir a roupa da dona quando ela sai de casa, mas quando era mais nova já apresentava esses sinais.

Seu cachorro não desgruda? Apego excessivo pode ser sinal de ansiedade
Luli, cachorrinha que não desgruda da dona (Foto: arquivo pessoal)

Outro ponto de atenção, é quando o animal faz suas necessidades fora de um lugar comum quando já é adestrado, situação que pode acontecer por protesto ou felicidade ao rever o dono.

É o caso da cadelinha Olívia, companheira do estudante Pedro Blaya há mais ou menos 2 anos. “Até hoje, mesmo não sendo filhote, quando você volta de algum lugar, ela fica tão feliz que faz xixi no chão", comenta. Pedro diz que Olívia também tem certa dificuldade em ficar sozinha - segundo ele, quando vai ao banheiro, o animal arranha a porta e late para que o dono abra.

Seu cachorro não desgruda? Apego excessivo pode ser sinal de ansiedade
Cachorrinha Olívia, companheira de Pedro (Foto: arquivo pessoal)

Em situações mais extremas, o nervosismo do animal com ansiedade de separação pode causar salivação excessiva, em razão da taquicardia – como se o bichinho tivesse um início de ataque de pânico – e comportamentos autodestrutivos.

“Tem cachorros que eu atendi que já comeram a cauda por conta do estresse", comenta a veterinária Caroline sobre a automutilação de certos animais.

Tratamentos - Uma das formas de contornar essa situação envolve os chamados treinos de independência, que podem ser com ou sem adestrador. O veterinário Maurício Berno, comenta a necessidade de implementar brinquedos duradouros na rotina dos animais, ou seja, acessórios interativos que não dependam do dono para realização da brincadeira, como brinquedos comestíveis, por exemplo.

Seu cachorro não desgruda? Apego excessivo pode ser sinal de ansiedade
Maurício Beno em atendimento (Foto: arquivo pessoal)

Outra recomendação é evitar interação sonora com os animais ao sair de casa, assim como fazer aquela "festinha" quando chegar. A estratégia pode ajudar o pet a entender que ambos os momentos fazem parte da rotina, assim como a hora de comer ou de passear - atividades que ocorrem normalmente sem vocalização.

É importante, ainda, não repreender ou castigar o animal pelos comportamentos que indicam ansiedade de separação. Por ser um transtorno comportamental, muitos casos só serão amenizados com a prescrição de psicotrópicos. Consulte sempre um veterinário.