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Capital

Conselho da Santa Casa manifesta apoio a presos e diz que hospital não vai parar

Em reunião extraordinária, administração disse confiar no esclarecimento dos fatos pela Justiça

Por Jhefferson Gamarra | 12/09/2026 16:24
Conselho da Santa Casa manifesta apoio a presos e diz que hospital não vai parar
Agentes do GAECO durante operação na Santa Casa (Foto: Juliano Almeida)

O Conselho de Administração da Santa Casa de Campo Grande se reuniu extraordinariamente na tarde de sexta-feira (11), após a deflagração da Operação Antidotum, e manifestou solidariedade aos integrantes da diretoria atingidos pelas medidas cautelares determinadas pela Justiça. A operação investiga supostas fraudes em contratos ligados ao hospital e à Santa Casa Saúde, com prejuízo estimado em R$ 4,9 milhões.

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O Conselho de Administração da Santa Casa de Campo Grande se reuniu após a Operação Antidotum, que prendeu seis pessoas, incluindo a presidente Alir Terra Lima, por suspeita de fraudes em contratos com prejuízo estimado em R$ 4,9 milhões. A instituição declarou solidariedade aos presos e garantiu continuidade dos serviços. A operação cumpriu 36 mandados e investigou contratos de digitalização de prontuários e empresas ligadas à direção.

Em nota divulgada neste sábado (12), a Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande informou que a reunião teve como objetivo deliberar sobre as medidas necessárias para garantir a manutenção e a continuidade dos serviços de assistência à saúde prestados pelo hospital.

A instituição afirmou que continua funcionando normalmente e assegurou que não haverá descontinuidade no atendimento à população.

A manifestação ocorre um dia depois de seis pessoas serem presas durante a operação conduzida pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), com participação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar.

Entre os presos estão a presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima; o diretor administrativo, Alessandro Dias Junqueira; o diretor adjunto de Finanças, Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa; o ex-diretor financeiro Rinaldo Hakme Romano; a funcionária do setor de prontuários Monique Gregório de Oliveira; e o empresário Maurício Aparecido Benites, dono da Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços.

Na nota, o Conselho de Administração declarou solidariedade aos integrantes da diretoria afetados pelas medidas cautelares. A entidade destacou a dedicação, a integridade e os serviços prestados por eles ao longo dos anos em favor da Santa Casa e da comunidade.

A Associação também afirmou que aguarda o esclarecimento dos fatos pelas autoridades competentes e reiterou confiança na Justiça.

Operação – A Operação Antidotum cumpriu 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO). A investigação tem como foco dois núcleos de contratos.

Um deles envolve a digitalização de prontuários médicos da Santa Casa. O contrato previa pagamentos de R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, houve pagamentos elevados sem a correspondente prestação dos serviços e o suposto desvio teria chegado a R$ 1,4 milhão apenas no primeiro ano.

O outro núcleo envolve contratos da Santa Casa Saúde com empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico. Segundo o MPMS, essas empresas teriam ligação com a direção da instituição. Em 2025, os pagamentos teriam chegado a aproximadamente R$ 9,6 milhões, com prejuízo estimado em pelo menos R$ 3,5 milhões.

A investigação também apontou indícios de que contratos, pagamentos e prestações de contas eram omitidos de órgãos de fiscalização, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.

Como o processo está sob sigilo, as acusações individualizadas e os fundamentos das prisões preventivas ainda não foram divulgados.

Crise – A operação ocorre em um momento em que a Santa Casa já enfrentava dificuldades para manter parte dos serviços. No início de setembro, o hospital voltou a suspender cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais devido a problemas relacionados à disponibilidade de insumos e à composição das equipes médicas.

Em novembro de 2025, o MPMS havia ajuizado ação civil pública contra a Santa Casa, o Governo de Mato Grosso do Sul e a Prefeitura de Campo Grande, cobrando um plano conjunto para regularizar os serviços contratados pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Na ocasião, o Ministério Público apontou falta de medicamentos, dificuldades no fornecimento de órteses, próteses e materiais especiais, problemas no setor de anestesiologia, superlotação do pronto-socorro e riscos aos atendimentos de média e alta complexidade.

Nos dias 24 e 28 de agosto deste ano, representantes do MPMS, da Santa Casa e das secretarias estadual e municipal de Saúde participaram de reuniões emergenciais para evitar a interrupção de serviços por falta de medicamentos, gases medicinais, materiais e exames laboratoriais.

Mesmo diante desse cenário, a Santa Casa reforçou na nota divulgada neste sábado que os serviços seguem mantidos e que a população não sofrerá descontinuidade na assistência.